O Estalajadeiro

Capítulo 100

O Estalajadeiro

Lex acompanhou Ayesha até a tartaruga, distraído com seu olhar admirado. A jovem já tinha esquecido que deveria estar triste — ou talvez estivesse escondendo o sentimento. Lex se perguntou se veria seu sósia, o jovem. Da última vez que vieram, a pousada estava relativamente vazia. Desta vez, o casal teria muitas mais opções para o encontro.

Lex, especialmente, queria que eles remassem o pequeno barco no minúsculo lago que ele criou. Não sabia exatamente por quê, mas estava ansioso por isso.

"Pequeno Preto, gostaria de apresentá-lo a uma hóspede. Esta é Ayesha."

A tartaruga virou a cabeça na direção da menina, depois cuidadosamente abaixou a cabeça até o nível dela para observá-la melhor.

"Olá, pequena humana. Como você está hoje?"

"Você consegue falar?" ela exclamou surpresa, abrindo os olhos com entusiasmo. "Ele também pode falar?"

"Pequeno Azul é tímido," disse a tartaruga, olhando para ele com orgulho, como um pai que se orgulha do filho. "Mas se vocês se tornarem amigos, talvez ele Converse com você." A tartaruga soltou a gravata do peixe, oferecendo-lhe. "Quer tentar?"

Ayesha agarrou a gravata imediatamente e estava prestes a falar quando foi puxada pelos ares pelo peixe. A tartaruga era pesado demais para o peixe puxar para cima, mas a menina não teve alternativa a não ser ser levantada. No começo, soltou um grito de surpresa, mas logo virou gargalhada enquanto o peixe a levantava.

Ela gritou para comprar outro par de asas de Ícaro, e uma carta apareceu em sua mão com uma foto das asas, já que suas anteriores tinham sido usadas. Ela rapidamente equipou e começou a voar ao redor com o peixe, desafiando-o. Ela voou na frente dele e fez um loop, como se estivesse exibindo talento. O peixe, querendo se mostrar, começou a girar seu corpo enquanto nadava pelo ar.

Os dois passaram entre os balões de papel, usando-os como obstáculos. Lex sorriu ao observá-los no ar. Logo gostou de Ayesha — ela era uma boa menina.

Voltando sua atenção para a tartaruga, ele disse: "Pequeno Preto, logo teremos muitos convidados chegando. Certifique-se de que ninguém entre na estufa, seria uma pena se alguém destruísse todas as plantas. Também gostaria que você plantasse trepadeiras do Tesouro de Tiffany por toda a pousada. Elas têm um cheirinho agradável."

A tartaruga olhou para ele uma última vez antes de se virar, murmurando "beste, beste humano" enquanto partia.

Lex não se importou. Sabia que a tartaruga faria o que ele mandasse. Nos últimos dias, ela e o jardineiro tinham feito um trabalho enorme, e Lex havia reunido uma grande reserva de vegetais espirituais, prontos para servir seus convidados. É claro que qualquer pedido de comida espiritual custaria mais do que comida normal, mas ele nunca duvidou de que eles iriam pedir.

Logo depois, Hera e Will entraram na pousada acompanhados de seu filho, Jimmy. O menino não parecia surpreso por estar em um lugar aleatório e novo; escondia-se atrás da mãe, segurando sua mão, concentrado em permanecer perto dela.

Os olhos de Lex brilharam ao vê-los, mais especificamente, ao vê-la, Hera. Notou na última visita que ela tinha um olhar atento e uma mente ágil. Ela estava ajudando Will a expandir as operações da Sociedade das Rosas, mas Lex sentia que seu talento era desperdiçado. Essa não era uma decisão que ele tomaria rapidamente ou de forma leviana, mas ficava de olho nela como uma potencial funcionária no futuro.

Quando a pousada crescesse de tamanho, precisaria de alguém para ajudar a gerenciar certas áreas. Assim, ele avaliaria como ela administrava a Sociedade das Rosas e, se se saísse bem, isso influenciaria sua decisão.

"Sejam bem-vindos de volta," disse, aproximando-se. "Vejo que trouxe um novo convidado hoje. Espero que aproveitem." Lex sorriu e entregou ao menino um pedaço de chocolate. A embalagem era dourada e prateada, com as iniciais MI.

