Flores São Iscas

Capítulo 70

Flores São Iscas

"Alô?"

"É a Lee-yeon?" Lee-yeon pisou no freio de repente, mordendo a língua. Ela praguejou baixinho. Era Kwon Ki-seok.

"Alô? Qual o motivo da sua ligação?"

"Onde está Chae-woo?" Uma gota grande de suor escorreu da testa de Lee-yeon. Ele sabe, pensou ela. Ele já sabe de tudo.

Lee-yeon franziu a testa com a inexplicável sensação de derrota. Parecia que grilhões haviam se fechado em seus pulmões e começado a apertar.

"Traga-o," ordenou a voz no telefone. "Se você quebrar o contrato assim, não terei piedade. Tenho deixado você fazer o que quer, e você sabe disso. Não me irrite. Você sabe as consequências."

Lee-yeon virou rapidamente o volante e voltou para o cais, seu pânico crescendo.


Um cheiro terrível de drogas, misturado com peixe, vazava de dentro da cabine.

"E aí, quem é dessa vez?" No convés, um homem com um corte no rosto perguntou ao mais novo à sua frente. Ele cutucou o prisioneiro com uma bota suja. "Ele está bem calmo. É da prefeitura?"

Qualquer um que fosse trazido para o navio geralmente chorava e implorava por misericórdia. Mas o convidado de hoje não tem graça nenhuma, pensou o homem com a cicatriz.

"Não sei," disse o traficante mais jovem.

"Bem, não importa. Quem quer que seja, vai morrer com um buraco na cabeça." O homem com a cicatriz olhou para o traficante mais jovem. "Traga," ele o instruiu.

O homem com a cicatriz levantou a mão direita, e as luzes do navio se apagaram repentinamente. Os outros barcos de pesca que os cercavam também apagaram suas luzes. Um silêncio pesado caiu no meio do mar, como para encobrir o pecado que estava prestes a ser cometido.

"O que você está fazendo?" o homem com a cicatriz perguntou quando o traficante se recusou a se mover. "Eu disse para trazer. Não me faça repetir." Ele deu um tapa no jovem, que parecia estar em transe. "O que está acontecendo com você hoje?"

"Tenha cuidado," disse o jovem.

"Do que você está falando?"

"É uma armadilha," sussurrou o jovem na escuridão.

Kwon Chae-woo, que havia tirado o pano da cabeça enquanto os dois traficantes discutiam, agora estava atrás do homem com a cicatriz. Ele rapidamente apunhalou o homem três vezes e o jogou no mar com um grande splash.

Como se tivessem visto um fantasma, todos no convés congelaram. Houve um silêncio momentâneo.

"Peguem ele!" alguém gritou.

Dez homens correram para fora da cabine, e o massacre começou. Em meio às facas que apunhalavam, que pareciam vir de todas as direções, as mãos de Kwon Chae-woo moviam-se rapidamente para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita. Ele bloqueava as lâminas que corriam em sua direção, derrubando-as como se fossem brinquedos.

Seu coração batia rápido, bombeando sangue quente por todo o corpo. Impossibilitados de fazer um único contra-ataque, os homens no convés caíram no mar frio um por um. Em questão de minutos, as mãos e o rosto de Kwon Chae-woo estavam cobertos de sangue. Era algo mais do que loucura que brilhava em seus olhos.

Com uma forte explosão, uma bala atingiu a coxa de Kwon Chae-woo e se alojou no convés. O jovem traficante estava apontando a arma para Kwon Chae-woo com as mãos trêmulas.

"Não se mexa! Senão eu atiro, seu desgraçado!" ele gritou com uma voz nervosa.

Kwon Chae-woo se virou. Assim que o traficante viu os olhos sedentos de sangue de Kwon Chae-woo, a cor desapareceu do rosto do jovem. Kwon Chae-woo aproximou-se lentamente e colocou a testa contra o cano da arma.

"Faça," disse Kwon Chae-woo, sua voz inabalável. "Você não deve ter mais de vinte anos?"

O jovem não sabia como responder e ficou parado tremendo de medo. Kwon Chae-woo agarrou a mão do jovem e reposicionou a arma nela.

"Segure assim," disse Kwon Chae-woo. "E aperte o gatilho."

O jovem hesitou, congelado de medo, então Kwon Chae-woo socou sua garganta. O jovem caiu no chão, engasgando e com o rosto ficando azul. Kwon Chae-woo pegou a arma e entrou na cabine. Era um escritório.

A primeira coisa que ele notou foram os velhos magros sentados em uma mesa calmamente, alheios ao caos lá fora. Suas costas estavam curvadas sobre a mesa, suas mãos movendo-se sem parar misturando e embalando as drogas. Vários frascos, equipamentos de purificação e embalagens plásticas estavam espalhados por todo o chão. Kwon Chae-woo ficou boquiaberto ao ver não apenas os idosos, mas também crianças sendo forçadas a embalar drogas.

Uma série de balas foi disparada na cabine de algum lugar do lado de fora. As janelas se estilhaçaram, e Kwon Chae-woo abaixou o corpo no chão, encostando as costas na parede. Um dos embaladores foi atingido e caiu morto em sua cadeira. O resto dos escravos continuou a processar as drogas, independentemente das balas voando ao redor deles.

Kwon Chae-woo checou o número de balas restantes na arma que havia pegado do jovem lá fora. Levantando cuidadosamente a cabeça para uma das janelas quebradas, ele examinou o exterior. No luar, ele podia distinguir as sombras de atiradores com armas em pé nos barcos de pesca circundantes.

Levantando o braço e mirando, ele eliminou cada atirador um por um. Enquanto eles caíam, os atiradores restantes começaram a atirar descontroladamente, sem saber onde Kwon Chae-woo estava. As balas ricocheteavam no convés. A barragem diminuiu lentamente à medida que cada atirador caía.

O último, pensou Kwon Chae-woo ao apertar o gatilho. Houve um clique, mas nenhuma descarga. Droga! Ele se encolheu de volta para a cabine, procurando desesperadamente por outra arma. Uma forte explosão, como se fosse uma colisão, ecoou do lado de fora. O tiroteio parou. Kwon Chae-woo rastejou até a porta para ver a causa do barulho.

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