Flores São Iscas

Capítulo 178

Flores São Iscas

O olhar penetrante de Kwon Chae-woo fulminou os lábios de Jang Beom-hee. Ele não respondeu e vestiu um casaco. Antes de sair do quarto, examinou o sofá vazio.

“Eu... eu destruí completamente.”

Era um destino cruel. Por isso, fui embora sem deixar esperanças.

Se havia um problema, era que ele não era mais um observador e, 'às vezes', era o marido daquela mulher.

Continuava se lembrando dos momentos felizes e dos sorrisos dela, mas também se recordava de todas as palavras maldosas que cuspira em sua direção.

Sentia náuseas só de sentir qualquer perfume que não cheirasse a grama molhada, ficava irritado do nada e parava de andar quando via árvores ou flores.

Kwon Chae-woo conhecia essa emoção que não conseguia controlar. Mordia a língua por hábito e sugava o próprio sangue a cada vez.

“... Minha escolha não pode estar errada.”

Pressionou os olhos com os dedos, exausto.


Uma mesa de chá branca posicionada no meio de um jardim vasto e verde.

Uma mulher de cabelos ondulados, usando brincos de pérola elegantes e um vestido marfim, encarava Kwon Chae-woo insatisfeita, com os braços cruzados.

“Você está vivo.”

“...”

“Você sabia que isso era para ter acontecido há dois anos? Eu não podia acreditar que levei um bolo de dois anos, então vim ver quem você é...”

A mulher sorriu satisfeita após examinar Kwon Chae-woo.

“Afinal, o que vocês dois andaram fazendo durante esse tempo que ninguém sabe onde estavam?”

“...”

O homem permaneceu em silêncio durante todo o seu falatório. Desde que atravessou o jardim com as mãos nos bolsos e se sentou à mesa.

A mulher percebeu que Kwon Chae-woo não estava interessado.

Alguns anos se passaram desde que os boatos sobre sua ligação com pessoas erradas começaram a circular. Foi durante essa época tumultuada que o destino, em sua natureza imprevisível, a colocou frente a frente com ele.

Em meio à multidão embriagada, seu olhar permanecia afiado e vigilante, um contraste gritante com as visões turvas ao seu redor.

Ela sentiu seus olhos se encontrarem por um breve momento, assim como um de seus companheiros embriagados se aproximou dele e foi abruptamente jogado no chão. Com um ar de distanciamento, o homem calmamente pisou na mão caída e continuou seu caminho, um leve sorriso brincando em seus lábios enquanto o homem gritava de dor.

Embora anos tivessem se passado desde aquele encontro, a memória de seu sorriso eticamente duvidoso escapava de sua lembrança. “Os boatos estão circulando porque você não diz nada. Todas as pessoas ambiciosas estão tentando se envolver com a família Kwon. Nenhum dos quatro filhos é casado, então somos nós, as solteiras, que estamos sendo pressionadas.”

Ela se virou para examinar a enorme mansão e deu de ombros.

“Você não tem nada para me perguntar, Sr. Kwon Chae-woo?”

O homem se encostou no braço da cadeira e apoiou o queixo na mão. Ele não olhava para a mulher, mas sim para outra coisa.

Ao seguir o olhar de Kwon Chae-woo, ela viu uma cadeira vazia e pensou por um momento antes de se levantar.

“Devo me mudar?”

“Fique aí.”

“Como?”

“Não seja irritante e sente-se.”

“...”

Ela se sentou por ordem dele. Kwon Chae-woo sequer olhava para ela durante tudo isso.

A mulher estava ficando irritada. Ela era quem estava acostumada a dar ordens, não o contrário.

“Você sabe o que vou dizer quando for embora? Que você entrou em uma clínica de reabilitação por causa de cocaína, se envolveu em um atropelamento e fuga e teve que se esconder em um hospital psiquiátrico. Você sabe quantos boatos existem? Está na hora de o preço das ações da Sooguk Pharmaceutical cair, e eu posso contribuir para isso.”

Kwon Chae-woo zombou.

“Você está certa.”

“Sobre o quê?”

Ela também deixou de lado as formalidades e o encarou.

“Eu estive em um hospital.”

Ela ficou confusa com sua aceitação repentina. “... Que hospital?”

“Aquele em uma ilha.”

“... O, o que você fazia lá?”

“Pelo que o médico disse, eu era muito bom em cuidar de flores.”

“...!”

Cuidar de flores? Como? Ela engoliu em seco. Sua voz de repente ficou um pouco mais educada.

“... Você foi internado?”

“Eu fui amarrado.”

“...!”

“Minhas mãos, pés, pescoço. Eu não conseguia me mover.”

Os olhos dela se arregalaram. Ele era um paciente grave. Ela tinha que acabar com isso. Havia coisas que não se deviam fazer com um louco.

Mas seus olhos secos, porém sensíveis. Seu nariz alto e seus ombros largos a fizeram pensar duas vezes.

“... Por que você estava em um hospital?”

“Minha cabeça foi esmagada.”

“...”

Ela sorriu sem graça enquanto pegava sua bolsa. Kwon Chae-woo sequer olhou, não importava o que ela fizesse.

De qualquer forma, sua atenção estava toda voltada para a cadeira vazia. Seus olhos estavam tão concentrados que era estranho.

“Quem... Posso dizer algo antes de ir?”

Ela não pôde evitar dizer algo por estar sendo tratada como ar.

“Afinal, o que você está encarando? Tem alguma coisa aí?”

“Você não consegue ver, certo?”

“Como?”

“A mulher bonita cochilando ali.”

“...!”

A pessoa que não conseguia entender era assustadora. Ela franziu a testa e deu um passo para trás.

“Se não gosta de mim, diga logo. Não fique brincando assim!”

“Como seria bom se fosse uma brincadeira?”

Ela não conseguia dizer se ele estava rindo ou franzindo a testa quando finalmente olhou para ela.

“Eu pisei no coração dela e ela esmagou minha cabeça.”


O olhar de Kwon Chae-woo parou coincidentemente.

Droga, o que é aquilo? A mulher que estava usando um chapéu de palha familiar e andando ao redor da árvore. Kwon Chae-woo semicerrilhados os olhos, então inclinou a cabeça para trás enquanto pressionava os olhos.

“... Ha.”

Não bastava uma? Tem mais que vão tentar enlouquecê-lo.

Mas... por que essa alucinação está se movendo tão atarefada em vez de cochilar?

Comentários