
Capítulo 813
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Se ela pudesse simplesmente passar os seus dias bebendo cerveja, assistindo a partidas emocionantes de beisebol e aproveitando o show de fogos de artifício todas as noites, ela faria isso sem hesitar.
Mas, infelizmente, o título de Duquesa exigia que ela voltasse ao seu próprio território e o administrasse como uma rainha deve fazer.
"Duquesa? Chegamos," disse seu mordomo.
"Sei, sei," ela respondeu, já exasperada. Ela abriu a porta da carruagem e saiu, encontrando-se na mansão espaçosa que tinha, com uma vista que abarcava toda Metrópole.
Essa era uma vista que muitos matariam para ter. Mas, para a Duquesa, ela trocaria todo esse castelo por uma casa simples no País do Renascimento, se pudesse.
"Haaa," ela suspirou, empurrando os pés para entrar.
Assim que abriu a porta, sentiu apenas silêncio.
Seus filhos e netos continuavam naquele paraíso, aproveitando-se ao máximo.
Ela até ofereceu a Harry ou Elizabeth a coroa, para que não precisasse voltar aqui, mas eles recusaram. Estavam felizes e satisfeitos com suas novas vidas lá. Seus netos fizeram amizades, então ela não poderia pedir que fossem com ela. Não seria justo com eles.
Assim, ela permaneceu sozinha em seu grande castelo, forçada pelo dever de cuidar de Metrópole, para que ela não caísse em ruínas.
As primeiras noites foram as mais difíceis. Ela sentia falta de visitar as casas na árvore com a família e assistir aos desfiles nas ruas. Sentia falta de frequentar as tavernas e beber cerveja com os anões, como uma pessoa normal.
Sintia falta do conforto que o País do Renascimento lhe oferecia.
O pior era a dor de cabeça que tinha que suportar, pois toda a papelada finalmente se acumulava sobre ela.
"Duquesa, você precisa tomar uma decisão sobre nossa política aqui…"
"Múltiplas empresas estão solicitando sua aprovação, Duquesa…"
"Você tem reuniões amanhã até a próxima semana, Duquesa. Não podemos mais adiar…"
Na sua ausência, muitas de suas responsabilidades se acumularam. Isso aconteceu especialmente por causa da emergência de Nova Esparta. Isso fez muitas empresas agirem para garantir que não ficariam para trás na corrida para chamar a atenção dos Beastfolks.
"Tenho que agradecer ao Alaric," ela disse, massageando as têmporas enquanto olhava suas cartas antigas. "Ele já providenciou que as empresas em Metrópole se unissem."
Ela conhecia bem as implicações políticas de Nova Esparta.
Metrópole era somente o território mais bem-sucedido nas regiões inferiores da Região das Rainhas por causa das conexões com os conglomerados e duas grandes organizações.
Mas, com a chegada dos Beastfolks, haveria uma grande mudança nas classificações.
Se Metrópole não se unisse para competir em Nova Esparta, os outros territórios poderiam finalmente alcançá-los, e eles perderiam o primeiro lugar. Como consequência, pessoas e empresas deixariam Metrópole em busca de pastos mais verdes, agravando ainda mais o declínio.
"Como estão as coisas em Nova Esparta, 001?" ela perguntou.
De repente, um homem vestindo uma roupa toda preta, que cobria metade do rosto, apareceu ajoelhado ao lado da Duquesa.
Ele era parte do Serviço Secreto dela, seus olhos e ouvidos nos lugares onde ela não podia estar.
"As regiões menores conquistaram seu espaço em Nova Esparta. Algumas formaram alianças com os Beastfolks, enquanto outras ainda lutam para aproveitar essa oportunidade," respondeu 001.
"E quanto a esses dois?" a Duquesa perguntou, com a intenção óbvia.
