
Capítulo 177
Flores São Iscas
Kwon Chae-woo se virou instantaneamente e ficou em frente a uma estante quebrada. Pegou um cigarro com as mãos trêmulas, mas não conseguia acender o isqueiro.
Ele franziu a testa, tentou mais algumas vezes, até conseguir acender. Ao sentir a fumaça preencher seus pulmões, ele se acalmou.
Depois de voltar para casa, a vida de Kwon Chae-woo se restabeleceu rapidamente. Reintegrado, treinou seu corpo, cuidou dos cães de caça e se dedicou ao objetivo. Essa era sua única vida após perder seu violoncelo, mas…
“… Merda.”
Ele apertou o cigarro com força.
O tempo parecia atravessar lentamente, o cheiro de sangue era nojento, e às vezes o silêncio o incomodava. Por mais que comesse alimentos refinados, ficava enjoado, e até a água tinha um gosto estranho.
Numa noite como aquela, ele observava pessoas que eram viciadas em algo, como álcool, jogos ou drogas. Ao ver quem se alegrava por coisas inúteis, ele se sentia um pouco melhor.
“….”
Imaginou como seria se só tivesse uma memória.
Sua cabeça era dividida entre noite e dia. Odiava ela, mas sentia tanta falta… Queria acreditar em tudo que Lee-yeon dizia, mas não conseguia eliminar seu ódio.
Kwon Chae-woo vinha sendo destruído emocionalmente a cada dia.
“… Seu pescoço vai doer de tanto dormir assim.”
Foi quando ele absorveu completamente as duas memórias que começou a ver alucinações de So Lee-yeon.
No começo, ficou tão assustado que sua mente ficou em branco, e algo dentro dele começou a se partir.
“Humm… a fantasia é um efeito colateral comum em quem sofreu amnésia. Sabe aquele efeito quando se joga uma pedra numa lagoa? É assim. Você lembra de memórias que tinha esquecido ou vice-versa e esse choque cria uma imagem. É como uma ondulação na sua mente. É um sinal de que você está voltando ao normal, então não precisa se preocupar. Você terá menos alucinações à medida que se acalmar mentalmente.”
Era importante que Kwon Ki-seok não soubesse que ele estava tendo alucinações, especialmente sobre So Lee-yeon. Por isso, Kwon Chae-woo foi até o médico underground, cujo licenciamento estava revogado.
“Posso tocar nisso?”
“Desculpe?”
“Minhas alucinações.”
“… Hum, bem…”
“Já estou insano, então não faz diferença ficar um pouco mais.”
O médico não conseguiu esconder sua expressão de surpresa.
“É só um fenômeno passageiro… Ah, mas para quem tem insônia—“
“Eu tenho.”
Kwon Chae-woo respondeu de imediato. Não imaginava que sua doença pudesse ser útil.
“Hum… Então vai ficar pior.”
“Ótimo.”
Se o médico tivesse razão, ele continuaria vendo as alucinações se cochilasse, mas gostava disso. Era tudo culpa de So Lee-yeon.
“Não durma aqui.”
Kwon Chae-woo não pôde evitar manter suas mentiras.
Assim que Jang Beom-hee entrou no quarto, viu as costas nuas de Kwon Chae-woo.
Ele voltou tarde ao amanhecer, tirou a jaqueta e fazia um handstand na barra paralela.
O quarto de Kwon era limpo como um quarto de hotel, pois ele não tinha interesse em possuir nada. Jang Beom-hee parecia estar acostumado, pegou um terno novo e foi até ele.
“Senhor, a senhorita Bae Eun-joo está esperando no resort.”
“Por quê?”
“O diretor Kwon marcou a reunião.”
“Hoje?”
“Sim, precisa se arrumar.”
Kwon Chae-woo pousou de leve com os pés.
“Ele continua assim, mesmo sabendo o que vou fazer.”
Começou a se vestir.
Ao mesmo tempo, ele observava So Lee-yeon dormindo no sofá, com o sol brilhando sobre ela. A mulher que dormia sob a luz do sol. Ele não parava de tocar o sofá vazio. Mais uma vez, uma alucinação.
“Senhor, não pode ficar sem dormir.”
Naquele momento, Jang Beom-hee falou firmemente enquanto observava a expressão de Kwon Chae-woo.
“Sei disso, então temos que terminar logo.”
“… Me avise se precisar de mim.” disse Jang Beom-hee.
“Para quê?”
“Uma mulher.”
“Uma mulher?” Kwon Chae-woo finalmente virou a cabeça e encarou o reflexo de Jang Beom-hee no espelho.
“Precisamos tentar algo ao menos. Se precisar de uma mulher na sua companhia—“
“Pare.”
Ele advertiu em voz baixa, mas Jang Beom-hee terminou o que ia dizer.
“Vou trazer uma mulher.”
Kwon Chae-woo tossiu, jogou a gravata e foi até Jang Beom-hee. Então, segurou a parte de trás da cabeça dele e deu uma leve cotovelada na bochecha. Uma advertência.
“Você acha que consigo acordar depois de abraçar qualquer travesseiro aleatório?”
“Desculpe.”
“Tenha cuidado com o que fala.”
Jang Beom-hee fez uma reverência.
“Se Lee-yeon soubesse—“
Nesse instante, Kwon Chae-woo ficou imóvel. Ao mesmo tempo, Jang Beom-hee olhou para cima também. O rosto de Kwon parecia queimado por um nome inesperado.
Kwon Chae-woo fechou a boca, terminou de se vestir e, ao abotoar a colete, de repente, o tirou com irritação. Passou a mão pelos cabelos e fechou os olhos.
Jang Beom-hee perguntou cuidadosamente.
“Com So Lee-yeon—“
Kwon Chae-woo virou-se imediatamente ao ouvir o nome.
“Você já não resolveu com ela?”
“…”