O Estalajadeiro

Capítulo 1742

O Estalajadeiro

Dragão-Lex olhou para os inimigos ao redor e decidiu que, diferente do Cavaleiro Negro, eles não mereciam sua ira. Eram simplesmente monstros, fazendo coisas de monstros. O Cavaleiro Negro, por outro lado, tinha sido uma irritação incessante, com sua arrogância barulhenta e atitude pomposa.

Embora estivesse em uma forma diferente, Dragão-Lex ainda era Lex, então continuava irritado com o cavaleiro, que piorava sua dor de cabeça. Felizmente, com o surgimento de sua forma parcial de dragão, sua dor de cabeça também desapareceu. Claro que sim, porque ele era o melhor.

Ao contrário de sua forma de lótus, que deveria lhe conceder as habilidades da lótus, sua forma de dragão não lhe proporcionava habilidades novas. Elas apenas fortaleciam as que ele já possuía, permitindo que as usasse como um verdadeiro dragão.

Ou seja, nesta forma, Lex não precisava depender de princípios ou Lawcraft. Todos os poderes e habilidades se manifestariam conforme ele desejasse.

Lex liberou seu Inferno Dourado, um jato de chamas douradas rugindo que consumiam tudo ao alcance, e canalizou as chamas para assumirem uma forma idêntica à sua. Então, sob seu comando, as chamas começaram a voar ao redor, colidindo contra os inimigos, queimando e eviscerando-os. Na prática, não era difícil.

Se Lex não estivesse debilitado, nem precisaria se transformar para derrotar todos eles. Que pena que nenhum deles apresentava o mesmo desafio que Kreel, senão Dragão-Lex teria mostrado a superioridade de sua nova forma.

Mesmo assim, Abaddon não era nada se não persista. Os inimigos continuavam a cair sobre eles, tentando impedir Kaemon de fazer o que estivesse fazendo, mas enquanto a barreira de Lex permanecia firme, ninguém conseguia alcançar o Leão de Magma. Enquanto isso, a encarnação em chamas de Dragão-Lex continuava consumindo todos os inimigos que surgiam.

Isso dava a Dragão-Lex a oportunidade de focar em seu clone. Era verdade o que Jack tinha dito. Algo havia hackeado a conexão entre Lex e seu clone, usando-o para se aproximar do poço. Originalmente, distraído e sobrecarregado como estava, nem Lex nem Jack tinham percebido que o clone agia de forma estranha. Agora, no entanto, ficou claro.

Como uma tsunami, a vontade de Lex explodiu sem aviso, retomando o controle do clone. Um grito miserável, completamente desumano, saiu da boca do clone ao recuperar o comando.

Incapaz de contestar Dragão-Lex, o que quer que tivesse tomado o controle do clone fez a única coisa possível. Cortou uma parte do polegar do clone e se prendeu a ela, rompendo o vínculo entre o polegar e Lex.

Essa afronta ignominiosa era uma ofensa para Dragão-Lex, e ele não tinha intenção de deixar o polegar, que agora parecia mais uma centopéia fugindo do que seu polegar, sobreviver.

No entanto, houve uma interferência. Não era Abaddon quem contestava sua vontade, mas uma conta branca.

Uma única conta discreta colocada no tabuleiro causou a falha da energia do clone. O polegar cortado criou uma fraqueza, e a conta se expandiu sobre ela. Por mais improvável que parecesse, a habilidade de clone de Lex não era perfeita, e a ferida virou a base da técnica que estava se desmanchando. Se deixada sozinha, a cópia desapareceria e a centopéia escaparia.

— Como você ousa? — falou Dragão-Lex, sua voz perigosamente próxima de um sussurro. — Já declarei que você está morto, um inimigo destinado a cair sob minha espada, e ainda assim você se atreve a me desafiar?

A raiva de Dragão-Lex foi canalizada para sua vontade, que ele direcionou toda ao tabuleiro. Embora Lex tenha aprendido bastante sobre o jogo agora, cada peça colocada lhe dava pistas, e Dragão-Lex conseguia interpretar essas pistas muito melhor. Era quase como se os segredos do universo estivessem ansiosos para se revelar a ele — como era justo.

Muitas vezes, as ações, melhorias, conexões e redes que Lex criava geravam contas que ele podia usar. Mas às vezes, ou melhor, frequentemente, as ações de Lex apenas lhe davam a oportunidade de criar uma conta especial, e ele tinha que ser quem realmente as criasse. Ele não podia depender do tabuleiro para dar essas contas prontas. Suspeitava que o mesmo valia para o seu adversário — provavelmente teria que criar essas contas especiais a partir de algo.

Agora, a raiva de Lex foi canalizada para seu tabuleiro, com sua nova forma como o avanço que havia conquistado. Mais importante, Dragão-Lex desejou que uma nova peça fosse formada. De repente, uma nova conta preta apareceu no tabuleiro, idêntica à encarnação que Lex havia criado a partir das chamas douradas.

— Carregue a marca como minha presa — declarou Dragão-Lex, e colocou solemnemente a conta no tabuleiro.

Bem longe dele, no reino de Artica, Axios estava no meio de uma reunião quando sua expressão mudou de repente. Na verdade, todos ao seu redor tiveram suas expressões alteradas ao olhá-lo.

Uma aura sutil envolvia Axios, uma aura que continha uma ferocidade primal e tenacidade, assustando qualquer um que a percebesse. Era uma Marca de Propiedade!

A Marca de Propiedade não era como uma marca de escravo — não, essa marca indicava que aquela presa específica havia sido reivindicada, um aviso para os demais. Se alguém mais ousasse caçar a presa marcada, sofreria a ira de quem colocara a marca.

No mundo de Abaddon, Dragão-Lex de repente se sentiu muito mais fraco. Usar sua vontade assim o exauria enormemente, deixando claro que sua forma estava prestes a desaparecer — mesmo sem querer.

Mas ele não estava disposto a aceitar essa saída — não enquanto carregasse a mancha do insulto.

O clone de Lex, que se desfez, olhou ferozmente para a centopéia e se autodestruiu, canalizando a explosão resultante para queimar o verme amaldiçoado que crescia de seu corpo.

Seja em Abaddon ou não, ninguém podia insultar Dragão-Lex daquele jeito.

— Apesar de eu ser o melhor, você fica em segundo — disse Dragão-Lex a Lex enquanto sua forma se desvanecia.

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