O Estalajadeiro

Capítulo 723

O Estalajadeiro

Não demorou muito para Lex encontrar seu caminho até o forte que atuava como um campo de refugiados. Ele estava meio esperando encontrá-lo destruído, e a região ao redor mergulhada na guerra. Afinal, quando foi que ele alguma vez deparou com algo que fosse simples? Além disso, com o longo silêncio de Alexander e seu dispositivo de comunicação inoperante, uma guerra global planetária era a única suposição lógica, certo?

Porém, nenhuma tal situação estava acontecendo. O forte funcionava normalmente, e quando tentou entrar, não recebeu atenção extra. Afinal, sua atitude relaxada e aparência “limpa” tinham atraído atenção suficiente na última vez para deixar uma impressão.

Ele nem sequer foi secretamente seguido ao entrar no forte! Espalhando sua percepção espiritual com cuidado, ouviu as conversas ao seu redor para entender qual era a situação atual.

A situação não era exatamente ideal, já que ainda havia guerra, mas não tinha nada de fora do comum. Fernando, o líder rebelde que Alexander queria investigar, mais uma vez liderara um ataque bastante bem-sucedido contra uma das guarnições locais, fortalecendo sua própria posição enquanto enfraquecia os governos oficiais.

Enquanto estava ali, Lex considerou tentar a investigação novamente. Claro, seu traje “furtivo” que ele mesmo fabricara após seu traje defensivo provavelmente não o esconderia de cultivadores de alto nível, mas estava disposto a tentar. Aprender uma técnica de furtividade adequada ainda fazia parte de seus planos.

Decidiu tentar investigar naquela mesma noite. Além disso, estava curioso para saber se os rebeldes conheciam os perigos ocultos sob as muralhas deles. Talvez fosse uma medida de segurança que eles planejavam caso o forte fosse tomado algum dia.

Voltando à mesma taverna onde estava hospedado anteriormente, decidiu pedir uma refeição enquanto esperava.

Lex parecia completamente casual, como se ainda estivesse se acostumando a seu novo reino e não tivesse intenção de se envolver na guerra. Reconheceu alguns rostos familiares de quando havia ficado lá antes e começou a colocar a conversa em dia. Mantendo a identidade e as relações sob sigilo, pois nunca se sabe quando podem ser úteis.

Algumas horas depois, enquanto a noite se aproximava do fim, Lex estava sentado a uma mesa com um grupo de moradores locais, jogando cartas. Era uma atividade divertida e relaxante, e ao mesmo tempo, poderia ser considerado uma “missão”. Que situação mais perfeita, não?

Tudo parecia normal, até que Lex sentiu algo estranho. Não apenas seus instintos perceberam uma anomalia, mas a própria energia dentro dele também se manifestou.

A nova técnica de cultivo sem nome havia explicado sua afinidade existente, e agora ele sabia que, além da afinidade por “espaço”, ele também podia interagir de alguma forma com as leis. Isso não significava que ele tinha afinidade com todas as leis, apenas que adquirira a capacidade de interagir com elas até certo ponto.

Essa já era uma habilidade tremenda, pois algo assim só deveria acontecer quando ele realmente se tornasse um imortal. Ao mesmo tempo, o que podia fazer com ela ainda era bastante limitado e situacional.

Porém, como aconteceu, Lex se deparou exatamente com uma situação onde sua afinidade foi ativada. Leis não eram raras, existiam por todos os cantos do universo, pelo que Lex tinha entendido. Ele não tinha muita clareza sobre quando ou como seria capaz de interagir com elas, mas certamente não com as leis embutidas nas fibras do universo que encontrava todos os dias.

Contudo, naquele momento, ele identificou uma anomalia nas leis ao seu redor. Foi aquela perturbação que sentiu, usando sua afinidade, que estava fraca e alertando seus instintos.

Ele olhou na direção de uma das paredes da taverna. Nada parecia estar acontecendo ali, mas, ao mesmo tempo, atrás da parede naquela direção, a uma curta distância, duas pessoas apareceram.

Uma delas segurava um clipboard e anotava algo, enquanto a outra sorria e conversava de forma casual com ele. Não estavam fazendo nada de estranho, e Lex não conseguiu detectá-los completamente.

Mas seus instintos certamente captaram algo, e a sensação era bastante ominosa. Ele franziu o cenho, colocou as cartas de lado. Todos na mesa o olharam curiosos, querendo entender o que ele estava fazendo, mas Lex não se importou.

"Algo está errado", avisou calmamente, antes de se levantar rapidamente. O retorno de seus instintos foi incomum, e ele não conseguiu decidir se era perigo ou algo mais que ele estava sentindo. Decidiu investigar com cautela.


No espaço, acima do planeta Polebitvy, Jeffery estava de pé dentro de uma pequena nave invisível. Com um sorriso largo, olhava para o planeta, e tudo o que via fazia-o se sentir ainda mais feliz. Ele queria sorrir ainda mais, mas seu rosto estava fisicamente limitado a isso!

De repente, seu rosto se distorceu, e o sorriso se alargou ainda mais enquanto seus lábios caíam de seu rosto. Mas, instantaneamente, ele voltou ao normal e começou a bater no rosto, certificando-se de que estava tudo bem.

Ele ainda não podia abrir mão de sua identidade humana, e cada vez que se disfarçava, era um esforço enorme, então precisava se controlar.

"Ah, a arrogância dos poderosos. Adoro aproveitar isso", falou para ninguém em específico. Então, com uma expressão de relutância, virou-se de costas. Por mais que quisesse continuar assistindo, as coisas estavam prestes a ficar complicadas. Ele tinha que deixar essa galáxia antes que alguém o rastreasse.

"Os VIPs estão no lugar. Entreguem o presente de boas-vindas", continuou falando, embora ninguém mais estivesse na nave com ele.

Alguns minutos depois, a nave teleportou-se para longe. Ao mesmo tempo, um dos barris de Madeira do Vazio escondidos sob a muralha do forte também se rompeu.

"Droga!" Lex não conseguiu evitar xingar, pois seus instintos gritaram morte. Teleportar de volta para a pousada, ironicamente, não foi rápido o suficiente, já que seu retorno sempre era mais lento do que o dos convidados. Usando toda sua força, e um pouco mais, Lex saiu correndo na direção oposta à muralha.

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