
Capítulo 74
Flores São Iscas
O primeiro homem que ela conheceu era mais velho. Dono de uma pequena livraria.
Lee-yeon olhou para o homem com curiosidade, tentando parecer indiferente. O sorriso dele não desapareceu durante toda a conversa. Ele a ouvia com muita atenção e a olhava constantemente nos olhos, como se ela fosse uma cliente muito importante. Lee-yeon achou o homem muito atencioso.
“Qual é a sua árvore favorita, Lee-yeon?”
Percebo um alto nível de inteligência emocional nessa pergunta. Ele era o tipo de homem que Lee-yeon tentava transformar Kwon Chae-woo. Alguém gentil e atencioso...
Não! Lee-yeon balançou a cabeça. Pare de pensar nele. Eu não vim até aqui só para pensar em Kwon Chae-woo.
Lee-yeon afastou seus pensamentos e tentou se concentrar no homem à sua frente. “Eu gosto de pinheiros”, ela respondeu à pergunta dele.
“Já ouvi falar. Essa árvore não é usada geralmente para fazer instrumentos musicais?”
“Você está certo.” Lee-yeon sorriu.
“Existe alguma razão especial para você gostar dessa árvore?”
Lee-yeon fez uma pausa por um momento. “Acho que por causa das minhas memórias de infância associadas a ela. E tem um nome bonito também.” Ela encolheu os ombros.
“Hum?” O homem inclinou a cabeça, confuso.
Lee-yeon levou a xícara de chá aos lábios. “Havia uma pequena árvore na montanha atrás de onde eu morava quando era pequena.”
O homem a ouvia educada e atentamente. Ela sorriu. “Era uma árvore pequena, mas tinha folhas densas. Então, eu costumava sentar embaixo dessa árvore porque ela dava muita sombra. Isso pode parecer estranho, mas sempre que eu sentava debaixo dela, eu podia ouvir uma música vindo de algum lugar. Sempre que eu me encostava no tronco, eu podia ouvir uma melodia.” Ela não conseguiu evitar sorrir com a lembrança.
“Você não estava só sonhando?”
Choo-ja tinha dito a mesma coisa quando ela contou sobre isso. Uma vez, Lee-yeon tinha levado Choo-ja para a montanha para provar isso a ela, mas a floresta naquele dia estava embaraçosamente silenciosa.
“Era real”, disse Lee-yeon.
Lee-yeon tinha escalado a montanha novamente no dia seguinte. A melodia flutuou até ela como se estivesse esperando por ela o tempo todo. Foi então que ela percebeu que a árvore só cantava quando ela estava sozinha.
“Era um pinheiro?”
“Não, não era.” Lee-yeon balançou a cabeça. “Eu não me lembro claramente. Quando voltei lá para visitar, a área tinha sido desmatada para a revitalização.” Sua voz era monótona, mas seus olhos estavam cheios de uma certa nostalgia.
“Eu a chamei de ‘a árvore que canta sozinha’. Mas eu entendi que algumas pessoas chamam o pinheiro por esse nome. Então, eu também comecei a chamá-lo de pinheiro.”
“Parece um conto de fadas.” O homem sorriu suavemente.
Bzzzz, Bzzzz.
O telefone do homem tocou na mesa. Quando ele olhou para o telefone, seu rosto escureceu.
“Tudo bem. Você pode atender.”
O homem agradeceu e atendeu a ligação. “Sim, Ji Soo…”
Ele não era mais o homem calmo e atencioso de antes. Ele se mexia e olhava pela janela com os olhos marejados. Parecia ansioso.
“Você alimentou o bebê? E o remédio? Eu comprei mingau. Por que você não deu isso a ele primeiro?”
Lee-yeon o observava pelo canto dos olhos enquanto comia seu bolo.
“Bem, então… Eu passo aí no caminho para casa.” Ele pressionou a testa e soltou um suspiro. “Não diga isso! Eu te disse.” Ele elevou a voz e cerrou os dentes como se estivesse se esforçando para se conter.
Lee-yeon se perguntou o que estava errado enquanto dava outra mordida no bolo.
“Não se importe com a minha mãe.”
A mãe dele também está envolvida?
“Por que você está dizendo que isso não é da minha conta? Nós nos conhecemos desde o ensino fundamental!”, disse o homem, frustrado. “Se ele é seu filho, ele é meu filho também.”
Enquanto a conversa continuava, o bolo doce ficou repugnante na boca de Lee-yeon. Ao dar sua última mordida, ela observou o homem cuidadosamente, que mudava a cada segundo com aquela ligação.
Choo-ja, acho que acabei de ouvir algo hilário. Esse cara parece ter uma lógica distorcida. Não tenho certeza se ele sabe disso. Ele parece atencioso, mas algo parece estranho... Ele está fora.
* * *
Em uma pequena prefeitura.
A funcionária, que estava sentada na janela, derrubou os papéis na mão quando viu um cara alto e bonito entrar no escritório.
Os olhos do homem, que percorriam o escritório, pararam na funcionária.
“Olá”, cumprimentou a funcionária, nervosamente. “Como posso ajudar?”
Kwon Chae-woo ficou parado por um tempo, como se estivesse perdido em pensamentos, então ergueu as sobrancelhas. “Eu vim verificar um certificado de relacionamento familiar.”
Sua voz não continha emoção.