
Capítulo 117
Flores São Iscas
Kwon Chae-woo estava sonhando.
Sua visão estava turva. Quem sabe há quanto tempo ele estava vagando sem rumo por este lugar onde não conseguia ver nem sentir nada, muito menos distinguir que hora ou dia era.
Uma coisa era certa. Quanto mais ele andava, mais ele traçava linhas, e o som retorcido ficava mais e mais alto, até parecer que seus ouvidos estavam sangrando.
“Ugh….”
Ele não conseguia ouvir nada além de sua terrível dor de cabeça e o zumbido em seus ouvidos. Ele sentia vontade de vomitar e desejava apenas se virar e voltar por onde tinha vindo, mas suas pernas pareciam se mover sozinhas.
Aquele tom insuportável subiu a um volume insuportável. O som de algo puxando e arranhando reverberava como uma soprano cantando em vibrato.
Aquele terrível som estridente continuava crescendo incontrolavelmente mais e mais alto em sua cabeça. Crescia e crescia até ele pensar que sua cabeça explodiria.
Quase instantaneamente, a névoa diante de seus olhos se dissipou. Neste sonho, ele viu alguém. Coberto de suor, traçando linhas, era ninguém menos que o próprio Kwon Chae-woo, só que mais jovem.
Ele está sentado, vestido com um fraque ajustado, um violoncelo entre as pernas, levando-se ao limite com sua performance. Seus braços, pulsos, dedos, todos se movendo em harmonia com cuidadosa contenção, às vezes inchando em movimentos ondulatórios, outras vezes tremendo intensa e violentamente.
O holofote sobre ele é iluminador. Seus dedos pressionam violentamente contra as quatro cordas, gotas de suor pingando das pontas de seu cabelo cada vez que ele corta seu arco através delas.
A plateia está prendendo a respiração, incapaz de tirar os olhos do palco. Eles entendem de uma vez por que esse ninguém de um garoto é considerado o melhor em tocar um Guarneri.
O mesmo Guarneri tocado por Paganini até o dia de sua morte.
Os violinos Stradivari também são bons instrumentos, mas este garoto asiático apareceu do nada, aparentemente possuído pelo espírito dos instrumentos Guarneri, capaz de produzir um som tão bonito que puxava as pessoas para dentro, tentador como o diabo.
Seu jeito de tocar era sempre pesado e sombrio. No entanto, ao mesmo tempo, nunca era grosseiro nem vulgar.
As opiniões sobre seu estilo único eram divididas, mas Kwon Chae-woo, que tinha um talento natural para dominar instrumentos musicais, tornou-se a musa perfeita de Guarneri.
E naquele momento.
— Chaewoo, ela morreu.
Todas as memórias jorraram como se uma barragem tivesse se rompido em sua mente.
Um dia, pouco antes de completar 20 anos, seu mundo mudou.
Como o talento demoníaco, que fez sua estreia aos treze anos como o vencedor mais jovem das Competições Internacionais de Genebra e Rostropovich, desapareceu em um único momento.
Como aquela fonte inestimável de inspiração foi perdida da noite para o dia.
Tudo começou com aquele telefonema de seu irmão.
“Irmão, eu não me importo com a aparência do corpo dela—” Ele estava soluçando, “Só me deixe vê-la uma última vez.”
Agora o violoncelo era apenas uma tábua de madeira para ele. Ele havia sido obcecado por este instrumento toda a sua vida. A perda de seu talento musical, como se tivesse sido roubado dele, o deixou derrotado a ponto de não conseguir tocar nem uma única nota.
A cena mudou, o sonho trazendo sua consciência para outra memória.
“Gaahhhhhh!”
Os cantos da boca de Chae-woo se ergueram ao som do grito desesperado. Ele pressionou as costas de seu oponente com os joelhos e levantou seu pescoço impiedosamente pela corda enrolada nele. Ele apertou calmamente a corda em volta do homem se contorcendo em suas costas como um peixe fora d'água. Os cães ladravam loucamente, batendo contra a jaula.
“P-para……”! Gahhhh!”
Apesar dos apelos de seu oponente, o olhar de Kwon Chae-woo permaneceu indiferente. Seus olhos estavam imóveis, apenas os cantos de sua boca se curvando em um sorriso sinistro. Os músculos de seu pescoço estavam tensos, revelando as veias coloridas sob sua pele. Um tendão grosso se projetava de seu braço, indo da parte de trás de sua mão até seu cotovelo.
Jang Beom-hee, que estava assistindo de fora da jaula, estremeceu ao pensar na monstruosa força de Chae-woo.
“Se você vai se mijar todo com uma coisa tão simples como essa, por que entrou aqui?” Ele cuspiu no homem.
“Ugh, ughhh! Por favor, p—”
“Como você pode fazer isso quando a vida é tão preciosa?”
“Gahhh!”
“Se meu trabalho é ser um gangster com uma faca, o mínimo que devo fazer é não ouvir meu animal de estimação.”
Chae-woo relaxou sua força e recuou, seu oponente caindo no chão.
A ampla jaula de luta quadrada cheirava a ferro enferrujado. Kwon Chae-woo examinou os homens do lado de fora da jaula com emoção crua em seus olhos.
“Senhor,” Beom-hee disse, aproximando-se com uma toalha nas mãos.
Já fazia seis anos desde que Kwon Chae-woo voltou para casa e se tornou viciado em violência, cujo gosto ele só havia obtido por acidente.