
Capítulo 26
Flores São Iscas
Splash—
O barulho da água era assustador agora. Isso é loucura! Absolutamente loucura! Depois de entrar na banheira, Lee-yeon virou as costas para a porta e ficou de frente para a parede. Embora fosse ela quem estivesse tentando enganá-lo, sentia que estava perdendo.
— Toc, toc.
Ele bateu na porta do banheiro.
“E-entre.” Seu coração disparou. Ela tinha testemunhado esse homem enterrando uma pessoa viva na montanha dois anos atrás. Ele tinha tentado matá-la também!
Será que é realmente certo fazer isso? Eu quero apagar este momento. O ar nebuloso do banheiro a deixava mais tonta.
“Lee-yeon.”
Ela já estava familiarizada com o som de sua voz chamando seu nome. Ela estava cercada por ar quente e água quente, mas uma frieza tocou seu coração. Kwon Chae-woo arrastou a cadeira para mais perto da banheira.
“Você está se sentindo bem?”, ele perguntou.
“Sim.”
“É só as costas que você quer que eu lave?”
“S-sim!” Lee-yeon intencionalmente fez a água espumar para fazer mais bolhas na banheira.
Desde o momento em que Kwon Chae-woo entrou no banheiro, ela olhou fixamente para a parede. Ela pensou que era imensamente melhor virar as costas para ele do que encará-lo, pois, nesse caso, ele poderia ver seu peito.
“Você está usando calcinha?” Ela podia ouvir sua risada fraca.
“O quê?! Você consegue ver isso?” Lee-yeon estremeceu. Ela fez uma nuvem de bolhas ao seu redor para obscurecer tudo. Ela podia sentir o olhar dele.
“Você está usando isso porque está envergonhada?”
“Não deveria ser você o mais envergonhado aqui? Você não tem memória nenhuma. E-eu estou bem acostumada com isso, mas estou preocupada que possa ser desconfortável para você me ver assim…”
“É mesmo?” Kwon Chae-woo mergulhou a mão na água da banheira e Lee-yeon estremeceu de repente. Suas costas enrijeceram. Suas palavras eram o oposto de suas ações.
“Por que você está agindo tão fofa, Lee-yeon?”
Ela tinha que adivinhar suas ações apenas confiando em sua audição. Isso a deixava ainda mais nervosa.
“Por que você ainda está sendo desnecessariamente atenciosa?” Ele riu brincando. Sua mão ainda estava dentro da água. Lee-yeon queria se virar e encará-lo, mas não tinha escolha. Ela não queria mostrar a ele sua frente.
Kwon Chae-woo também não estava tão calmo quanto demonstrava. Quando viu suas costas esguias, sentiu um desejo de tocar sua pele, acariciá-la. Não havia parte de seu corpo que não chamasse sua atenção. Se eu me tornar ganancioso e deixar meus desejos me consumirem, ela vai fugir?, ele se perguntou. Ele olhou para suas costas, sua nuca, seus ombros frágeis e sua cintura fina.
Kwon Chae-woo sentiu um tremor na parte inferior de seu corpo. Ele já estava excitado. Ele lamentou ter perdido a memória. Talvez ele tivesse permissão para tocar cada parte de seu corpo antes. Ele teria aberto suas pernas e a beijado.
Kwon Chae-woo franziu a testa. Ele queria sua memória de volta. Ela tinha dito que eles não eram sexualmente compatíveis, mas seu corpo dizia o contrário. Nunca houve um momento como este em que ele desejou suas memórias de volta tão desesperadamente.
“Lee-yeon, o que é isso?” Ele deixou escapar enquanto seus dedos deslizavam pela pele de suas costas, traçando suas cicatrizes.
“Pegue uma toalha! Uma toalha!” Lee-yeon exclamou, tremendo com o toque dele.
Mas Kwon Chae-woo apenas acariciou as velhas cicatrizes de Lee-yeon sem dizer uma palavra. Ele deixou seus dedos demorarem um pouco acima de cada uma delas como se pudesse absorvê-las em sua pele. “Você foi maltratada?”
“Não é nada.” O toque dele a fez tremer. Ela virou o rosto para olhá-lo por cima dos ombros.
“Isso não é uma resposta.”
Ela abaixou a cabeça sobre os joelhos. Vê-la desanimada daquele jeito o deixou triste. Ele queria morder sua nuca. Suas emoções estavam todas confusas. Um desejo insuportável se instalou dentro dele. Ele empurrou a cadeira para trás e se levantou. “Quem fez isso com você?”
Uma cicatriz é um sinal de abuso, pensou Kwon Chae-woo. Ele não precisava de sua memória para entender isso. As cicatrizes pareciam que sua pele havia sido esfaqueada com uma ponta afiada, talvez a ponta de uma caneta ou tesoura. Ele franziu a testa.
“Você não precisa me contar se não quiser.”
Lee-yeon balançou a cabeça. Não era que ela não quisesse falar sobre isso, mas ela estava apenas confusa. Isso era tudo muito novo para ela. Ninguém nunca havia perguntado sobre isso em toda a sua vida. Ninguém nunca havia se interessado por sua vida. Então ela não sabia como responder.
As pessoas a culpavam por isso. Todos presumiam que ela era uma criança problemática que não valia nada, então sua família era quem estava tendo dificuldades para lidar com ela. Ela pensava que merecia o abuso e a negligência que recebia.
Lee-yeon jogou um pouco de água no rosto e esperou que seus olhos parassem de arder. “Minha família.”
Kwon Chae-woo permaneceu em silêncio. Suas suspeitas sobre Kwon Chae-woo ser ‘gentil e bondoso’ começaram a se fortalecer. E se ele tivesse feito isso também antes de perder suas memórias? Não eram apenas as cicatrizes, ele podia ver manchas pretas onde hematomas costumavam estar em sua pele.
“Tudo bem. Você não precisa acreditar em mim”, disse Lee-yeon com resignação.
“Eu acredito em você”, disse Kwon Chae-woo imediatamente. Os ombros de Lee-yeon se contraíram. “Sua família deve ter sido bem lixo para fazer isso com você.”
“Eu não sei, mas deve ter havido uma razão para isso.”
“Não há razão forte o suficiente para bater em uma criança até deixar cicatrizes.” Ele cerrou os dentes, reprimindo sua raiva.
“Pode acontecer mesmo quando você ama demais seu filho.”
Ele tinha se apressado em direção a ela sempre desde o momento em que acordou, tentando se aproximar dela, como um animal no cio. Kwon Chae-woo estava destruído pela culpa. Ele agora podia adivinhar a razão por trás de sua aversão ao toque, ou qualquer forma de intimidade. Kwon Chae-woo congelou como se a verdade o tivesse atingido como um golpe.
“O amor pode se transformar em raiva tão rápido”, disse Lee-yeon. “Humanos são diferentes de árvores. Eles não amam incondicionalmente apesar de suas alegações. Quando alguma coisa dá frutos ruins, as pessoas não suportam.”
Kwon Chae-woo fechou os olhos com força. Tudo fazia sentido. Ele finalmente podia entender seus comportamentos. Ele não conseguia afastar o pensamento de que ele poderia ter sido parte do problema. A maneira como ela estava aterrorizada com ele poderia significar que o casamento deles também tinha feito coisas terríveis com ela.