
Capítulo 116
Flores São Iscas
Ela parou de respirar por um momento, seu coração batendo feito louco. Essa era a liberdade que ela tanto esperava.
O momento em que finalmente poderia se libertar da vigilância constante e da chantagem. Ela apertou os joelhos com as palmas das mãos suadas.
As acusações ridículas contra ela seriam retiradas, suas algemas removidas. Ela finalmente se libertaria do horror que havia tomado sua vida como garantia. Estava tudo ali, bem na frente dela.
E, no entanto, aquela intensa sensação de felicidade de repente escorregou de suas mãos. Ela se sentiu estranhamente inquieta. Em vez de se sentir aliviada por tudo ter acabado, era como se algo estivesse sendo roubado dela.
Lee-yeon ficou paralisada, incapaz de responder. Ki-seok se virou para olhá-la.
Ao se virar, o banco de couro fez um som como se alguém estivesse rangendo os dentes.
“Eu vou levar Chae-woo comigo.”
“……!”
“Obrigado por cuidar tão bem dele, Lee-yeon.”
“……Bem, espere, espere um segundo.” Com isso, Lee-yeon finalmente se recompôs. “O que você está dizendo de repente?”
“Existe algum problema? Já cumprimos todos os termos do nosso acordo, não cumprimos?”
“Você acha que pode simplesmente deixá-lo aos meus cuidados e levá-lo quando quiser. Como você pode tratar as pessoas assim?” Lee-yeon tentou acalmar suas emoções crescentes e continuar calmamente. Ainda assim, não conseguiu esconder o tremor em sua voz. Ela não estava com frio nenhum, mas todo o seu corpo tremia com o olhar frio de Ki-seok.
“Nós fizemos um acordo que era mutuamente benéfico. Ou você preferia que eu tivesse jogado você na cadeia?”
“….”
“Se eu tivesse feito isso, não estaria sentado aqui agora ouvindo você vomitar esse absurdo.”
Lee-yeon mordeu o lábio suavemente. Podia-se ouvir um vago sentimento de vergonha em seu tom lamentável.
Talvez, ela fosse realmente uma idiota, como ele disse, por não aproveitar a oportunidade de colocar um fim a tudo isso.
“…mas o registro de casamento.” Lee-yeon, incapaz de manter as mãos quietas, não conseguia parar de esfregá-las, quase a ponto de desgastar suas impressões digitais.
“Se você já sabia a extensão das minhas mentiras para Chae-woo, então por que―”
“Então, você acha que estou sendo injusto?”
“O quê?”
“Eu estava tentando te ajudar.”
“Exatamente! Mas por que…!” Ela jogou o cabelo para longe do rosto em frustração. De repente, Ki-seok se abaixou, de modo que seus olhos estavam nivelados um com o outro. Ele a encarou, silencioso, investigando.
“Você sabe o que meu irmão mais despreza neste mundo?”
“….”
“Ser enganado.”
Por baixo de seus óculos, ela podia ver seus olhos afiados e se lembrou de Chae-woo. Lee-yeon sentiu como se seu coração, congelado dentro de seu peito, fosse empalado em um arpão.
“Eu, por outro lado, gosto muito das suas mentiras.”
Enquanto a luz nos olhos de Lee-yeon escurecia, Ki-seok exalava uma energia aterrorizante.
“Nós somos iguais, você e eu.”
Essa observação foi de partir o coração. Ela nunca se sentiu tão culpada por mentir para Chae-woo como naquele momento. Lee-yeon agarrou seu estômago e caiu.
“…por favor, não o leve embora,” ela implorou, sua voz tão pequena quanto a de uma formiga.
Mesmo enquanto Ki-seok pairava sobre Lee-yeon, pálida de medo, a semelhança era impressionante. Ela franziu a testa de repente. A mudança foi especialmente notável, pois seu rosto, que estava branco como um lençol, de repente se contorceu em uma expressão estranha.
“Eu não esperava ver outra mentira se tornar verdade.”
Eles podiam ouvir um leve vento acima. Ki-seok estava tão formal quanto na primeira vez que se encontraram, mas era a falta de mudança em sua atitude que a fez perceber que seu sorriso zombeteiro refletia suas emoções honestas.
Ele lentamente bateu a ponta dos dedos no apoio de braço.
“Nada do que você aprendeu sobre Kwon Chae-woo até agora foi real.”
Os ombros de Lee-yeon tremiam de medo.
“Mesmo assim, você tem certeza de que não terá nenhum arrependimento?”
* * *
Quem sabe como ela conseguiu terminar o resto do dia de trabalho.
A noite havia caído, e ela estava apenas entrando pela porta da frente, com a mente em transe.
As luzes estavam apagadas, mas na escuridão, uma sombra ainda mais escura se ergueu silenciosamente, cobrindo o topo dos pés de Lee-yeon. Assustada, ela deixou sua bolsa cair com um baque.
“…!”
Ela esfregou os olhos com força, incapaz de dizer se isso era um sonho ou realidade. Justamente quando ela pensou que seu coração explodiria, seus olhos se encheram de lágrimas.
Bem ali na frente dela, o homem que no último mês havia sido a fonte de todo o seu pavor e ansiedade, Kwon Chae-woo estava calmamente olhando para ela. Talvez por ter dormido por tanto tempo, seus olhos ainda parecessem um pouco embaçados, mas não havia dúvida em seu coração. Era Kwon Chae-woo.
“Lee-yeon, como você está?”
“Chae, Chae-woo….”
Ele lentamente deu um passo em direção a ela. Quando ele sorriu para ela com aquele mesmo sentimento de calor e afeição, ela ficou sem palavras.
Ele estava de pé com as mãos juntas atrás das costas, girando um fio de prata semelhante a uma teia em sua mão. O fio estava enrolado firmemente na parte de trás de seus dedos e mãos.
Quando ele cerrou o punho, o fio firmemente enrolado cavou em sua pele. O fino fio de prata brilhou intensamente na parte de trás de sua mão, cortando sua circulação e tornando sua mão uma cor vermelho escura.
“Faz um tempo, Lee-yeon.”