
Capítulo 1789
O Estalajadeiro
Com poucas horas restantes até o início oficial do leilão, a réplica da Manoir Midnight já abrigava por volta de 380 milhões de convidados. Assim como na segunda fase do leilão, quem desejasse participar da primeira fase de dentro da réplica precisar depositar uma caução de 10.000 MP.
Esse depósito podia ser devolvido integralmente após o encerramento do leilão e a saída do convidado, ou podia ser convertido em qualquer compra feita pelos participantes. Essa era uma forma de limitar o número de pessoas dentro da réplica, e mesmo assim, a quantidade de convidados era tão alta que quase parecia impossível controlá-la.
Se tudo corresse bem, Lex esperava obter uma receita de centenas ou até milhares de MT apenas com a taxa de 1% sobre os itens colocados em leilão. Sem contar a receita do próprio leilão dele, sem mencionar os recursos que conseguiria trocando por alguns de seus itens.
Enquanto caminhava por um dos corredores da réplica da mansão, ele podia sentir a excitação e a expectativa fervilhando em todos ao seu redor.
De itens comuns, porém indisponíveis por localização, até itens verdadeiramente raros e às vezes até desconhecidos, o que estava à venda no leilão podia mudar vidas para sempre. A expectativa de ter seu mundo transformado talvez fosse até maior que a de eventos de entretenimento convencionais.
Por serem tão importantes e sensíveis, Lex não participava ativamente do leilão. Ele apenas observava enquanto seus funcionários, já bem orientados, faziam tudo. Ele não queria arriscar que o tabuleiro de Go estragasse tudo nesse momento crítico. Ao mesmo tempo, permanecia perto o suficiente para reagir se algo desse errado. Majoritariamente, ele deixaria seus subordinados cuidarem de tudo.
Ele caminhava lentamente pelos corredores da réplica da mansão, apreciando o brilho do detalhamento meticuloso com que a Divisão de Planejamento havia mapeado o edifício.
Quando lhe apresentaram o projeto, ele só precisou gastar dinheiro para construí-lo. O custo final não ultrapassou 1MT, mas chegou a 70% desse valor, o que já era extraordinário.
A verdadeira razão era que os materiais usados na construção eram extremamente valiosos e resistentes.
A Divisão de Planejamento realmente o impressionara, e se não fossem viciados em criar estruturas e cidades cada vez maiores e mais complexas, ele daria uma pausa para eles. Mas, infelizmente, eles gostavam demais do que faziam para querer parar. Se tentasse paralisá-los, eles poderiam até se revoltar.
Lex seguiu até a camada mais interna do edifício: o teatro onde ocorreria o leilão final. Estava totalmente às escuras, com apenas um holofote amarelo fraco iluminando o palco, do qual Mary conduziria o evento.
Ao redor, havia uma escuridão quase total, embora, escondidas nela, estivessem salas privadas. Nove salas privadas, localizadas exatamente em frente ao palco, reservadas apenas para os participantes do segundo segmento que alugaram esses espaços específicos. Estar ali não dava benefícios especiais, além de estar na sala do leilão. Além disso, cada sala custava 10 MT para ser alugada.
Embora luxuosas, as salas não ofereciam valor real além de mostrar riqueza e status. Basta dizer que todas as 99 salas foram alugadas assim que ficaram disponíveis.
A centésima sala tinha reserva permanente para os funcionários do Midnight Inn — embora ninguém mais soubesse disso. Todos só viam 100 salas, sem saber quem estavam alugando as demais.
Naturalmente, Lex entrou na centésima sala, onde já aguardavam algumas pessoas.
— Você chegou cedo. Ainda faltam algumas horas — disse Harry, olhando para Lex.
— Vocês chegaram até antes de mim — respondeu Lex, olhando na direção de Z, que estava sentado de olhos fechados numa poltrona reclinável em frente a Harry. Parecia que ele tinha acabado de fazer um corte de cabelo.
— Tínhamos tempo sobrando e achamos que seria bom nos prepararmos antes do grande show. Que acha? Quer uma boa barba? Melhorei bastante desde aquela primeira que te fiz anos atrás — disse Harry.
Lex olhou para Z, que parecia ter adormecido sem notar, e depois para Harry.
— Uma barba até que não é má ideia, mas antes… — Lex sacou uma de suas armas mais letais: a caneta permanente preta!
Ela não era mágica nem espiritual, apenas uma caneta permanente extremamente difícil de remover.
Depois de desenhar com cuidado alguns óculos, um bigode e uma pintinha em Z, Lex se acomodou na frente de Harry.
— Como estão as coisas em casa? E o Michael, vai bem? — perguntou Lex. Michael era o filho de Harry, um pequeno travesso.
Apesar de ainda não ser cultivador — ao menos por enquanto —, ele nasceu com o corpo anormalmente forte, então adorava escalar as costas de diversos animais e bestas da Pousada e fugir discretamente.
Ele já fazia isso antes de completar um aninho.
— Está tudo bem, só que a parte mais difícil é treinar uma criança que pula dez metros de altura e corre como coelho. Vamos mudar de assunto — quero evitar traumas enquanto relaxo. Semana passada tive que comprar uma formação que automaticamente eviscera o cocô antes de tocar o teto. Imagina a cara do vendedor que me vendeu aquilo?
— Acho melhor nem imaginar… Mas seu negócio tem uma função de autoregulação, né? Por que precisa dessa formação?
— Igual a minha casa não remove as minhas tesouras quando eu as ponho na xícara, ela também não remove o cocô porque… acho que o Michael acha que está colocando lá e vai voltar pra pegar depois. Nem quero imaginar. Melhor eliminar logo pra não ter que descobrir —