O Estalajadeiro

Capítulo 1630

O Estalajadeiro

Seu esclarecimento não durou muito, relativamente falando, e em apenas alguns dias Lex acordou de sua conexão. Quanto mais ele aprendia sobre o Karma, mais apreciava o quão profundo e imprevisível esse campo era.

Mesmo que a definição de Karma bom e ruim pudesse ser reduzida ao que era bom ou ruim para o universo, Lex não achava que isso era tudo. Afinal, se o foco do Karma fosse simplesmente promover o crescimento do universo, por que poderia ser usado para causar danos terríveis?

Por que seu desequilíbrio de Karma ameaçava sua existência? Por que os Senhores do Dao ainda não tinham certeza de sua profundidade?

Ele teve a sorte de ainda haver muitas coisas que não compreendia sobre o Karma, o que significava que ainda havia caminhos para ele explorar. Mas se algum dia chegasse a um ponto em que não tivesse mais perguntas, precisaria se lembrar de manter a humildade e aprofundar sua pesquisa nesse campo.

Depois disso, ele decidiu verificar a Hospedaria. A cerimônia de premiação dos Jogos da Meia-Noite ainda estava acontecendo, pois muitas forças ainda estavam se cultivando. Parecia que elas haviam obtido muito mais da névoa do que Lex.

Porém, também era verdade que foi após a exposição àquela névoa — e ao vê-la novamente — que ele também teve seu próprio insight sobre o Karma. Talvez o propósito da névoa fosse ajudar na iluminação.

O que aconteceu foi que a maioria dos convidados já tinha partido. Como os prêmios não seriam anunciados publicamente, não fazia sentido esperar por eles de qualquer jeito.

Eles ficaram tempo suficiente para ver que a Hospedaria começava uma nova fase de serviços completamente voltados para os mortais. Muitos dos recursos exclusivos da Hospedaria foram diluídos e utilizados para criar oportunidades e serviços capazes de literalmente mudar a vida da maioria dos mortais.

O que Lex apreciava, porém, era que esses serviços não ficariam disponíveis o tempo todo. Os serviços mais exigentes em recursos só estariam acessíveis em períodos curtos, de seis meses, um ano, cinco anos ou uma década, dependendo do caso.

Ele precisaria investigar com mais detalhes.

Quando percebeu que não havia uma emergência aguardando sua atenção, finalmente voltou a focar na sua própria situação. Ainda estava de pé, a meio caminho de uma colina, envolto em névoa, sem conseguir enxergar nada além da névoa.

Não podia perceber nenhuma aura, nem sentir a localização de Fenrir, ou encontrar vestígios das três pessoas desaparecidas. Honestamente, nem tinha certeza se elas tinham vindo até ali para começar. Mas Lex não ia se virar e fugir sem ao menos procurar a área.

Ao fazer isso, assim que levantou a perna para dar um passo à frente, seu corpo congelou. Ele não foi prensado por uma aura poderosa. Tampouco sentiu algo que o restringisse. Lex simplesmente ficou imóvel.

Uma figura surgiu da névoa diante dele, sua aparência um borrão na mente de Lex, e olhou para ele por um momento.

"Você tem um Karma bastante notável para alguém tão jovem… e fraco", uma voz feminina falou na cabeça de Lex, comentando sobre ele como se pudesse ler toda a sua vida com um simples olhar.

"É uma conquista considerável, admito. Se continuar nesse ritmo, vai acabar morrendo de maneira espetacular, uma morte terrível, ou se tornando uma figura bastante conhecida no universo. Você mesmo pode imaginar qual dessas opções é a mais provável."

Lex não conseguiu responder. Só conseguiu ouvir. O problema... não era que ele não fosse capaz de fazer algo. Ele até poderia tentar vários meios para se libertar se estivesse sob algum tipo de restrição.

O problema real era o fato de que não havia restrição alguma. Na verdade, parecia que ele tinha perdido completamente a capacidade de sequer imaginar fazer algo, a não ser existir no estado em que já se encontrava. Como se seu espírito tivesse sido paralizado, sem que sua capacidade de entender novas informações fosse prejudicada.

"Fui designada para lidar com você, o que, felizmente para você, não inclui acabar com sua existência. Então, agora, vou te passar algumas informações, e você irá agir conforme elas, e isso será tudo."

"Aqueles que vocês chamam de Pequeno Azul foram convocados aqui, não por motivos prejudiciais, mas somente para herdar a herança de sua raça. Os que o acompanharam também foram recompensados apropriadamente, mesmo que só por acompanhá-lo. Como reconhecimento pela sua lealdade genuína e pelo progresso no caminho de cultivo do universo, sua demonstração de desrespeito anterior foi perdoada, e você recebeu a oportunidade de fazer uma única pergunta, que será respondida dentro do seu limite de compreensão."

"Escolha sua pergunta com sabedoria, pois só poderá fazer uma. Assim que obter sua resposta, será teleportado de volta à sua taberna, onde deverá esperar até que o Pequeno Azul receba toda a herança. Só após seu retorno é que você poderá partir. Ah, e também não poderá mais voltar à floresta interna."

Com seu breve discurso concluído, a figura borrada devolveu as capacidades mentais de Lex, permitindo que ele pudesse colocar o pé no chão e pensar cuidadosamente sobre o que queria perguntar. Havia muitas questões que despertavam sua curiosidade — segredos da floresta, de Abaddon, sobre o Pequeno Azul, ou quanto tempo levaria a transferência da herança.

Mas ele não falou de forma impulsiva, nem escolheu sua pergunta de qualquer jeito. Este era um momento crucial, e ele precisava tirar o máximo proveito dele.

Ele revisou tudo o que a entidade lhe tinha dito, tudo o que experimentara na jornada até aqui, e tudo que sabia sobre a floresta, para montar cuidadosamente uma lista de tópicos e informações que a figura poderia conhecer, e do que mais se beneficiaria em saber.

O problema era… ele nem mesmo sabia quais tópicos a figura poderia responder. Tinha que adivinhar o que ela poderia ou não saber, e então decidir qual seria a pergunta mais importante ou benéfica para ele nesse momento.

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