
Capítulo 879
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Michael ficou sério diante da confissão macabra da menininha.
Por um instante, sentiu-se culpado por sua atitude leviana. Era só um pequeno favor! Que homem desprezível ele era se não sentisse nem um pingo de pena dela.
Mas, no segundo seguinte, todas essas emoções foram descartadas pelo vaso sanitário da sua mente.
"...Sério? Dá pra te ver fazendo uma parada de mãos agora mesmo."
Ele viu o contorno de mana do corpo dela através da porta de madeira, e ela não parecia uma garotinha doente, magra e morrendo.
Ela se apoiou usando as mãos, com os pés vigorosamente chacoalhando e balançando no ar. Ele até podia ver ela fazendo caretas pra ele de trás da porta, aquela pitiquinha mentirosa.
"Ei?! Como é que você consegue me enxergar? Essa é a magia humana que o Farren fica me falando?"
Michael cruzou os braços, indignado. "Não tô falando com mentirosa."
"Ah, eu não sou mentirosa. Eu sou a Lyra."
Ele balançou a cabeça, exausto de tratar com uma criancinha agitada, mentirosa, de língua solta.
Pensando melhor, ele não deveria ter acreditado nela. Afinal, ela conseguiu se segurar com firmeza numa videira a centenas de metros de altura na primeira vez que o viu depois, né? Nenhuma criança comum conseguiria escalar uma superfície tão escorregadia daquela forma, especialmente uma à beira da morte.
Ele até olhou para o Coração Dao dela e... achou bem normal, embora um pouco fraco. Mas era de se esperar de uma pestinha chorona.
Porém, então, ele percebeu algo.
Ele arregalou os olhos, usando seu talento supremo para espiar através da composição de mana de seu corpo.
A luz de mana que envolvia seu corpo era tão natural quanto de qualquer outro bestial, aquelas partículas de luz branca borbulhavam e fervilhavam a cada movimento, como se sua vitalidade a alimentasse ainda mais a mana.
Mas, ao observar melhor, notou alguns pontos negros ao redor da mana luminosa. Eles surgiam de forma errática, como manchas em uma tela branca que pareciam aparecer e desaparecer toda hora que você focava nelas demais.
Aquilo era mana sombria. Esses pontos negros de luz indicavam final, destruição e morte.
"Espera, quer dizer que você tava sendo sincera?"
A menininha assentiu. "Claro que sim! Agora, me devolve meu brinquedo?"
Nesse momento, ele se sentiu mal por duvidar dela.
Ela parecia bem agora, com sua enfermidade aparentando ter diminuído o suficiente para viver uma vida normal e saudável, mas ainda havia resquícios da doença em seu corpo.
Infelizmente, sua saúde era passageira e efêmera.
"Beleza...," ele cedeu. "Mas, se eu fizer isso, você tem que fazer um favor pra mim. Tem que falar bem da minha pessoa pra sua senhora Farren."
"Ahhh, entendi, entendi," disse Lyra com uma risadinha. "Vou falar bem, com certeza. Vou enfatizar sua generosidade, senhor."
Porém, se você realmente quer impressioná-la, deveria acabar com aqueles vândalos. Ela não precisaria trabalhar tanto toda noite, e teria tempo pra sair em um encontro."
"O quê?! Não, isso... tanto faz. Só espera aqui e eu vou fazer seus brinquedos."
Exausto daquela conversa tumultuada com a agitadinha da Lyra, Michael voltou ao cômodo que lhe deram para buscar conforto e descanso.
Deixou a chave de bolota na fresta da porta, entrou e encontrou uma cama de solteiro simples e uma mesa no estilo árvore do outro lado.
Isso seria suficiente, não como um lugar para dormir, mas para montar suas criações.
Agora, que brinquedo aquela menininha problemática gostaria? Aposto que ela quer algo que não se acha no Reino dos Elfos.
Michael decidiu ir além. Planejava dar a ela algo que nem neste mundo poderia ser encontrado.
Depois de pensar um pouco, só conseguiu imaginar duas coisas: uma que uma garotinha delicada do subúrbio gostaria, e outra que um garoto nerd das ruas curtiria. Lyra parecia caber em ambas as categorias.
Sem perder tempo, começou a criar uma obra-prima de artesanato que um colecionador apaixonado enalteceria como inestimável.
Um círculo de magia apareceu em cada uma de suas mãos, um emanando uma cor rosada, enquanto o outro tinha um tom frio de azul.
No círculo rosa, algodão começou a se formar, aglomerando-se e assumindo a forma de um homem de neve, com orelhas arredondadas e membros cilíndricos. Então, fios de seda começaram a entrelaçar na superfície, formando uma pele rosa, felpuda.
Era um urso de pelúcia rosa padrão, sem infringir direitos autorais, com sorriso adorável, olhos arco-íris e mãos acolhedoras, prontas para um abraço apertado.
Ele até instalou dentro uma caixa de som simples, que soltava respostas aleatórias como se fosse um brinquedo de verdade.
Já no círculo azul, uma ponta afiada surgiu a partir de peças de metal sobrantes. A parte superior, mais larga, tinha formas que pareciam chamas saindo como espinhos, enquanto na base havia uma ponta bem afiada. Era um pião de alto desempenho, feito para batalhas intensas, que espirrava faíscas ao contato e lançava adversários pelo cenário.
Ele até fez um launcher compatível, com a corda resistente e um rotor giratório.
Quando esses dois brinquedos estiverem prontos, ele voltou até a porta da Lyra e os apresentou com confiança e orgulho.
Os olhos do urso de pelúcia se iluminaram, e ele começou a dizer palavras confortantes. E ao lado, o pião girava no lugar.
"Viu só? Como eles são incríveis?"
"...Chato."
Michael ficou boquiaberto, seu coração partido. "O quê?! Abre a porta pra você verem eles em ação com seus próprios olhos. Você claramente não consegue ver a verdadeira beleza por trás disso."
Mas Lyra foi firme na crítica. "Por que eu ia querer um urso de pelúcia que fala? É só sujar, perder e perder de vista. E aquele pião... ele vai parar de girar no final das contas."
Michael coçou a cabeça, frustrado. A lógica dela não fazia sentido nenhum! Claro que o urso ia ficar sujo! Claro que o pião ia parar de girar!
"Só isso mesmo?" Lyra suspirou, desapontada.
Michael queria desistir. Se esses dois não a satisfaziam, nada mais iria.
{DING!}
De repente, seu telefone vibrou alto, avisando de uma mensagem. E, antes que pudesse pegar o aparelho no bolso...
"O que é isso?!" Lyra perguntou, de repente cheia de energia.