Flores São Iscas

Capítulo 91

Flores São Iscas

Enquanto gritava pelo nome de Kwon Chae-woo novamente, um raio cortou o céu à distância. Ela sabia que o dia estava nublado, mas, quando a chuva começou a cair torrencialmente, sentiu a boca seca.

Naquele exato momento, ela viu um drone voando no céu. Acenou os braços freneticamente e gritou: "Aqui! Estou aqui!"

Tinha sido um grande deslizamento de terra. Uma equipe de gerenciamento de desastres agiria rapidamente para lidar com as consequências. Logo, uma equipe de resgate viria salvá-la. Sua garganta se apertou ao imaginar ser resgatada sem ter encontrado Kwon Chae-woo primeiro.

Ela precisava encontrá-lo rapidamente.

Continuou a se mover pela lama, escorregando e quase caindo a cada passo. Seus braços doíam enquanto os usava para se locomover na lama, e suas roupas, agora encharcadas de barro, pareciam pesar ainda mais a cada passo que dava.

Onde Kwon Chae-woo poderia estar?

Seus lábios tremeram quando começou a se desesperar. Fechou os olhos e respirou fundo. Já sentia as lágrimas vindo, mas não queria chorar ainda.

Quando abriu os olhos para continuar, ela o viu: um corpo preso entre as árvores.

Com toda a sua energia, Lee-yeon começou a correr, mas seu corpo finalmente cedeu e ela teve que parar. Chorando, ela gritou: "Kwon Chae-woo!"

O estado em que ele se encontrava não era muito diferente do de Lee-yeon. Seu rosto estava coberto de lama e ela mal conseguia ver suas feições.


Ela se arrastou em direção a ele e conseguiu alcançá-lo após muita luta. Pegou uma corda de sua mochila e amarrou-a na cintura de Kwon Chae-woo. Virou-o cuidadosamente e sentiu seu coração parar quando finalmente viu que seus olhos estavam fechados.

Ele não se movia. Kwon Chae-woo estava imóvel e Lee-yeon quase acreditou que ele estivesse morto. Havia sangue em sua testa e ela pensou que devia ter sido causado por uma pedra. Lee-yeon tremeu enquanto se inclinava e pressionava a cabeça contra o peito dele.

"Kwon Chae-woo?", ela disse baixinho. "Você pode me ouvir?"

Ela estava mais falando sozinha, mas não suportava não falar com ele. Levou a mão ao pescoço dele e verificou seu pulso. Soltou um suspiro, sem saber se era de alívio ou ressentimento.

"Por favor", ela sussurrou. "Por favor, fique comigo."

Virou a cabeça dele e tirou o máximo de sujeira que conseguiu de sua boca. Ela nunca teve interesse em salvar a vida de outras pessoas, mas, naquele momento, lamentou só saber cuidar de árvores.

Cerrou os dentes. Não pararia até que ele acordasse.

Enquanto procurava um cobertor para cobri-lo, ela viu seus olhos se abrirem levemente. Correu até ele e o abraçou. Seus olhos se abriram e encontraram os dela.

Seus olhos se encheram de lágrimas. Naquele momento, ela não sentiu nada além de gratidão. A decisão dele de salvá-la a assustara e ela sabia que não queria ficar sozinha daquele jeito de novo.

"Acho que entendi agora", ela disse suavemente. "As duas árvores que enrolei com arame... elas podem ter sido estranhas, mas eu sei agora. Elas só queriam sentir o calor uma da outra."

Kwon Chae-woo franziu a testa. Seus olhos pareciam distantes e estranhos para ela. Ele parecia diferente, completamente diferente. Lee-yeon se perguntou se era por causa da dor. Talvez fosse apenas porque ele estava desconfortável.

Então, com uma voz rouca, ele perguntou: "Quem é você?"

Os olhos de Lee-yeon se arregalaram.

Kwon Chae-woo olhou ao redor. "Que merda", ele disse. "O que está acontecendo aqui?"

Lee-yeon congelou enquanto Kwon Chae-woo olhava ao redor da floresta e xingava tudo o que via. Sua voz era fria e seu olhar estava focado em tudo, menos em Lee-yeon.

Ele cambaleou e se levantou, agarrou o braço e sibilou de dor.


"Você está machucado?", Lee-yeon perguntou, levantando-se ao lado dele. "Você está bem?"

Ela moveu a mão para tocá-lo, mas ele a afastou.

"Não me toque", ele disse.

Seus olhos estavam vidrados, quase como se estivesse drogado. Ele pegou o ombro e o colocou de volta no lugar com brutalidade. Lee-yeon se encolheu ao vê-lo se transformar na pessoa que era antes.

Ele olhou para ela e estalou a língua, gemendo quando a dor percorreu seu corpo.

Lee-yeon permaneceu imóvel. Ela estava em choque depois de tudo o que aconteceu. Então ele agarrou seu braço.

"O que é tudo isso?", ele exigiu. "Quem é você? Por que estou aqui?"

Lee-yeon ficou quieta enquanto ele continuava a divagar e olhar ao redor freneticamente. Ela se recusou a encarar a realidade que sabia que estava ali. Doía mais do que tudo que ela havia passado durante o deslizamento de terra.

"Estou perguntando", Kwon Chae-woo disse asperamente. "Quem é você?"

Sem pensar, Lee-yeon deu um passo à frente e bateu na cabeça de Kwon Chae-woo.

Ele agarrou o lado da cabeça onde ela bateu e se virou para ela, olhando-a furiosamente. "Você quer morrer?"

Em pânico, Lee-yeon se afastou dele. "Não", ela balançou a cabeça. "Não é isso."


"O que você está fazendo?"

Lee-yeon engoliu em seco. "Só desmaie de novo."

"O quê?" Kwon Chae-woo pareceu perplexo.

"Isso não está certo!", exclamou Lee-yeon. "Isso não está certo."

Tudo era uma bagunça agora.

Comentários