
Capítulo 755
O Estalajadeiro
Lex espalhou seu sentido espiritual pelo corredor escuro em que havia entrado, tentando entender sua disposição e detectar quaisquer Frigals nas proximidades. Uma das considerações mais importantes durante esse período era o quão perigosa seria essa aventura em particular.
Surpreendentemente, até agora, ele não tinha enfrentado nenhum desafio significativo, embora Fenrir pudesse ser creditado por grande parte disso. Seus instintos também não lhe alertavam de nenhum perigo avassalador à esquina. Para ficar claro, havia perigos suficientes por aí. Se Lex não tomasse cuidado, poderia ser cercado por inúmeros Frigals, sem falar naqueles com quem estavam lutando.
Porém, o planeta de três estrelas em que se encontrava mostrava uma ausência surpreendente de imortais, que eram a maior ameaça a Lex. Talvez eles não fossem tão comuns quanto ele tinha imaginado, e seus encontros frequentes com eles pudessem ser atribuídos a uma probabilidade distorcida de enfrentá-los, devido às circunstâncias incomuns que enfrentava.
Ele fez uma anotação mental para pesquisar mais sobre isso quando voltasse. Considerando o fato de que encontrava Imortais da Terra com tanta frequência no Reino de Cristal, e via tantos imortais vindo ao seu Pouso, Lex pensava que haveria imortais em qualquer lugar com energia espiritual suficiente, mas talvez isso não fosse verdade. Talvez a tribulação também influenciasse na ausência deles.
Mas, a coisa mais importante era que, apesar de o Poder dos Dragões estar muito mais forte agora, os instintos de Lex ainda não lhe alertavam de qualquer perigo mortal. Na verdade, o veneno em Polebitvy era cerca de um milhão de vezes mais perigoso do que qualquer coisa que ele estivesse sentindo no momento.
Claro que também havia a possibilidade de seus instintos estarem falhando dele, ou de não conseguirem detectar um certo tipo de ameaça, como aquelas envolvendo sistemas. Lex ainda precisava ser cauteloso.
Sem conseguir decifrar o labirinto ridiculamente grande que era o interior do castelo, Lex decidiu usar seus instintos para buscar algum indicador promissor. Seus instintos não podiam dizer diretamente para onde ir para cumprir seu propósito, mas apontaram na direção do item mais próximo que pudesse ser considerado um tesouro.
"Qual caminho devo seguir?" perguntou Lex a Fenrir, só por precaução, caso o filhote tivesse outras habilidades desconhecidas por ele, mas o filhote apenas balançou a cabeça. O Poder dos Dragões afetava-o muito mais do que a Lex, e o deixava agitado. Seu temperamento geral era bastante amigável e tranquilo, pelo menos na presença de quem confiava, mas ainda se sentia desafiado e agressivo.
Era como se o próprio sangue em suas veias estivesse irritado por um dragão ousar exibir seu poder na presença de Fenrir.
Infelizmente, por mais nobre que fosse o instinto em seu corpo, ele não era nem de longe tão forte quanto o dragão. Pelo menos o dragão nasceu no reino dos imortais — Fenrir, apesar de seu sangue nobre, tinha nascido mortal.
Esse pensamento fez Lex pausar. Fenrir deveria ter uma posição muito alta na Escala de Ascensão Cósmica, então por que sua cultivação ao nascer era tão baixa? Por que ainda não conseguia falar, mesmo que só por sentido espiritual? Os mistérios envolvendo o filhote eram muitos, mas no momento não era hora de refletir sobre eles.
Sem outro caminho evidente, Lex decidiu seguir na direção do tesouro mais próximo. O corredor, assim como a cidade de Frigals, era ricamente decorado em cada centímetro de seu percurso.
Pedras preciosas foram usadas para dar cor às esculturas nas paredes, mesmo que ninguém pudesse ver essas cores na escuridão, e pedras espirituais estavam embutidas periodicamente, mantendo a energia ambiente do castelo elevada.
Lex tinha a sensação de estar diante de algo que não conhecia, pois não havia formações encantadas ativas ou uma disposição de salas ou corredores que se unissem formando um grande símbolo, como em Valesco, mas, quanto mais ele avançava no castelo, mais impressionante ele parecia. A energia espiritual era a menor das coisas.
Parecia que a cada passo, ele estava caminhando na manifestação física da própria história.
Incontáveis seres de importância extraordinária já passaram por esses corredores, e decisões que poderiam balançar mundos foram tomadas em praticamente todas as salas. Embora Lex não tivesse informações suficientes para julgar, arriscou-se a pensar que talvez a influência do dragão, cuja morada ele estava percorrendo, fosse maior do que imaginava inicialmente.
Talvez o dragão ocupasse uma posição de grande destaque nesta galáxia, mas informações desse nível não seriam facilmente acessíveis pelo portal de Henali.
Para um portal tão imenso que deveria abranger boa parte do reino explorado, ele era surpreendentemente rigorosamente monitorado e controlado.
Além disso, agora que Lex conhecia muito mais sobre o universo, o tamanho do Reino de Origem o surpreendia bastante. Afinal, muito antes de Lex descobrir o conceito de reinos, ele assumia que o Reino de Origem era todo o universo. Foi então que ele conheceu o conceito de “universo conhecido”, que agora deveria ser chamado de “reino conhecido”.
Isto porque uma grande parte até mesmo do Reino de Origem permanecia inexplorada.
Lex não sabia se esse termo incluía também os Henali ou se eles realmente haviam explorado todo o reino, mas tinha certeza de que, pelo menos, os demônios ainda não haviam completado a exploração total.
De repente, Lex parou e franziu a testa. Notou algo estranho. Sentia uma introspecção muito maior do que o normal, e seus pensamentos pareciam ficar cada vez mais aleatórios. Por que estava pensando no Reino de Origem enquanto explorava um castelo potencialmente perigoso?
Algo estava influenciando-o silenciosamente, e ele sequer havia percebido! Quando exatamente isso começou? Foi quando entrou neste planeta pela primeira vez ou só começou após resistir à pressão do Poder dos Dragões?