
Capítulo 61
Flores São Iscas
O rosto dele não mudou. Lee-yeon sabia que Kwon Chae-woo podia ser irritante quando ficava emburrado. "Você conhece o hospital. Eu o nomeei em homenagem a uma árvore de que gostava quando era jovem. Eu estava apenas recordando isso."
Foi aquela árvore que lhe deu esperança de viver quando ela se viu desesperada aos dezessete anos. Ela ainda se lembrava vividamente da floresta. A grama verde exuberante. A luz do sol filtrando-se pelas folhas. Lee-yeon conheceu uma árvore cantando naquela floresta.
Era a única memória preciosa e calorosa que ela tinha de sua infância.
"Agora que você não pode me dar para outra pessoa, está tentando me evitar mentalmente?"
Lee-yeon ia protestar quando Kwon Chae-woo gentilmente agarrou seu queixo e virou seu rosto para olhar em seus olhos. Parecia que ela estava divagando novamente sem perceber. Seus olhos calmos refletiam seu rosto.
"Eu sei que você se perdeu de novo só pelo seu rosto."
Lee-yeon sorriu sem jeito.
"Você não disse que era de uma família conservadora?"
"Eu sou", disse ela.
"Então parece que você só é conservadora comigo." Ele balançou a cabeça lentamente. "Eu sou entediante?"
"O quê?", perguntou Lee-yeon.
"Eu entendo que eu não seja tão divertido de se estar junto", disse ele. "Você só se interessa por árvores, e eu não sou interessante o suficiente para chamar sua atenção." Ele olhou para ela com decepção. Ele se recostou no sofá e fechou os olhos.
Ele suspirou. "Eu preferia ser um homem vegetativo de novo", disse ele. "Porque você só pensaria em mim então."
Lee-yeon ficou sem palavras. Ela não sabia o que dizer.
"Quando chegará o dia em que você poderá amar só a mim?" Sua voz melancólica a atingiu como um monte de tijolos. Suas palavras puxaram seu coração. Kwon Chae-woo abriu os olhos e olhou para ela.
O carpete macio tocava seus pés. Ela podia sentir o tecido quente do sofá. Ela estava ciente até dos vasos de flores que enchiam sua sala de estar.
Um silêncio ensurdecedor caiu. Cada segundo parecia uma hora.
Bzzz. Bzzz.
O telefone de Lee-yeon começou a tocar e rasgou o silêncio na sala. Seu rosto endureceu enquanto ela olhava para a tela do telefone. Lee-yeon abruptamente se levantou do sofá.
"Quem é?", perguntou Kwon Chae-woo.
"Ninguém", disse ela.
Ela rejeitou a chamada com seus dedos trêmulos. Ela deixou suas mãos caírem ao lado do corpo ainda segurando o telefone. Ele tocou de novo. Lee-yeon olhou para o telefone novamente. Kwon Chae-woo se inclinou e pegou o telefone de suas mãos antes que ela tivesse tempo de afastá-lo.
"Não!", ela gritou. "Kwon Chae-woo!"
Ele franziu a testa para o nome na tela do telefone. Kwon Ki-seok.
Lee-yeon se lançou sobre ele para pegar seu telefone de volta. Mas ele se esquivou dela e aceitou a chamada.
"Alô", disse Kwon Chae-woo.
Lee-yeon olhou furiosamente para ele. Ele ligou o viva-voz e colocou o telefone no sofá. Lee-yeon congelou. Ela estava sem ideias.
"Quem é você?", perguntou Kwon Chae-woo.
O homem do outro lado não falou. Kwon Chae-woo cerrou os dentes. Quem é esse desgraçado que assusta tanto Lee-yeon?
"É seu irmão", disse o homem no telefone. Lee-yeon podia ouvir o sorriso presunçoso em sua voz. Ela estremeceu.
Kwon Chae-woo ergueu uma sobrancelha para ela, interrogativamente. Ele estava perguntando a ela se isso era verdade. Lee-yeon assentiu.
"Então, Lee-yeon", disse a voz. Ela a lembrou de uma cobra escorregadia e venenosa. "Como você está?"
"Olá", ela sussurrou.
"Eu estive muito ocupado com o trabalho, então não tenho mantido contato", disse o homem.
Lee-yeon fechou os olhos com medo. Ela desejava que esse pesadelo terminasse. Que hora ruim! Se algum de nós deixar escapar alguma coisa, acabou.
Um deslize e tudo o que ela criou cairá. Ela será exposta. Lee-yeon mordeu os lábios.
"Eu ouvi as notícias", veio a voz do telefone. "Eu sei que ele acordou e não está em um estado normal."
Lee-yeon olhou para Kwon Chae-woo.
"Mas parece que você é interessante, afinal", disse o homem.
"Desculpe? O que você quer dizer?", perguntou Lee-yeon, temendo o pior.
"Fazer tal coisa", disse a voz. "Que imprudência!"
"Bem... eu...", gaguejou Lee-yeon. Seu coração estava batendo tão violentamente que ela pensou que iria explodir. Ela se lembrou do matadouro sangrento para o qual foi arrastada. Ela se lembrou de tudo com detalhes vívidos. Ela até se lembrou de agarrar a mão do empreiteiro enquanto ela pendurava do penhasco.
Ele sabia! Ele sabia das mentiras que ela havia inventado para domar seu irmão. Ele sabia de tudo!
"Claro, eu entendo por que você deve ter feito isso", continuou a voz intimidadora. "Talvez você tenha feito isso sem saber que tipo de homem ele é. Mas... você cometeu um grande erro."
Lee-yeon sentiu como se fosse sufocar. Ela estava prestes a enterrar a cabeça nas mãos quando sentiu Kwon Chae-woo gentilmente pegando suas mãos nas dele. A árvore alta, a noite iluminada pela lua e os fogos de artifício passaram por sua mente.
"Está tudo bem", disse ele para ela. "Eu não me importo. Eu nem consigo me lembrar do rosto dele de qualquer maneira, então eu não consigo realmente acreditar em toda essa besteira. Eu nem estou curioso sobre minha família." Kwon Chae-woo franziu a testa.
"Do que você está falando?", disse a voz do telefone.
E se Kwon Ki-seok revelar tudo? Lee-yeon fechou os olhos e se preparou para o pior. Ela tinha a sensação de que tudo isso ia dar muito errado.
"Eu estou falando sobre a competição. Eu ouvi dizer que você está participando do leilão?", disse a voz, de repente ficando amigável no tom. "Eu só queria te avisar que o processo de seleção pode ser extremamente difícil. Eles vão tentar de tudo para te fazer perder. Você é a única diretora participando. Além disso, é um grande projeto. Eles não vão escolher um pequeno hospital aleatório para isso a menos que você mostre a eles algo diferente e formidável."
Lee-yeon soltou suas mãos. Ela não sabia o que fazer. Ao mesmo tempo, ela sentiu uma sensação de alívio. Ela tinha pensado que Kwon Ki-seok teria revelado tudo só para provocá-la. O que ele está tramando?