
Capítulo 346
O Estalajadeiro
Lex já tinha visto o inferno da batalha, mas aquilo era um tipo de caos que ele nunca tinha presenciado antes. Se ao menos tudo tivesse acabado com uma criança chorando e outra vomitando, não teria sido tão ruim. Mas, como se fosse inspirado pelo primeiro garoto, todas as crianças ao redor começaram a chorar. Alguns que ainda estavam lá fora, e ainda não tinham entrado na taverna, também começaram a chorar.
Porém, o choro era independente das corridas, pois elas continuavam a fazer as duas ações separadamente. Mesmo as crianças que vomitavam começavam a chorar e correr, deixando rastros pelo chão.
"George, faz eles pararem!", gritou uma mulher de fora.
"Estou tentando!", respondeu o homem que conversava com Lex. Mas, entre cuidar do ferimento de uma criança e bater nas costas de outra, tentando acalmá-las, ele não conseguia alcançar a que fugia, deixando um rastro pelo salão.
As adolescentes correram atrás da que fugia, mas ela parecia habilidosa em desviar, navegando pelo salão como se fosse um campo de batalha, escapando por pouco da captura.
Mas nem tudo estava perdido, pois, no instante exato antes da mãe desabar, como angeis enviados do céu para salvar, os trigêmeos entraram em ação. Com uma mão treinada, Naki agarrou a orelha da especialista em evasão, embora não tenha puxado, usando apenas como ameaça para mantê-la no lugar.
Nami usou um guardanapo para cobrir o nariz sangrando do menino ferido e começou a elogiá-lo por sua coragem. Nani passou a mão fria pelo pescoço da criança chorando e fez uma massagem. A mão fria chamou a atenção da criança, e a massagem acalmou-a.
Mostrando a habilidade de irmãs com muitos irmãos, elas pacificaram o furacão até que se tornasse uma brisa suave.
"Só temos dois quartos disponíveis", informou Lex ao homem exausto.
Antes mesmo de responder a Lex, ele olhou na direção da saída e gritou: "Duas famílias descem! Os demais, continuem procurando."
Ele esperou um momento pela confirmação, antes de se virar para Lex e começar a listar suas solicitações.
"Vamos precisar de colchões em ambos os quartos, além de cobertores e travesseiros extras. Também um banho quente, se tiver, e comida, para 16 pessoas. Ainda, se puderem enviar alguém que seja médico, alguns de nós estamos feridos. E se tiver alguém para carregar as malas. Vamos ficar com a comida nos nossos quartos. E, por favor, envie alguém para trazer notícias."
"Estamos na floresta há tempo demais."
O homem fez uma pausa, como se estivesse questionando se tinha esquecido de algo, e então perguntou: "Ah, e quanto fica por noite nos quartos?"
"1 MP por noite", respondeu Lex, o que o pegou de surpresa.
"Isso é um pouco caro pra uma taverna, não? Você está aproveitando que está escuro lá fora? Sabe, isso é ilegal. Se eu denunciar, você pode se complicar."
"Esse é o preço, esteja claro ou escuro. Nossos valores são fixos, nunca mudam."
O homem ficou cético, mas não podia correr o risco de perder esses quartos, então simplesmente concordou.
Lex encarregou seus últimos funcionários, os malfeitores que estavam causando confusão na taverna, de levar todas as malas até os dois últimos quartos restantes, que por acaso ficavam no andar mais alto. Betty começou a preparar as refeições para as novas famílias, e Lex enviou Rick à procura de um médico, além de Roland para trazer as últimas notícias.
Lex mesmo se retirou temporariamente para seu próprio quarto, pois tinha algo indescritivelmente importante a fazer.
"Mary, precisamos abrir um berçário", disse Lex com muita seriedade.
"O quê?", ela perguntou, confusa. Estava ocupada com outras coisas, e levou um momento para entender o que Lex tinha acabado de dizer.
"Um berçário? Por quê?"
"Confie em mim, é urgente. É prioridade agora. Quero que toda a equipe de planejamento se reúna para criar um espaço para crianças. Faça com que o espaço considere diferentes faixas de idades e ofereça uma variedade grande de atividades."
"Na verdade, quero que você trabalhe junto com eles também. Você conhece minha autoridade e tudo que posso fazer agora, então aproveite ao máximo essa vantagem na hora de planejar. Faça com que, além de cuidarmos das crianças, ajudemos elas de alguma forma."
