O Estalajadeiro

Capítulo 1657

O Estalajadeiro

Mais uma vez, restringindo a aura de Pequeno Blue, que agora estava ainda mais instável após seu pequeno lanche, Lex começou a refletir sobre quão anormal era tudo ao seu redor. Fazia sentido. Suas próprias experiências eram tão aberrantes que até quem estava inicialmente normal ao seu redor, aos poucos, também se tornava anormal. Mas… isso já tinha passado dos limites, não tinha?

Como um filhote de baleia que mal havia sido uma visitante Pro Bono terminou se tornando um Kun Peng capaz de devorar tudo à sua frente? Claro que ele conhecia a sequência exata de eventos que levassem a isso. Mas… ao pensar naquele buraco gigante, não pôde deixar de questionar a absurda situação em que estavam.

Na verdade, ele tinha quase certeza de que, desde que tivessem tempo suficiente para crescer, Lex nunca mais precisaria se preocupar com a segurança dos Pousos. Entre Kun Pengs, nave com consciência, espadas vivas, um lich altamente poderoso, inúmeros trabalhadores com linhagens insanas, dois soberanos, algum trabalhador desconhecido prestes a descobrir seu Dao ou algo assim, ele mesmo e tantas outras pessoas anormais vivendo no Pouso… quase se sentia mal por qualquer um que ousasse se colocar como inimigo deles.

Milhares deles pareciam ultrapassar seu nível de poder. Cara, Lex mesmo já era capaz de lutar contra Imortais do Paraíso, e tinha a sensação de que o poder de Pequeno Blue não se limitava às regiões como os cultivadores normais, cujo poder só alcançava seu reino.

Lutar acima do próprio nível não deveria ser tão comum, mas aqui no Pouso isso era quase padrão. Ainda assim, isso não o fazia se sentir seguro, não. Na verdade, só o levava a pensar em todas as organizações poderosas que controlavam um Reino Maior, se não vários. Com todos os recursos deles, sem falar na quantidade de tempo que existiam, Lex não podia evitar imaginar quantos Imortais poderosos eles tinham reunido ao longo dos anos.

Mesmo que treinassem apenas um Imortal capaz de lutar acima de seu nível a cada dez mil anos, considerando que existiam há milhões, quiçá bilhões de anos…

Lex franzia a testa. Não era como se estivesse numa competição e tentasse superá-la. Ele só queria entender a escala de poder do universo. A única barreira real que sentia como insuperável era a entre um Senhor do Dao e um Imortal.

Isso provavelmente significava que todos os verdadeiros elites do universo — aqueles que ainda não eram Senhores do Dao — estavam provavelmente no ápice do reino Celestial. Era provável que só ao atingir esse nível, ele encontraria outros que quebravam as normas com a mesma frequência que ele, e aí poderia realmente testar o quão especial era entre os elites do universo.

Um dos motivos pelos quais Lex se perdeu em sua introspecção foi o ataque devastador de Pequeno Blue. Ele nem tinha ideia de como aquilo funcionava ou do que realmente havia acontecido. Mas, ao pensar se seria capaz de resistir a algo assim, seus instintos lhe diziam que sim.

Não era algo que ele quisesse testar, ao menos aqui no Abaddon, mas isso reforçava o quão anormal Lex era, mesmo comparado a todos no Pouso. Porém, quanto mais pensava assim, mais precisava se lembrar de que o universo era um lugar vasto, e que, assim que se deixasse levar pela arrogância, alguém iria colocá-lo no seu lugar.

De novo e de novo, ele precisava se lembrar de não ficar excessivamente confiante. Considerando que lidava com poderes muito além de seu nível, um único erro seria suficiente para estragar tudo.

"Certo, já chega por aqui," disse Lex, olhando ao redor. Estavam atravessando enormes geleiras, o que tornava super fácil criar uma cachoeira — embora também pudessem fazer isso mesmo sem haver água alguma por perto.

Lex ativou o castelo, e os mercenários entraram enquanto a equipe do Pouso saía de sua forma de mecha.

Todos recuaram para dentro do castelo, incluindo Lex, que encontrou um quarto e se sentou em uma postura meditativa.

Clone não era realmente a sua praia, mas, se se esforçasse, ainda poderia criar um clone temporário com poderes razoáveis.

O motivo de enviar um clone era porque Kaemon tinha deixado claro para Lex que nem ele, nem os outros, viriam a explorar ruínas tão cedo, a não ser que fosse impossível encontrar o cálice sem fazê-lo.

O peso do conhecimento que haviam adquirido, nas próprias palavras dele, era uma carga constante que não conseguiam superar nem se acostumar.

Lex, que era constantemente atormentado pelo odor a que Jack estivera exposto, podia compreender seus sentimentos.

Normalmente, enviar um clone para longe da visão do grupo resultava nele sendo teleportado para outro lugar completamente diferente. Mas esse conjunto de ruínas era especial, já que a entrada ficava sempre atrás de uma cachoeira, então, teoricamente, Lex não deveria acabar em outro lugar.

O clone de Lex saiu do quarto e foi até o portão, onde Kaemon o aguardava.

"Pronto?" perguntou.

"Sim. Se tudo correr bem, vou conseguir entender melhor como funciona o Abaddon. Talvez isso nos ajude a encontrar o Cálice mais cedo."

"Espero que sua teoria esteja certa. Ao mesmo tempo, sinto um pouco por você. O preço do conhecimento não é tão fácil de pagar na Toca dos Segredos."

Lex apenas assentiu. Não adiantava discutir mais sobre isso.

Os dois partiram, e poucas milhas adiante do castelo Kaemon decidiu que aquele seria um bom ponto. Rapidamente, eles abriram caminho no gelo, formando uma cachoeira de cerca de trinta metros de altura, levando a um pequeno lago. Atrás da queda d’água, Kaemon escavou um leito de rio na geleira, começando de outro lago gigante que ele encheu com gelo derretido.

Em poucos minutos, foi criado um rio corrente, levando a uma cachoeira. Kaemon continuaria mantendo a passagem de água enquanto o clone de Lex estivesse lá. Quem saberia o que aconteceria às ruínas se a água desaparecesse? Ninguém. Por isso, melhor não correr riscos.

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