
Capítulo 1756
O Estalajadeiro
Então lá estava ele, ao lado de Vera, que olhava de forma constrangedora para longe de Giselle, enquanto esta tentava não fixar o olhar na situação toda, e Levi encarava Vera, Liz olhava para Lex e Nemo, que havia tornado sua tatuagem invisível, e todos estavam observando um ao outro.
Por alguma razão, a situação parecia mais cansativa e exaustiva do que pintar uma formação na base de um vulcão de cristal adormecido.
"Que tal a gente se sentar e entender o que está acontecendo?" perguntou Lex calmamente, como se não houvesse nada de errado. Sinceramente, ele era o único naquela situação que ainda mantinha a compostura. Todo mundo mais já estava agindo como criança. Sério mesmo.
Antes que alguém pudesse dar alguma desculpa, especialmente Giselle, que parecia prestes a fugir, Lex teleportou todo o grupo para um parque próximo. Claro, ele usou suas próprias habilidades para teleportar, em vez dos sistemas, já que o sistema ainda estava em upgrade, o que significava que qualquer um poderia ter tentado resistir ao teleportamento — exceto Liz, que tinha um nível de cultivo bem fraco. Felizmente, ninguém tentou.
"Gente, essa aqui é minha amiga Giselle. Às vezes, a gente luta contra terroristas, em outras, explora templos antigos perdidos," ele explicou, olhando para Liz e Levi. "Giselle, essa é minha irmã, Liz, e o amigo dela, Levi."
"Prazer em te conhecer," disse Giselle, compondo-se com facilidade, sem demonstrar o menor sinal de constrangimento. "Infelizmente, não posso ficar muito tempo. Na verdade, eu estava voltando para avisar que não quero mais o armeiro. Acontece que o Alfaiate da Meia-Noite é muito mais adequado às minhas necessidades do que um forjador de verdade, então não vou precisar mais da ajuda dos seus amigos."
Liz olhava desconfiada tanto para Giselle quanto para Vera, e depois para Lex, tentando perceber se havia algo errado. Para ser justa, ela tinha motivos para isso. Enquanto a fusão com Nemo lhe tinha dado uma habilidade tão poderosa que, na prática, ela nunca podia usá-la de verdade, também lhe concedeu uma passiva que permitia ignorar qualquer barreira abaixo do nível Dao.
Isso não incluía apenas barreiras físicas, mas também mentais e espirituais. Depois de muita experimentação, Liz descobriu que as regras da sua habilidade eram muito mais flexíveis do que ela imaginava, porque, afinal, o que realmente é uma barreira? Aparentemente, tudo o que Nemo decidisse como barreira contava como uma. Então…
"Ei, Nemo, você acha que se alguém estiver escondendo algo de mim sobre meu irmão, isso conta como uma barreira?"
Nemo pensou por um momento, considerando os detalhes da pergunta.
"Acho que se pode argumentar que estão construindo uma barreira entre você e Lex ao manterem um segredo," finalmente concluiu Nemo.
"Era exatamente isso que eu tinha pensado," acrescentou Liz, e então olhou para as duas garotas. Ela não queria invadir a privacidade delas, mas queria saber se tinha algo acontecendo entre elas e Lex. Como descobriu, embora ambas estivessem guardando alguns segredos referentes a Lex, nenhum deles era romântico, então ela relaxou.
"Bom, foi um prazer te conhecer, Giselle," disse Liz educadamente, sorrindo para a garota de cabelo prateado. "Na próxima vez que for explorar um templo antigo, me chama também. Fui a melhor da minha turma em táticas de sobrevivência em Ventura, então não precisa se preocupar em me atrasar."
Vera olhou para Liz de forma estranha, balançando a cabeça de lado, como se estivesse confusa com alguma coisa. Mas logo desviou o olhar para Giselle.
"Ah, nem precisa me chamar. Meu noivo é muito possessivo e não ia gostar de eu me colocar em perigo assim," disse Vera, soltando uma informação desnecessária.
Lex prendeu o suspiro enquanto tentava ignorar as emoções fluctantes de Liz e a travessura de Vera.
"Tudo bem, vocês podem me encontrar na pousada se precisarem de alguma coisa," falou Lex, sem impedir que ela fosse embora. Era sutil, mas Lex percebeu que Levi, por algum motivo desconhecido, tinha a guarda levantada e colocou um escudo pequeno ao redor dela e de Liz enquanto Giselle estava lá.
Se Lex não tivesse se especializado tanto em defesa, jamais teria percebido isso — ou se não estivesse tão familiarizado com o estado natural das leis das Pousadas. Resolving todas as pequenas e crescentes confusões que surgiam a cada momento seria complicado. A boa notícia, porém, era que, após Giselle partir, Levi voltou ao normal.
"Boa tarde, oráculo milagroso," Darcy Levi disse, fazendo uma reverência para Vera, revelando sua forma verdadeira, de ursinho de pelúcia. "Sou Levi Urso, e ouvi histórias da sua visão magnífica. Vim à pousada em busca de respostas, após ouvir sobre sua habilidade. Se não for pedir demais, você aceita olhar meu futuro e me ajudar a encontrar uma resposta?"
Vera, que não vinha usando sua habilidade nos dias atuais e que não tinha como explicar as ações de imortais Celestiais em seu auge apenas através da visão, não fazia ideia de quem Levi era ou de quão forte ela era, portanto, não sentia nenhuma pressão.
"Oi, Levi Urso, prazer em te conhecer. Normalmente, não me incomodaria em ajudar, mas minhas habilidades pararam de funcionar há um tempo, então estou de repouso até que se recuperem."
"Ops, desculpe a intromissão," disse Levi, parecendo desapontado. "Nesse caso, me dá um minuto que vou na Câmara Secreta resolver uma coisinha."
Liz não impediu Levi de ir, mas Vera ficou ali, sorrindo de forma estranha enquanto olhava de Lex para Liz. Lex a encarou.
"O que foi? Se você não quisesse que eu estivesse aqui, não precisava me puxar assim," disse Vera, brincando.
"Imagino como seu futuro noivo vai se sentir ao te ver se jogando em outros caras," Liz questionou, de forma curiosa.
"Uau, que passivo agressivo," disse Vera, colocando a língua para fora e levantando-se. "Sabe de uma coisa? Acho melhor darmos privacidade pra vocês. Vou levar Levi até a câmara."
Lex assentiu, de maneira apreciativa.
"Mas não sai de perto, hein. Tenho uma coisa para conversar com você assim que acabar."
Vera levantou uma sobrancelha, mas tentou resistir à tentação de olhar no futuro só para descobrir o que era. Viver no presente era um baita desafio.
Alguns momentos depois, sobraram só Liz e Lex no parque. Lex pensava em como começar a conversa, mas Liz foi mais rápida.
"Lex, eu... eu queria me desculpar," disse Liz, com a voz séria e sincera.