"Se precisar criar áreas diferentes para diferentes raças, tudo bem, mas quero que seja excelente. Podemos até usar alguns desses coelhos que trabalham na estufa como cuidadores, eles parecem bem amigáveis."
"Me dê um update quando tiver alguma novidade."
"Claro", ela respondeu, ainda confusa com o comportamento de Lex.
Só depois de confirmar, Lex permitiu-se relaxar. Sim, a ideia da taverna tinha sido boa. Ela já estava lhe abrindo novos horizontes e seria uma ótima experiência para entender melhor os detalhes da hospitalidade.
Pensou em voltar para o salão, mas tremeu e decidiu cultivar ao invés disso. Recentemente, tinha descoberto uma nova forma de cultivar que acelerava o processo.
Quando treinava Qi, aplicava um óleo especial em todo o corpo para ajudar na cultivação. Para o reino Fundação, ele criou um método próprio.
Foi ao banheiro ligado ao quarto que preparou para si, e se aproximou da banheira. Invocou uma garrafa de chá gelado, caro, e começou a despejar na banheira. Uma garrafa custava 150 MP, um preço exorbitante para um cultivador comum do reino Fundação.
Porém, valia a pena pela riqueza de energia espiritual no chá, que era extremamente fácil de absorver. Como cultivador do caminho verdadeiro, as necessidades de energia de Lex eram bem maiores, então os benefícios de beber o chá não eram tão perceptíveis. Por isso, planejava se submergir nele e cultivar. Teoricamente, isso devia acelerar sua cultivação.
Ele gastou quase 23.000 MP até encher completamente a banheira. Rápido, se despiu e mergulhou, pensando que, se o chá aquecesse, perderia parte de seus efeitos.
Fechou os olhos e começou a cultivar. Tomara que funcionasse, ou teria que usar algo ainda mais caro.
A cidade de Babilônia, como muitas outras, possuía uma formação extremamente avançada para iluminá-la toda ao cair da noite. Manter e proteger essa formação era crucial, pois ela estava diretamente ligada à sobrevivência da cidade. Afinal, períodos de escuridão podiam durar de alguns dias a semanas, meses ou até anos.
A formação iluminava não só a muralha de proteção e o farol próximo ao porto, mas todas as ruas, prédios e demais áreas internas da cidade. Era tão extensa que, na prática, a cidade permanecia tão bem iluminada na escuridão quanto na luz do dia.
Somente ao olhar para o céu vazio lembravam que ainda era noite e que perigos estavam por toda parte. Tais preparativos minuciosos eram essenciais, mesmo assim, para garantir a sobrevivência da cidade. Embora estivesse cheia de cultivadores, se dependessem só deles, a cidade sobreviveria no máximo uma semana antes que os inimigos se tornassem muito poderosos.
Não que a cidade fosse totalmente destruída nesse prazo, mas a maioria das pessoas fracas, relativamente falando, provavelmente morreria.
Esse prazo era algo que já havia sido testado e comprovado ao longo de milhares de anos, então todos conheciam bem. Agora, já tinham passado alguns dias desde que a escuridão caiu, e já se aproximava de uma semana. Quanto mais tempo isso continuasse, mais severas e rigorosas ficariam as medidas de proteção e monitoramento da formação.
Porém, mesmo a proteção mais forte só era tão sólida quanto sua parte mais fraca. O assassino serial, que estava sentado sobre um monte de cadáveres, lia um documento que detalhava toda a formação de luz e suas áreas mais vulneráveis que precisariam de proteção extra.
Era natural que uma de suas vítimas tivesse um documento assim, pois ele era o vice-chefe dos patrulheiros em Babilônia. Sua busca pelo assassino era incessante, então o assassino decidiu fazer-lhe uma visita.
Desta vez, porém, ele matou usando veneno. Não tinha escolha, os alvos desta vez eram fortes demais para confrontar de frente. O fato de ter conseguido uma toxina potente suficiente para lidar com o vice-chefe mostrava sua esperteza.
Mas, enquanto preenchia sua cota de mortes do dia, não poder sentir o gosto de carne viva ou o sangue de suas vítimas o deixava insatisfeito. Afinal, ele era louco, mas não idiota. Não iria beber sangue envenenado.
Porém, sua sede de sangue não tinha sido satisfeita, e isso o deixou de mau humor. Mas tudo bem, pois aquele documento lhe tinha dado uma nova ideia. Estava gostando dessa escuridão, e queria mais dela.