"A cidade de Bonacore avançou consideravelmente. Algumas pessoas optaram por se aliar a facções de Metrópole para ter uma chance melhor com os Beastfolks, enquanto outras preferiram ficar de fora,"
A Duquesa virou-se para olhar para 001. "E Zenthaven?"
"Já estão aliados à maioria dos Beastfolks," respondeu 001.
Regina pursou os lábios. "Parece que os Aubert estão mesmo voltando ao topo," resmungou.
Embora não houvesse animosidade entre ela e Zenthaven, ela sabia que eles, e especificamente os Aubert, eram sua maior competição dentro de Nova Esparta. Se tivessem grande sucesso lá, poderiam reocupar seu antigo título de Conglomerado.
Isso faria com que Metrópole ficasse à sombra deles, algo que seu orgulho não podia aceitar. Seria uma má imagem para ela se Metrópole perdesse seu posto de melhor território da região.
Com esse pensamento, seus olhos ficaram sérios, uma chama competitiva acendendo em suas pupilas. Em sua cabeça, planos e estratégias começaram a se formar.
Por um instante, 001 ficou observando a Duquesa.
Expressão dela o lembrou dos velhos tempos, quando Metrópole ainda não tinha se tornado o território que é hoje.
Naquela época, o exército de Metrópole era liderado por um grande general, cujo soco era tão poderoso quanto o de um dragônico, com inteligência tão afiada quanto a do Magus, e coragem tão profunda quanto os sete mares.
As pessoas a temiam, e foi assim que ela conduziu Metrópole ao topo.
Infelizmente, o tempo, o conforto e a familiaridade enfraqueceram a espada desse general. E, com a formação de uma família, sua prioridade mudou de conquistar para preservar.
Mas agora, 001 via um indício daquela general destemida ressurgindo.
A Duquesa estava prestes a soltar suas presas mais uma vez?
Mas, naquele momento, um toque na porta soou.
"Duquesa, tem uma carta para você," disse o mordomo.
Após pedir permissão, o mordomo entrou na sala da Duquesa e a encontrou sozinha, curvada sobre sua mesa, cercada por pilhas de papéis.
"De quem é?" perguntou ela. "Vem do povo Beastfolks?"
O mordomo não respondeu, mantendo um sorriso sutil enquanto entregava a carta.
"É dos seus netos," disse o mordomo.
Os olhos da Duquesa suavizaram enquanto ela abria a carta.
{Vovó! Você já voltou para o castelo? Espero que sua viagem tenha sido boa. Não se preocupe conosco, estamos bem e saudáveis aqui! Não escute ele, vovó! Ele não para de tomar refrigerante! Os dentes dele estão tortos. Os meus, não…}
A carta era sem sentido, escrita de maneira tão atrapalhada que mal se podia entender.
No entanto, uma lágrima caiu sobre ela, manchando o papel úmido.
A Duquesa Regina não conseguiu deixar de rir e chorar ao imaginar aqueles netos arteiros lutando para pegar a caneta um do outro enquanto escreviam essa carta.
Ela respirou fundo.
Isso lhe deu a leveza que precisava nesses tempos difíceis.
Após um momento de pausa, começou a se perguntar: será que não seria tão ruim se o Metrópole deixasse de ser o território mais importante da região?
Ela poderia se aposentar na Nação do Renascimento e deixar Nova Esparta passar por ela.
Não havia motivo para continuar lutando. O que isso lhe traria? Mais fama? Mais prestígio? Se ela tivesse que sacrificar a chance de ver seus netos crescerem, então não teria valor algum.
"Duquesa?" perguntou 001, reaparecendo após o mordomo se retirar. "Ainda precisamos da sua assinatura nessas cartas. Há pessoas esperando sua presença em Nova Esparta."
Regina olhou para a pilha de papéis na escrivaninha e, depois, para a carta em suas mãos.
Abriu a boca, prestes a dizer algo, mas ouviram outro toque na porta.
Toc toc!
"Ei, Duquesa. Você aí?" disse Michael, entrando pela porta.