
Capítulo 937
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Michael começou a juntar as amendoins do chão e colocá-las de volta na cesta de palha do velho.
"Ah, não precisa fazer isso, moço. Parece que você está com pressa," disse o velho, tentando empurrar Michael na direção do ônibus.
Mas mesmo enquanto o ônibus emitia aquele sinal característico de TSSSHH indicando que as portas estavam se fechando, Michael continuava a recolher as amendoins sem se importar com mais nada.
"Tudo bem. Foi minha culpa mesmo," disse ao velho.
Ele sabia exatamente o quanto as pessoas como eles ganhavam por dia. Conhecia as dificuldades de caminhar dezenas de quilômetros só para vender amendoins quentinhos para gente que ignorava eles 99% das vezes.
Entendia o sacrifício que tinham que fazer. Assim como seu pai.
Por isso, não podia simplesmente deixar o velho perder toda a sua fonte de renda por causa de um erro dele. Poderia ser a diferença entre ele colocar comida na mesa da família ou não.
A maioria das pessoas considerava aquilo um acidente infeliz. Os estudantes ao redor só olhavam, sem fazer nada, achando que as amendoins derrubadas não valiam o esforço.
Mas Michael sabia o valor até mesmo de uma única amendoim.
Claro, aquilo não deveria ser tão importante quanto uma prova de ingresso na faculdade de engenharia mais prestigiada do país. A única coisa sensata a fazer era pedir desculpas e deixar o velho cuidar do seu ônibus.
Porém, ele simplesmente não conseguia no fundo do coração deixá-lo sozinho. Seria como uma ferida que ficaria na alma e nunca cicatrizaria. Ele se sentiria tão culpado e angustiado que não conseguiria se concentrar na prova de jeito nenhum.
Ia contra tudo nele.
Ele estendeu a mão para pegar uma única amendoim que ainda estava no chão, quando sua mão acabou trombando com outra.
Ele levantou os olhos e viu uma figura encapuzada ajoelhada ao seu lado, recolhendo as amendoins do chão.
Michael não conseguiu ver o rosto dela, pois os olhos estavam escondidos por óculos escuros e a boca coberta por uma máscara médica. Mas havia algo nela que lhe parecia familiar.
Não só isso, ao se aproximar, ele percebeu um cheiro que lhe era familiar. Era uma fragrância deliciosa, doce e revigorante. Nunca tinha sentido um perfume tão marcante antes.
"Aqui está o último lote," disse a figura de capuz, a voz feminina e suave. Ela devolveu a cesta de madeira com as amendoins, mesmo sem se importar com as mãos sujas no processo.
"Ah, obrigada, querida. Você é uma moça muito gentil, né?" perguntou o velho.
A garota de capuz deu uma risadinha, mas ficou em silêncio, sem responder.
Enquanto isso, Michael ficou encarando aquela figura de capuz por um bom tempo, tentando entender o que a fazia tão familiar aos seus olhos. Havia algo nela, uma característica peculiar que deveria torná-la reconhecível de imediato. Mas ele simplesmente não conseguia ver direito o rosto.
"Puliard?" ela perguntou a ele.
Isso despertou Michael de seu devaneio. "Heh?"
"Sua camisa," ela apontou para a jaqueta de time do ensino médio. "Você estuda naquela escola?"
"Sim," respondeu ele.
"Nossa... Sempre achei que os rapazes que estudam no Puliard só se importavam com os estudos. Nunca pareciam o tipo de ajudar um velho," ela disse de forma casual.
Michael deu uma risadinha. "Sou diferente."
Depois, percebeu um celular saindo do bolso da camiseta dela. Seus olhos se arregalaram de surpresa. Este telefone era a versão mais nova do aparelho mais popular do mundo! E o mais impressionante: ainda nem tinha sido lançado ao público geral!
"E imagino que você seja do centro da cidade," ele falou.
A garota de roupas incomuns claramente usava algo para esconder sua verdadeira identidade. Mas Michael conseguiu perceber um toque de 'luxo' ao observá-la. Mesmo que parecesse simples, as marcas das roupas de marca que ela vestia provavelmente valiam facilmente dezenas de milhares de reais.
Isso o surpreendeu bastante. Sempre pensou que quem morava na parte alta da cidade fosse superficial e só se importasse em ostentar riqueza.
Ele já tinha visitado aquele bairro uma vez, e as pessoas sempre lançavam olhares julgadores por ele usar roupas normais, de segunda mão, que não custavam uma fortuna.
E, por mais que tentasse, sempre julgou as pessoas ricas e favorecidas por causa disso.
"Achei que pessoas de classe alta como você nem se manchariam," ele disse brincando, com tom de provocação.
Isso poderia ter ofendido qualquer um. Mas ela só deu uma risadinha.
"Haha, sou diferente," ela respondeu.
Michael também deu risada, e os dois sorriram diante do preconceito invertido.
"Hohoho, vocês formam um belo par," disse o velho, percebendo a atmosfera que se formava entre eles.
Agora, Michael poderia ser um homem que dedicou a vida inteira aos estudos, mas não era imune aos desejos da juventude. Ele também tinha romance e paquera fervilhando em sua cabeça.
Por algum motivo, parecia gostar daquela garota que mal tinha conhecido. Na verdade, as palavras do velho fizeram sua imaginação fluir de repente.
Surpreendentemente, parecia que ele não era o único.
"...Oi, hum. Você está livre amanhã à noite?" perguntou a garota timidamente, as bochechas coradas mesmo com a máscara. "Encontre comigo neste lugar, no mesmo horário."
Michael parou, tonto. A voz delicada dela parecia capaz de fazer qualquer um se desmayar por dentro. E ele também sentiu uma excitação visceral no peito.
Mas… ele não soube o que responder. Nunca tinha passado por uma situação assim antes.
"Eu—"
Justo quando ia falar algo, ouviu um grito animado de poucos metros de distância.
"MEU DEUS! É A YUNA!"