
Capítulo 151
O Estalajadeiro
Alexander e suas tropas se reagrujaram enquanto os Jotuns eliminavam os zumbis. Além de Alexander, que estava simplesmente cansado, todas as suas tropas pareciam derrotadas e machucadas. Não que fossem fracas ou inexperientes. Seus equipamentos simplesmente não correspondiam ao padrão dos Jotuns, e suas técnicas, embora engenhosas, não tinham a mesma eficiência de energia espiritual.
Mas, apesar de tudo isso, Alexander estava bastante satisfeito. Aquele tinha sido um combate rápido, após uma longa perseguição, o que lhes deu pouco ou nenhum tempo para se prepararem. Quando atacassem a horda principal de zumbis, estariam melhor preparados. A única coisa de que Alexander se arrependeu, além de ter perdido alguns soldados, foi por não terem conseguido atacar Pramod. Claramente, ele escapara com o outro grupo de zumbis.
Por agora, ele já se juntara à horda principal.
Assim que o último zumbi foi finalmente morto, Alexander ordenou que seus soldados recuperassem os corpos, para que pudessem entender como haviam morrido, caso fosse algo que pudesse ser evitado. Enquanto isso, Alexandro caminhou em direção ao Crawford-41.
Durante o dia, todos já tinham uma ideia de quem eram os comandantes de cada grupo, por isso Alexander sabia exatamente com quem precisava conversar.
Do outro lado, Crawford-41 olhou para Alexander com uma mistura de diversão e respeito. Apesar de haver aspectos em que eles eram deficientes, essa provavelmente foi uma das melhores performances que ele já tinha visto de alguém pertencente a uma civilização do nível Céu (uma civilização incapaz de sair do seu sistema estelar).
Para não mencionar, a eficiência de ataque deles era muito alta e suas perdas, considerando seus recursos limitados, eram bem pequenas. É por isso que ele nutria respeito. Sua diversão surgiu ao ouvir um relatório dizendo que Alexander na verdade tentou competir com Cara. Não se podia culpar Alexander por não conhecer a família Deathsworn, ele não tinha as devidas informações.
No entanto, considerando as ações loucas e suicidas dos Deathsworn, era raro ver alguém estar em uma situação perigosa o suficiente para competir com eles, quanto mais possuir a mente necessária para competir ao invés de apenas sobreviver.
"Crawford," Alexander reconheceu o jovem, se aproximando dele. Eles tinham, na verdade, idade parecida, sendo Crawford-41 relativamente jovem, na casa dos 20 e poucos anos. Daria para pensar que, com o background do universo, cultivadores já teriam ultrapassado o reino Fundação por volta dos 20 anos, mas isso não era uma regra.
Diferente da Terra, onde foi uma façanha para Alexander ingressar na Fundação em 2 anos, isso não era considerado impossível para o resto do universo. Eles simplesmente não faziam isso, apesar de poderem, porque não havia uma vantagem real em apressar sua cultivação. É uma questão de perspectiva, causada por diferenças de ambiente.
"Se você vai abreviar meu nome, prefiro que me chame de 41," respondeu o homem. "Você enfrentou o demônio de armadura?"
"Tentei interceptá-lo, mas eles desistiram. Ele já deve estar com a maior horda agora."
Crawford-41 franziu a testa. Já tinham falhado em um objetivo, o que não era um bom começo. Então, olhou para o adolescente. O brilho dourado que ele tinha antes tinha desaparecido, e dava para perceber um pouco de cansaço em seus olhos. Técnicamente, eram concorrentes pelo prêmio, mas o objetivo principal ainda era destruir os nós, e esse adolescente já tinha se mostrado útil.
Com tudo isso em mente, Crawford-41 disse: "Você deveria verificar seus soldados. Esses zumbis foram todos infectados com um veneno especial, que torna até o arranhão mais leve fatal."
Alexander fez uma careta e imediatamente passou a notícia adiante. Todos os soldados que haviam sido feridos estavam, na maior parte, sofrendo de traumatismo por força contundente. Aqueles que sofreram arranhões ou mordidas eram os mortos.
Ele precisaria ajustar alguns planos, mas isso ficaria para depois. No momento, seu objetivo ao procurar Crawford-41 era apenas um.
"Não sei se você já sabe disso, mas a maior horda de zumbis é enorme. Estamos em uma desvantagem grave. Não tenho os números exatos, mas variam de trinta a quarenta mil zumbis. Não é uma luta que possamos enfrentar sozinhos, especialmente agora que há um demônio capaz de planejar comandando eles."
Crawford-41 não tinha conhecimento disso, mas franziu levemente a testa antes de sua expressão voltar ao normal.
"Essa é uma informação crucial. Precisamos nos comunicar com outros humanos e feras para planejar um ataque, mas também não podemos perder muito tempo."
"Tenho meios de comunicar com os outros Terráqueos," disse Alexander. "Basta entrarmos em contato com as feras e torcer para que ouçam."
Os dois imediatamente começaram a planejar. Apesar de serem concorrentes, sem a ajuda um do outro, nenhum deles conseguiria. Assim, mais uma hora se passou até que estivessem prontos para o cerco à força principal. O exército de Alexander usou esse tempo para descansar e recuperar sua energia espiritual. Tudo estava progredindo de forma tranquila, ou pelo menos suficiente.
