
Capítulo 1779
O Estalajadeiro
Cedric Bumblethorpe saiu do seu pátio e descobriu um mundo completamente novo. O crepúsculo pintava o céu acima, evocando uma melancolia nostálgica em quem olhasse para cima, lembrando a todos que o caminho do cultivo era infinito. Era como se o simples ato de olhar para o céu fosse suficiente para iluminar a mente.
O próprio cultivo era, em essência, caminhar por um caminho. Se alguém chegasse a um destino com o qual se sentisse satisfeito — uma etapa, seja o Núcleo de Ouro, um Immortal da Terra, um Celestial ou até algo maior — então esse objetivo encerraria naturalmente o percurso do cultivo. Afinal, o propósito desse caminho, presente porém evasivo, não era alcançar um ponto específico. O verdadeiro objetivo era justamente percorrer o caminho em si — um objetivo que muitos deixaram passar ou esqueceram.
Cedric tremeu e olhou para baixo. Quão arrogante era ele, que mal havia dominado as terras sob seus pés, ao olhar para o alto. Era como se estar naquele lugar fosse tocar em leis mais profundas e esotéricas do universo.
Porém, mesmo ao olhar para as terras, ele encontrou uma paisagem igualmente magnífica que o céu acima. Ao seu redor, haviam milhares de ilhas, não submersas em água ou em algum líquido, mas em nuvens densas e eternamente em fluxo, que nunca se quebravam nem se interrompiam.
Ponte de pedra quebrada ligava as ilhas, ou talvez fosse para conectá-las, mas o tempo, ou a negligência, tinham deixado cada uma isolada. Cedric tremeu mais uma vez. Era como se aquelas próprias terras fossem um comentário sobre a dicotomia da experiência humana — desejando conexão, e ao mesmo tempo se afastando da própria essência que almejavam.
Humildade. Assim foi como ele se sentiu. Veio com convicções tão grandiosas, e foi lembrado de que era como um grão de areia em um jardim zen — uma parte insignificante, sem importância em um plano muito maior, mas valioso a seu modo. Como alguém que tentou roubá-las — desculpe, quero dizer, recuperar aquelas partículas de areia do jardim — ele poderia dizer que até mesmo a areia tinha seu valor.
Porém, mesmo diante do respeito por seu entorno, Cedric compreendeu que talvez a razão pela qual ninguém mais entendia a grandiosidade da excelência de Obsidian… fosse porque todos na ilha onde ele estava estavam abaixo do realm de Immortal. Todos — exceto os misteriosos trabalhadores, que escondiam sua aura e identidade atrás de suas máscaras.
Pela sensibilidade de seu espírito, Cedric podia ver alguns indivíduos se movimentando pela ilha, conversando entre si, discutindo sobre alguma missão. Como alguém altamente atento ao termo 'missão', Cedric prestou atenção especial a qualquer menção à palavra — especialmente naquele lugar.
Após explorar o local por um tempo e não descobrir nada de novo, ele se aproximou de alguns outros membros de Obsidian para tentar aprender mais sobre aquele lugar. Mas, antes mesmo de chegar, o grupo que ele aproximou notou sua presença.
"Novo aqui, hein? Você já fez o juramento de sigilo?" perguntou um pequeno Chihuahua de óculos, completamente despreocupado com o reino de cultivo claramente mais forte de Cedric. Os óculos não surpreenderam Cedric. Era algo que surgia automaticamente em seu rosto ao sair de seu pátio — algum tipo de ferramenta que escondia sua identidade. Apesar de tentar tirar os óculos e descobrir que podia fazê-lo facilmente, sua aparência alterada permanecia, como se o efeito dos óculos não pudesse ser removido enquanto estivesse em Obsidian.
"Juramento de sigilo? Não, não fiz tal juramento," respondeu Cedric. "Isso é requisito por aqui? Ninguém me avisou disso."
O cachorro balançou a cabeça, como se estivesse encarando um amador.
"Se você tivesse tentado entrar na sala de missões, teria visto a notificação. Suba a colina até o templo de pedra. Lá você pode fazer o juramento, e assim se tornará oficialmente um membro. Sem ele, ninguém aqui vai falar com você."
Como se fosse para reforçar exatamente isso, os demais do grupo apenas o olharam de forma impassiva, sem se impressionar ou se intimidar com sua aura mais forte. Para Cedric, aquilo foi uma novidade. Ele tentou se envolver com eles mais algumas vezes, mas ninguém parecia interessado.
Como um cavalheiro, Cedric jamais intimidaria propositalmente. Então, agradeceu ao Chihuahua pela dica e seguiu até o templo.
Na verdade, ele já tinha ouvido falar do juramento pelas histórias. Aparentemente, alguns membros tinham a chance de conhecer o Sábio durante o juramento, e outros não. Mas isso não alterava o conteúdo do juramento, nem a experiência.
Infelizmente para Cedric, ele não teve o privilégio de encontrar-se com o Sábio, mas concluiu o juramento sem problemas. Afinal, esse era seu objetivo — descobrir as verdades ocultas por trás de Obsidian. Através delas, quem sabe, conseguir algumas relíquias antigas…
Ele voltou rapidamente ao grupo, e notou que eles pareciam estar esperando por ele. Alguns até olhavam com um olhar estranho de entusiasmo e expectativa.
"Ainda bem que você ainda está com a gente," disse casualmente o cachorro. "Sente-se, por favor. Deixa eu te falar um pouco sobre Obsidian."
Cedric ficou desconfiado da rapidez com que o cachorro foi tão aberto, mas, não tendo motivo para desconfiança, tomou assento.
"Para começar, você já ouviu falar da Taverna da Meia-Noite?" perguntou o cachorro.
"Não posso dizer que sim. Por quê? O que isso tem a ver com Obsidian?"
"Bem, veja bem: Obsidian não é um lugar propriamente dito. Na verdade, Obsidian é uma ‘categoria de acesso restrito’ de uma organização dentro da Taverna da Meia-Noite, formada pelo Sábio de Obsidian."
Cedric franziu a testa, mas fazia sentido que o mistério fosse mais profundo.
"Por quê?" perguntou. "Qual é o propósito do Obsidian?"
"O propósito é algo que só o Sábio conhece. O mais importante, porém, é como os membros são escolhidos. Me diga, acha que qualquer pessoa consegue uma chave preta para entrar aqui?"
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