
Capítulo 1310
O Retorno do Assassino de Nível Divino BL
Luo Yan cobriu o avô, puxando os lençóis até o peito. Os olhos do velho já estavam pesados, o longo dia finalmente cobrando seu preço. Antes, seus irmãos e primos haviam entrado um a um para dizer boa noite.
Ele ajustou o cobertor uma última vez e o alisou sobre o ombro do avô. Sentou-se na beira da cama por um momento, observando o rosto do outro à luz fraca do abajur. Sua respiração era lenta e uniforme, já caminhando para o sono.
— Boa noite, vovô — disse Luo Yan suavemente.
Os olhos do avô abriram-se apenas uma fresta. Um leve sorriso tocou seus lábios. — Boa noite, Xiao Yan. — Ele fez uma pausa, sua voz suave e lenta. — Estou feliz. Por ter podido passar mais tempo com você.
Luo Yan inclinou-se e beijou gentilmente a testa do avô. — Eu também, vovô. Durma bem.
Ele levantou-se, caminhou até a porta e apagou a luz. Pausando no limiar, olhou para trás, para a forma escura na cama. Algo puxou seu peito, um sentimento que ele não conseguia nomear. Ele balançou a cabeça levemente, imaginando que provavelmente só tinha comido demais no jantar, e puxou a porta para fechá-la atrás de si.
Quando Bai Zhen ouviu o clique da porta ao fechar, um sorriso sereno instalou-se em seus lábios. Ele fechou os olhos. Seus pensamentos tornaram-se suaves e nebulosos, como nuvens passando. Seu corpo parecia leve, à deriva. E então, de algum lugar próximo, ele ouviu uma voz. Uma voz da qual sentia falta há mais tempo do que conseguia medir.
— Ah Zhen.
Quando ele abriu os olhos, ela estava lá. A mulher mais bonita que ele já vira. Pequena e graciosa, com longos cabelos negros caindo além dos ombros. Ela estava diante dele em um cheongsam [1] prateado.
— Yingying.
Sua esposa sorriu e caminhou em sua direção. Ela levantou a mão e acariciou suavemente sua bochecha. — Ah Zhen, senti sua falta.
Bai Zhen sentiu lágrimas encherem seus olhos. Ele não conseguia mais conter. Ele a alcançou e a abraçou com força. — Yingying — ele sussurrou contra o ombro dela. — Yingying.
Seus braços macios envolveram-no. Ela deu tapinhas gentis em suas costas. — Estou aqui agora. Não vou deixá-lo novamente, meu Ah Zhen.
Bai Zhen não sabia quanto tempo ficaram assim. Ele não se importava. Ele só queria que aquilo continuasse. Então, ele segurou sua esposa com mais força, os braços envoltos nela como se nunca fosse soltá-la.
— Ah Zhen — ela chamou suavemente. — Vamos ver Hua-er agora?
Bai Zhen olhou para sua esposa, a confusão clara em seu rosto. — Hua-er também está aqui?
Como se em resposta, uma voz que ele conhecia melhor do que quase qualquer outra chamou por eles.
— Mamãe! Papai!
Ele virou-se para a voz e viu uma linda garotinha acenando para eles a uma curta distância. Naquele mesmo momento, o espaço ao redor mudou. De repente, eles estavam em um vasto campo coberto de flores.
Yingying virou-se para ele e estendeu a mão. — Vamos, Ah Zhen.
Bai Zhen estendeu a mão para a dela, mas parou, hesitante. Como se sentisse seus pensamentos, sua esposa falou antes que ele pudesse.
— Eles ficarão bem, Ah Zhen. Nossa família ficará bem.
Ouvindo isso, ele deixou de lado suas preocupações e segurou a mão dela. Eles sorriram um para o outro e então caminharam juntos através das flores em direção à filha que os esperava adiante.
Luo Yan levantou-se cedo da cama. Seu pai e irmãos voltariam para a Cidade S hoje. Luo Jin queria ter ficado mais alguns dias, mas ele já estava no último ano do ensino médio agora. Ele não podia se dar ao luxo de perder aulas. Luo Yan imaginou que seu irmão mais novo esperava pelo menos ter um encontro de verdade com Su Yuqi antes de partir. Mas Su Yuqi esteve ocupada na semana passada, então isso nunca aconteceu. Agora, Luo Jin estava prestes a voltar para casa. Ah, bem. Não havia nada a ser feito sobre isso agora. Talvez eles pudessem se encontrar em Arcadia e ter um encontro por lá.
Depois de escovar os dentes, fazer sua rotina matinal de cuidados com a pele e trocar de roupa, Luo Yan saiu do quarto. Ele foi direto para o quarto do avô primeiro. Àquela hora, o outro ainda estaria dormindo. Mas checar como ele estava todas as manhãs havia se tornado um hábito. Especialmente agora, com a enfermeira do avô ainda de férias. Ele queria ter certeza de que estava tudo bem.
Luo Yan chegou ao quarto do avô e pausou do lado de fora da porta. Ele girou a maçaneta lentamente, empurrando-a apenas o suficiente para deslizar para dentro sem fazer barulho. O quarto estava escuro, com as cortinas fechadas, a suave luz da manhã mal penetrando pelas frestas. Ele caminhou na ponta dos pés até a beira da cama e olhou para o rosto adormecido do avô.
Por um momento, ele apenas ficou ali observando. Ele desejava, mais do que tudo, que seu avô acordasse da mesma maneira que fizera ontem. Mas ele sabia melhor do que ter esperança disso. Dias como ontem eram raros. Eles vinham sem aviso e partiam tão rápido quanto. Na maioria das manhãs, seu avô acordava perdido, confuso, alcançando uma esposa que já não estava mais lá ou uma filha que partira há anos. Luo Yan aprendera a não esperar nada.
Luo Yan estendeu a mão e puxou o cobertor para cima, cobrindo os ombros do avô. Enquanto o fazia, sua mão roçou o peito do outro, e ele não sentiu nada. Nenhum subir ou descer. Ele esperou um momento, com a mão ainda ali, mas não houve movimento.
Ele moveu a mão, pressionando dois dedos sob o nariz do avô. Nenhuma respiração. Nada. Seu estômago despencou. Ele pressionou a palma da mão espalmada contra o peito do avô, procurando por um batimento cardíaco, mas não havia nada. Agarrando o pulso do avô, ele pressionou, sentindo por um pulso. Nada. Seus dedos tremiam tanto que ele mal conseguia mantê-los no lugar. Ele pressionou com mais força, procurando, mas ainda não encontrou nada.
Seu próprio coração bateu violentamente contra sua costela naquele momento.
Ele soltou o pulso e agarrou o ombro do avô, sacudindo-o. Nada. Ele o sacudiu com mais força até que a cabeça do avô tombou para o lado.
— Vovô? — Sua voz falhou. Ele o sacudiu novamente. — Vovô, acorde. Por favor.
[1] - *Cheongsam*: Vestimenta tradicional chinesa feminina, geralmente justa e elegante.