Porém, quando se aproximou a marca de duas horas e todos os exércitos se posicionaram para o ataque, algo semelhante acontecia na Terra.
Zeus Leventis, um descendente da família Leventis de Nova Las Vegas, na lua, estava nervoso dentro de uma nave espacial. Flutuando silenciosamente sobre uma instalação de mineração na face oculta da lua, a nave era uma das várias, cada uma com dezenas de soldados. A maior ironia era que essa missão estava sendo supervisionada por um dos grandes tios de Zeus.
Eles estavam atacando aquela instalação não pelos benefícios que traria, mas para tomar o controle dela das forças que a ocupavam. Era um recurso estratégico, cuja ausência quebraria a economia da lua. Isso era…
Zeus foi despertado de seu devaneio quando os alto-falantes emitiram uma voz decidida dizendo: "Todas as forças, ataque!"
Como se um interruptor tivesse sido ligado, a noite deixou de ser calma e pacífica, tornando-se extremamente caótica imediatamente! Todas as embarcações abriram fogo, não só penetrando na formação do domo de oxigênio ao redor da instalação, mas também nos vários postos avançados. As portas se abriram, e os soldados pularam para fora, com propulsores acelerando sua descida, desacelerados pela gravidade fraca.
O mais louco era que, mesmo com toda a confusão, tudo parecia silencioso de uma forma aterrorizante, devido à ausência de atmosfera. Exceto pelos tremores que podiam ser sentidos na superfície da lua e pelos flashes ocasionais de granadas, não havia nenhuma evidência do caos que acontecia.
Zeus também pulou e seguiu sua equipe na descida. Ele precisava chegar a um computador ainda conectado à rede interplanetária o mais rápido possível. No fundo do coração, ele já sabia que a rede provavelmente tinha sido desligada pelo responsável por essa ofensiva, mas ainda assim, ele esperava. Precisava comunicar-se com Alexander.
Essa era a única esperança de ambos sobreviverem. Mal sabia ele que Alexander nem mesmo estava na Terra de início.
Na Terra, a situação era ao mesmo tempo extremamente caótica e extremamente pacífica. Diversos soldados, posicionados em locais estratégicos, começaram um ataque ao mesmo tempo em todo o mundo. Por alguma razão inusitada, houve pouca ou nenhuma resistência às ações. Barragens, campos de energia solar, reatores nucleares e basicamente qualquer estação de fornecimento de energia mundial foram tomadas e desligadas.
Edifícios governamentais foram invadidos com uma eficiência que parecia impossível.
As poucas ilhas de resistência que podiam ser encontradas pelo mundo eram, na sua maioria, grupos independentes, pegos no lugar errado na hora errada. Mas, rapidamente, também se renderam.
A maioria, se não todas, as instalações de armas nucleares foram tomadas. Todos os submarinos nucleares perderam contato com a superfície.
Antes que os soldados deixados para trás pelos cinco chefes de família pudessem usar suas chaves e relatar a situação, eles foram mortos. A precisão com que cada pessoa leal aos chefes de família, de posse de uma chave de ouro, foi morta, dizia muito.
*****
Em Londres, em uma pequena casa, uma jovem brincava no celular quando, de repente, ela desconectou da internet. Ela reclamou e se levantou para reiniciar seu roteador, mas, de repente, a energia de sua casa foi interrompida.
Confusa com a situação repentina, a menina mal tinha começado a pensar em possíveis motivos — como um fio quebrado no transformador principal ou algo assim — quando uma de suas irmãs mais velhas entrou de repente no quarto.
"Algo está acontecendo. Eu estava ao telefone quando ouvi disparos do outro lado, e o telefone caiu. Depois, a energia desapareceu."
"Precisamos falar com mamãe e papai," a menina mais nova começou, quando sua irmã mais velha entrou na sala.
"Não, em caso de uma emergência, precisamos estabelecer comunicação com a estação de retransmissão e pedir instruções." Sua voz era fria e mandona, assim como seus olhos.
"Belle, e o nosso irmão mais velho?" a mais nova perguntou com relutância, um pouco assustada com a resposta.
"De acordo com nossa vigilância, o paradeiro de Lex é desconhecido. É muito provável que esteja seguro…" Belle franziu um pouco a testa. "Provavelmente está, mas vou solicitar que a estação envie alguma segurança. O papai não vai gostar de interferência, mas, se a situação estiver perigosa o suficiente, ele vai aceitar."
"E a gente?" a irmã do meio, Liz, perguntou.
"E a gente?" respondeu Belle de forma indiferente. "Primeiro, nem sabemos se algo sério está mesmo acontecendo. E, mesmo que esteja, esses corpos são apenas clones espirituais — mesmo que morram, nada acontecerá conosco. Sem falar que o propósito deles já foi cumprido. Só precisamos falar com a estação e agir conforme as ordens dela."
Justo quando as meninas mais novas estavam esperando que tudo estivesse bem, o som repentino de tiros as acordou para a dura verdade. Então, alguém arrombou a porta de casa e soldados começaram a invadir.