Era um detalhe que ele adicionou na pousada anteriormente, para que o sistema deixasse chocolate no travesseiro dos hóspedes após o serviço de arrumação, e que tivesse o sabor preferido do convidado. Não havia outro benefício, mas Lex gostava da ideia.

Jimmy hesitou, mas quando sua mãe incentivou, aceitou o chocolate e acenou para o hospedeiro em sinal de agradecimento.

Lex sorriu para o menino tímido e voltou sua atenção para Hera e Will. "Parabéns, vejo que recomeçaram sua jornada de cultivo," disse a Will. Observando o status dele, Lex percebeu que ele tinha novamente entrado no estágio de treinamento em Qi.

"Obrigado, não teria conseguido sem sua ajuda e orientação," afirmou o idoso sinceramente. Apenas ele sabia o quanto era grato a Lex por libertá-lo da dor que vinha sentindo há quase toda a vida.

"É meu dever ajudar meus hóspedes ao máximo que puder. A propósito, acho que você deveria visitar nossa sala de guilda. Acho que vai achar muito interessante. Fica na rua principal."

"Com certeza. Gostaria também de alugar um pátio por uma semana. Quero receber alguns convidados aqui antes do começo do evento."

"Claro, são muito bem-vindos. Velma, por favor, leve o Will ao seu pátio e ajude-o com tudo o que precisar."

Velma apareceu no modo típico da Meia-noite, surgindo do nada, e guiou o trio até a mansão. O sistema naturalmente cobrou do Will um custo de 1400 MP, e Lex nem se incomodou com os detalhes de como a transação ocorreu. Ele tinha que dizer, essa era uma das partes mais que ele gostava no sistema.

Will e Hera logo perceberam que o ambiente estava diferente desta vez: não só mais festivo, comparado à sua aparência usualmente pacífica, como também guardas vestidos de forma adequada patrulhavam ao longe. Não tinham certeza do quão fortes eram esses guardas, mas era bem claro que eram muito mais fortes que o guarda-costas Hugo de Will.

Parecia que a pousada tinha passado por várias mudanças, preparando-se para a próxima reunião. Estavam ainda mais curiosos sobre a sala de guilda — já que uma sugestão do próprio hospedeiro não poderia ser simples.

O motivo de Lex tê-los guiado até lá era porque ele sabia que eles queriam negociar, e, assim, achariam útil conhecer as funções da sala. Mais importante, Lex receberia 1% de todas as transações feitas lá, então não se preocupava em promover a sala sem graça, mesmo que isso fosse um pouco inconveniente.

Parece que alguns dos convidados habituais estavam chegando adiantados e aguardariam na sala de guilda, mas Lex não se importou com isso.

Logo depois, Alexander e Helen também entraram na pousada. Lex ficou um pouco surpreso por vê-lo sozinho, sem a família, já que esperava que eles viessem também. Talvez chegassem mais tarde.

"Sejam bem-vindos de volta," disse Lex calorosamente, sorrindo para Helen. Afinal, já tinha se acostumado a ela estar na pousada — nos últimos dias, quase se sentiam estranhos sem sua presença.

"Obrigada, é bom estar de volta," ela respondeu. E sua resposta também não foi automática. Depois de passar tanto tempo aqui, ela tinha esquecido o quão diluída estava a energia espiritual e poluído o ar na Terra. Quase sentia que ia se sufocar lá.

"Gostaríamos de alugar um pátio para as próximas semanas," disse Helen. Embora, tecnicamente, Alexander fosse quem precisasse de um pátio para a família, ele conquistou o nível de Prestígio 3 com sua última compra na loja de presentes.

Achava melhor que outros fizessem as transações, assim todos poderiam aumentar seus níveis de prestígio, já que as vantagens eram bastante úteis.

"Com certeza," respondeu Lex, convocando um dos novos assistentes de IA para acompanhá-los. "Aliás, vocês têm convidados esperando na sala de guilda — os de Vegus Minima."

"Estão adiantados, vou lá vê-los logo. A propósito, meu avô virá mais tarde, mas ele tinha uma dúvida e queria que eu perguntasse: em vez de alugar quartos, é possível comprar uma sala permanente na pousada?"

Lex ficou surpreso com a pergunta. Nunca tinha pensado que hóspedes poderiam querer adquirir uma sala fixa, mas presumiu que a visão da família Morrison fosse naturalmente além do padrão dos hóspedes comuns. Antes que pudesse responder, ouviu a familiar notificação do sistema:

Recompensa Oculta Ativada!

Comentários