Flores São Iscas

Capítulo 44

Flores São Iscas

Era uma tarde tranquila. Lee-yeon apreciava seu chá quente enquanto a luz do sol entrava pela ampla janela. Era o dia da inspeção do sono de Kwon Chae-woo e de uma visita ao Monte Dongak.

Ela ergueu a caneca aos lábios e observou o homem fazendo flexões sob a árvore sem vacilar. Seus braços e músculos das costas brilhavam ao sol. Suas pernas bem afastadas…

Não! Não! Lee-yeon lembrou-se de Kwon Chae-woo na outra noite, quando ele saiu do banheiro apenas com uma toalha enrolada na cintura. Ela balançou a cabeça, envergonhada. A parte inferior do corpo dele a lembrava de um cogumelo gigante e ela sempre tinha que se lembrar de não ser curiosa demais sobre isso.

“As pavoas focam na parte superior da cauda dos pavões de longe, mas focam na parte inferior quando estão perto.”

Lee-yeon quase derrubou sua caneca. Ela se virou para ver Gyu-baek caminhando em sua direção enquanto olhava pela janela. Seu rosto estava inexpressivo. Ela o cumprimentou calmamente, tentando afastar os pensamentos sobre Kwon Chae-woo.

“Há quanto tempo você está aí?” ela perguntou. “Você já comeu?”

“A diretora estava olhando para o órgão reprodutor do macho”, declarou Gyu-baek.

“Gyu-baek!”

“As pavoas valorizam a cor e o comprimento das penas. Forma e padrão também importam.”

Lee-yeon franziu a testa. “Pavoas muito exigentes.”

“A diretora também procura qualidades excelentes em um macho.” A criança insistiu confiantemente novamente.

“O quê?”

“Ela também é exigente.”

Lee-yeon ficou sem palavras. Ela enfiou um biscoito na boca de Gyu-baek para fazê-lo calar a boca. Por hábito, ela verificou atrás de suas orelhas para ver se havia sujeira. Depois de se certificar de que tudo estava limpo, ela lhe entregou um copo de leite.

Gyu-baek pegou uma enciclopédia grossa de sua bolsa e olhou para Lee-yeon novamente. Seus olhos eram afiados e claros.

“Diretora, cuidado com os elefantes.”

“Hã?”

“Tenha cuidado.” A criança tocou uma página do livro com o dedo com um rosto sério.

O Cio dos Animais

Era o capítulo que Gyu-baek estava lendo ultimamente. Um elefante enorme com as orelhas bem abertas preenchia metade da página.

“Um elefante macho, sedento por amor, se torna um monstro.”

“Hã?”

“Elefantes machos se tornam violentos quando estão no cio. É a época em que você nunca deve se aproximar deles.” Gyu-baek divagou. Seus dedos batendo no livro como se estivesse ansioso.

*cio – ciclo de calor dos animais

***

“Quando o cio começa, as têmporas do elefante incham e um fluido viscoso flui através de sua pele.” Era uma coisa bastante aterrorizante de se ouvir.

“Eles também se tornam incontrolavelmente ferozes. Elefantes que não conseguem controlar suas emoções atacam qualquer coisa que possa chamar sua atenção. A diretora precisa tomar cuidado com o macho.”

Se Gyu-baek sabia ou não o significado do termo cio, Lee-yeon estava apenas feliz em ver Gyu-baek falando tão apaixonadamente. Enquanto isso, os olhos de Gyu-baek não se desviavam da janela. Ela ficou surpresa que a criança estivesse mostrando interesse em algo além de insetos e enciclopédias.

Por que ele está tão interessado em Kwon Chae-woo?

“Quando os elefantes estão prontos para amar—”

Kwon Chae-woo parecia ter terminado seu treino, ele entrou pela porta. Lee-yeon enfiou outro biscoito na boca de Gyu-baek para fazê-lo calar a boca.

Eles ficam cegos pelo amor. A criança estava prestes a dizer se não fosse pelo pedaço de doce preso entre sua boca.

* * *

“Gyu-baek é apenas uma criança estranha. Ele não quer fazer mal por isso”, disse Lee-yeon a caminho do hospital em um caminhão velho que tinha um adesivo desbotado do ‘Hospital Spruce’. “Ele não estava te chamando de lêmure para ser rude…”

“Eu sei”, disse Kwon Cha-woo.

“Quando ele está obcecado por um tópico, ele simplesmente se apega a ele, não importa o quê.”

“Eu acho que sou semelhante nesse aspecto.”

Sua mão no volante tremia. Ela podia sentir seu olhar intenso desde o momento em que entrou no caminhão. Kwon Chae-woo, sentado do lado do passageiro, a encarava.

“Kwon Chae-woo, olhe para frente. Para frente.”

“Mas eu nem estou dirigindo, preciso?”

“Não será bom para você se eu causar um acidente por causa disso.”

“Você vai causar um?”

“Talvez!” Ela podia sentir de alguma forma o calor em sua pele. Ele suspirou como se não estivesse satisfeito. Mas ele virou a cabeça.

“Lee-yeon, preciso de um documento.”

Era um sinal vermelho. Lee-yeon pisou nos freios com tanta força que ela se lançou para frente quase batendo no volante. Kwon Chae-woo foi rápido. Ele colocou os braços entre ela e o volante, protegendo-a.


“Você está bem?” ele perguntou.

Lee-yeon estava hiperconsciente de seu peito pressionado contra seus braços. Ela não conseguia nem levantar a cabeça porque sentia seu rosto queimando de vergonha. Ela estava ciente do tecido separando seus mamilos de seus braços. Ela sentiu um formigamento lá embaixo e instintivamente fechou as pernas. Era uma sensação estranha.

“Lee-yeon, o que foi? Você está bem?”

“Não há nada de errado! Estou bem.”

Lee-yeon se encostou em seu assento. “Hum… Kwon Chae-woo, você está perto demais.”

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