
Capítulo 25
Flores São Iscas
“Então você vai fazer isso de verdade?” perguntou Choo-ja, surpresa. Ela tinha acabado de voltar.
Choo-ja sabia bem da aversão de Lee-yeon a interagir com outras pessoas. Os seguidores constantes de Lee-yeon desde o ensino fundamental até a universidade eram boatos, não amigos. Ela sempre ficava muito ansiosa e constrangida perto de outras pessoas.
“Você realmente vai fazer isso?” perguntou Choo-ja novamente.
“Sim.”
“Você não disse que poderia ter câmeras e gente demais?”
“Eu posso ser eliminada antes mesmo que isso aconteça…” Lee-yeon mexia as mãos nervosamente e evitava o olhar de Choo-ja. “Por enquanto, meu único objetivo é derrubar o Hospital D.”
Choo-ja só conseguiu piscar, perplexa. Ela parecia tão determinada. *Por que ela está tão determinada olhando para Kwon Chae-woo desse jeito?* Choo-ja observou Lee-yeon atentamente. *Aconteceu alguma coisa?*
“Desculpe, não estou sendo de nenhuma ajuda,” disse Kwon Chae-woo.
“Não! Tudo bem. Você sempre esteve aqui.”
O rosto dele se fechou. Por mais que pensasse sobre isso, as palavras dela não soavam como o elogio que deveriam ser. “Lee-yeon, o que você gosta em mim? Eu não posso ajudar nem de dia nem de noite. Me sinto inútil.”
“É porque você era como uma planta.”
“O quê?”
*Ops.*
Lee-yeon sorriu para ele, tentando desfazer o estrago. “Eu quis dizer que você sempre foi tão quieto e gentil, perdido no seu próprio mundo,” ela disse, “Muitas vezes você não atendia minhas ligações. Eu sempre fui quem falava sem parar, enquanto você me ouvia em silêncio.”
Choo-ja assentiu, apoiando a afirmação dela. Ela provavelmente estava falando da época em que ele estava em estado vegetativo. *Meu Deus… ela consegue inventar mentiras muito convincentes.*
“…E eu fiquei mais à vontade com você com o passar do tempo.”
Choo-ja franziu a testa. Ela não tinha certeza se Lee-yeon estava mentindo para soar como a verdade ou se seus verdadeiros sentimentos estavam realmente saindo da sua boca agora. Às vezes, quando você luta contra um monstro, você se torna o monstro. Choo-ja olhou para Lee-yeon. *Será que ela está mentindo para enganá-lo ou a si mesma?*
“Isso responde à sua pergunta?” perguntou Lee-yeon.
Kwon Chae-woo encarou Lee-yeon profundamente, como se seu olhar estivesse tentando afogá-la.
“Devíamos ir para a cama agora?”
O momento finalmente tinha chegado. Ela sabia, desde o momento em que o acordou, movida por uma simpatia desnecessária, que não conseguiria inventar uma desculpa convincente o suficiente para se recusar a dividir a cama com ele. Ela não conseguia encontrar uma saída para esse problema. Se sugerisse usar quartos separados, dúvidas e perguntas certamente surgiriam. E Kwon Chae-woo desconfiaria dela para sempre.
“Eu vou tomar um banho e te encontro no segundo andar,” ela disse.
“Bem, podemos tomar banho juntos então?”
“O quê?! Não,” disse Lee-yeon, chocada.
“Por que você está tão surpresa?” perguntou Kwon Chae-woo.
“Porque eu… eu fui criada em uma família conservadora,” ela disse apressadamente. “Sempre me ensinaram que era um escândalo até sentar perto de um menino depois dos sete anos. Eu sei que parece estranho, mas foi assim que fui criada.”
“Uau… isso inclui seu marido também?”
“Casamento não é passe livre para tudo, sabia?”
“Então o que é?” Kwon Chae-woo se aproximou dela. “Me ensine, Lee-yeon,” ele disse suavemente. “Há muitas coisas que eu esqueci.”
Ela tentou dizer algo, mas ficou sem palavras.
“Lee-yeon?”
“S-sim?!” ela gritou.
“Acho que minha autoeficácia vai diminuir se você continuar evitando fazer qualquer coisa comigo. Você nunca me *usa* como seu marido.”
Lee-yeon não conseguiu responder.
“Por eu ser assim, você me negligenciou por uma semana e não me acordou. Você realmente não precisa de mim. Estou errado?”
Seu sangue de repente gelou. Ele não estava errado, e isso a deixou frustrada e envergonhada. Parecia que o homem tinha lido seus pensamentos mais íntimos, aqueles que ela mais queria esconder.
“O médico disse que nada é certo ainda. E eu sempre estive ao seu lado quando você estava dormindo…”
Eram desculpas patéticas e ela sabia disso. Até Lee-yeon achava suas desculpas mornas, e sua voz foi sumindo. O homem balançou a cabeça como se não se importasse.
“Eu só sei que você segura minhas manhãs.” As palavras dele evocaram um estranho sentimento de culpa nela. Sua falta de sinceridade poderia fazê-lo duvidar de tudo.
“Tudo bem se você não quiser me ensinar,” ele disse, “Mas não deixe que isso me impeça de fazer meu trabalho como seu marido.”
“E esse ‘trabalho’ envolve tomar banho juntos?” perguntou Lee-yeon relutantemente.
Ele inclinou a cabeça e olhou para ela. “Eu não entendo, Lee-yeon. Do que você tem medo? Nós certamente já fomos íntimos em nosso relacionamento antes, certo? Isso é só um banho.”
Lee-yeon ficou sem palavras. Suas mentiras estavam voltando para mordê-la.
“A razão pela qual não tínhamos interesse em fazer sexo pode ser provavelmente porque estamos sempre tão distantes,” ele sugeriu, “Seja um pouco mais aberta comigo.”
Lee-yeon ficou sem desculpas e não tinha mais nada a dizer. Ela só queria que ele ficasse quieto. “Okay,” ela disse, “Eu vou deixar você lavar minhas costas. Só minhas costas, nada mais.”
Ele sorriu contente.