Flores São Iscas

Capítulo 90

Flores São Iscas

Você não pode me deixar aqui! Ela só conseguia imaginar o que se passava na cabeça dela. Eu não quero ficar sozinha em um lugar assustador!

Lee-yeon agarrou o braço dele e tentou abraçá-lo. Mas a força os repeliu e, não importava quantas vezes ela tentasse segurá-lo, ele se movia para fazê-la soltar. Mesmo assim, ela persistia. Segurava firme, chegando a arranhá-lo.

Puxando-se com força para longe dela, Kwon Chae-woo jogou Lee-yeon e as mochilas no chão. Ele a empurrou para dentro da caverna e empilhou as duas mochilas na entrada, ignorando seus protestos. "Aguenta firme!"

Lee-yeon estava furiosa. "Kwon Chae-woo!"

"Poderíamos ter feito muito mais," ela o ouviu dizer do lado de fora da caverna. "Então, se você morrer em um lugar como este, eu vou te matar de novo."

Lee-yeon ouviu suas palavras, com os olhos cheios de lágrimas. Não eram palavras de despedida. Eram firmes e presentes. Eram vivas.

Mas então o deslizamento de terra o engoliu por completo e Lee-yeon nada pôde fazer. Ela podia sentir a conexão entre os dois se rompendo fisicamente.

"Kwon Chae-woo!" ela gritou. Seus gritos ecoaram na caverna. Terra começou a vazar pelos espaços entre as duas mochilas e Lee-yeon temeu que acabasse sendo arrastada também.

Ela se agarrou com todas as forças.

As mochilas tremiam e seus braços doíam enquanto ela as empurrava. Ela se agarrou até que seus ossos doessem, mas era impossível bloquear tudo. Suas roupas estavam respingadas de lama enquanto a força do deslizamento continuava a pressioná-la.


Tudo estava acontecendo tão rápido. Ela não tinha ideia do que estava acontecendo, e tudo a atingiu tão depressa.

Kwon Chae-woo se foi. Ele simplesmente se foi.

O mundo estava desabando ao seu redor.

Mas então, milagrosamente, o deslizamento de terra parou.

A lama já estava na altura de sua cintura, mas a força havia cessado. Suas roupas estavam encharcadas e seus lábios tinham ficado azuis de frio. Seu corpo inteiro doía.

Ela se encostou na parede e soltou um soluço. Enterrou o rosto nas mãos e chorou.

"Kwon Chae-woo," ela chamou baixinho. "Você está aí? Chae-woo? Você está aí?"

Nenhuma resposta veio, apenas o silêncio da caverna a acompanhou ali.

Após um momento, Lee-yeon tentou se recompor. Ela enxugou as lágrimas dos olhos e se afastou da parede. Suas costas doíam terrivelmente e o frio começava a entrar pela abertura.

Ela encontrou a mochila que havia sido enterrada na lama. Puxou-a para cima e encontrou o tablet PC que estava no bolso da frente. Pegou-o e o ligou apressadamente.

A tela brilhou e, na luz fraca, ela viu que não havia Wi-Fi ali. Mas não era isso que chamava sua atenção. O que chamava sua atenção era o papel de parede do tablet.

Era uma foto dela cuidando das árvores. Kwon Chae-woo devia ter tirado.

Lee-yeon sentiu um nó se formar em sua garganta enquanto soltava um grito. Ele havia dito que a mataria se ela morresse ali.

Aquele canalha,

ela pensou. Eu é que deveria ter dito isso a ele.

Ela fechou os olhos por um longo tempo enquanto sua dor a consumia. Quando finalmente os abriu, estava determinada.

Ela o encontraria.

Em todo esse caos, eu vou te encontrar.

***

Ela sabia que não estaria segura se simplesmente esperasse ali com medo. Mesmo agora, a lama ainda estava entrando lentamente na caverna. Seu rosto se tornou duro quando a lama atingiu sua cintura e, eventualmente, alcançou suas clavículas.

Ela tinha que sair.

Mesmo que estivesse ferida, ela queria estar perto dele.

Ela empurrou a mochila para longe e, ao fazê-lo, a água entrou e subiu até seu queixo. Ela soltou um som assustado quando ela invadiu em sua direção.

Respirando fundo, ela fechou os olhos e mergulhou na água barrenta. Pequenos pedaços de entulho esfregaram seu rosto e sua pele ardeu como se sal estivesse sendo esfregado sobre uma ferida aberta.


Quando emergiu, ela parecia um soldado em camuflagem, completamente coberta de lama.

Enquanto olhava ao redor, ela começou a empalidecer. Ela imaginava que a lama teria bagunçado a floresta, mas não podia ter imaginado a carnificina que enfrentou ao dar um passo à frente. Todas as árvores que ela podia ver haviam sido destruídas.

"Kwon Chae-woo!" ela gritou. Ela gritou do fundo de seus pulmões, mas nenhuma resposta veio.

Ele não estava em lugar nenhum. Lee-yeon não conseguia dizer para onde ele havia sido arrastado ou onde ele poderia ter sido enterrado. Então ela continuou avançando na esperança de encontrar onde ele estava.

Ela continuou a chamá-lo, "Kwon Chae-woo!" Enquanto ela caminhava pela lama, sentia como se estivesse sendo pesada por dois pneus, puxando-a para longe de onde ela queria ir. Seu corpo começou a ceder, mas não era nada comparado ao desespero que sentia por dentro.

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