O Estalajadeiro

Capítulo 809

O Estalajadeiro

Aoi e suas companheiras todas pararam, suas olhares fixos na face hipnotizante da-lótus branca. As pétalas eram maiores do que as de uma lotus comum, espalhando-se mais longe umas das outras e parecendo ainda mais belas. Mas, ao mesmo tempo, o preço daquela beleza era uma fragilidade quase palpável.

Só de olhar para ela já dava para perceber que a Lotus estava à beira de se desfazer, e que só sobrevivia por estar selada naquela esfera.

As peculiaridades da lotus iam além disso. Sua textura, a espessura — ou melhor, a delicadeza — de cada pétala, os estames esguios, tudo era diferente do que normalmente se via. Havia uma razão simples para isso: Lex tinha pedido especificamente à Tartaruga Soberana que criasse uma nova variedade de Lotus para ele, uma que fosse ao mesmo tempo hipnotizante e incrivelmente delicada.

A tartaruga cumpriu admiravelmente, pois isso era algo até simples demais para ela.

Porém, pela primeira vez, a tartaruga havia pedido uma recompensa de alguém — uma única gota de sangue de dragão. Como Lex tinha aparecido na frente da tartaruga como Leo, ele não conseguiu discernir como ou por quê a tartaruga sabia que ele tinha sangue de dragão, mas aceitou. Claro que Lex não era capaz de perfurar a pele de um dragão para extrair sangue. Em vez disso, usou o sangue que coletara na piscina onde Fenrir tinha nadado.

Depois, soube que aquela gota de sangue foi usada para cuidar do Pequeno Azul. Aparentemente, ele estava despertando como uma Besta e evoluindo bem no seu caminho.

De qualquer forma, essa lotus era apenas mais um item que Lex havia preparado para garantir seu sucesso nesta missão.

Aoi Haruki ficou um pouco confusa com a afirmação de Lex de que ela estava salvando uma emoção que só poderia ser capturada por poesia, mas ela conseguiu perceber a emoção geralmente positiva que ele tentou transmitir, o que já foi suficiente para ela. Antes que pudesse aprofundar-se nisso, ele lhe entregou uma espécie de flor que ela nunca tinha visto antes, pegando-a desprevenida.

Com o seu nível de conhecimento, era muito difícil encontrar uma planta que ela desconhecesse completamente.

Além disso, ela também era extremamente bonita, o que a encantou de uma maneira que só plantas conseguem fazer.

"De onde você conseguiu essa lotus? Como ela chama?" ela perguntou, sem tirar os olhos da flor.

Sorrindo satisfeito com a curiosidade genuína dela, Lex respondeu: "Estava viajando pelo mato quando senti um terremoto. A tremedeira destruiu parte do terreno, e foi lá que descobri um pequeno ambiente escondido cheio de tais lotuses. Mas, expostos ao ar fresco, eles morriam rapidamente. Consegui salvar apenas uma."

"Acho que seria uma pena uma planta assim morrer sem que alguém a admirasse."

Enquanto Aoi olhava para a flor, Lex a observava fixamente. Quem estivesse olhando para ele poderia pensar que Lex a admirava, quase como se estivesse a perseguindo. E era exatamente assim que Lex queria que parecesse, mas, na verdade, seu verdadeiro alvo nunca foi Aoi desde o começo!

Perto de Aoi, havia uma garota elfa que parecia comum. Claro, mesmo uma elfa comum era incrivelmente linda pelos padrões humanos.

Ela também estava olhando para a lotus, como todo mundo, mas parecia um pouco distraída.

"Que tipo de poema pode expressar uma Rosa de Sangue?" ela murmurou, sem realmente esperar uma resposta. Mas Lex, que estava esperando justamente por isso, não podia deixar passar.

Desde o começo, tudo o que ele fez tinha o objetivo de chamar atenção daquela garota. Ele não gostava de agir assim, mas diziam que a melhor maneira de atrair uma garota era focando na melhor amiga dela.

Como um eterno solteirão, Lex nunca usaria essas táticas de verdade para conquistar alguém, mas, nesta ocasião, ele achou que podia. Afinal, ele não estava realmente machucando ninguém.

A Rosa de Sangue é uma flor peculiar e sinistra que muitos evitam usar, mesmo que ofereça alguns benefícios medicinais modestos. Isso porque ela só cresce em campos de batalha, após o combate terminar. Além disso, não cresce no solo, mas em cadáveres.

Ela permanece escondida no corpo até atingir um tamanho suficiente, momento em que explode da pele, emergindo do coração da vítima! O mais estranho é que a rosa é na verdade branca, mas isso só se revela se ela for lavada. Caso contrário, ela assume a cor do sangue do cadáver de onde se originou.

Sem sequer olhar para a elfa que perguntou sobre o poema, Lex começou a recitar o que havia preparado.

"Um olhar se transforma em olhar entre dois olhos,

Uma convivência vira amizade, mas não paixão,

Um destino separou duas almas para sempre.

Uma obrigação me trouxe às armas e a uma batalha distante,

Um golpe me deixou de joelhos, sem esperança de amanhã,

Uma vida que não pude te oferecer, mas será que a morte basta, pergunto eu?

Uma rosa do coração, para o amante que nunca pôde ser amante."

Sua voz era baixa, diferente de quando conversava com Aoi, e ele recitou as linhas como se as estivesse lendo de algo gravado em sua memória. Só depois de terminar o poema é que pareceu despertar de seu devaneio e virou-se para olhar para a elfa que lhe fizera a pergunta.

Era para ser apenas um olhar, mas, assim como o poema, ele capturou o olhar dela, transformando-se em uma troca de olhares entre os dois.

Lex engoliu em seco. Ele deveria estar só atuando — por que as coisas ficaram tão intensas?

"Desculpe minha poesia tosca, não sou muito bom nisso," disse Lex, sentindo-se genuinamente envergonhado. O poema tinha sido escrito por ele mesmo, e, embora parecesse contar a história de um soldado moribundo, seu verdadeiro objetivo era provocar uma certa reação na pessoa que ele visava. Independentemente da sua própria awkwardness e vergonha, tudo parecia ter funcionado.

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