
Capítulo 663
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Nixie nunca tinha olhado para cima de nada. Nunca. Ela sempre tinha aquele olhar distraído, que parecia a encarar o nada.
Porém, agora, Reed conseguia ver uma pontinha de clareza nos olhos dela enquanto ela contemplava a gigantesca estátua de Cthulhu.
"Nixie… minha filha… ela tá…"
Com os sentimentos à flor da pele, Reed não conseguia encontrar as palavras para expressar a alegria ao ver uma pontinha de normalidade na sua filha.
"Ela está reagindo ao Cthulhu", murmurou Juniper. "Faz sentido. Tudo isso parece foi arrancado direto do vazio do subconsciente dela. Pela primeira vez na vida, ela sente que faz parte do mundo real!"
Juniper olhou para Michael, surpresa com sua criatividade. Como ele havia sugerido, ele encontrou uma maneira de estimular o coração de Nixie! Ele trouxe o subconsciente dela para a realidade, convidando-a a finalmente encarar o mundo!
"Isso pode ajudar ela", afirmou. "Estar perto do Cthulhu vai fazer com que ela vá se acostumando lentamente ao mundo."^1
"Tem um jeito melhor de fazer isso", interrompeu Michael. "Podemos levá-la a dar uma volta na montanha-russa."
Seu conselho parecia insano à primeira vista, dada a cara de medo do brinquedo. Então, Juniper percebeu algo. Talvez esse fosse o caminho para ajudar Nixie a fortalecer seu Coração do Dao sem precisar exaurir o corpo dela! Ela poderia experienciar emoções intensas sem precisar se esforçar fisicamente.
Esse era um dos problemas do Coração do Dao dela!
Ela não conseguia fortalecê-lo porque era fraca demais para estimulá-lo por meios normais, como luta ou sparring.
Mas agora, essa montanha-russa oferecia uma saída, contornando totalmente a necessidade de esforço físico!
Reed se aproximou da filha. "Nixie. Você quer dar uma volta na montanha-russa?" ele perguntou.
Nixie virou-se para ele e deu uma leve cabeça de concordância.
Reed e minha esposa contiveram o susto. Nunca tinham visto Nixie responder assim antes!
Em poucos segundos de estar perto da montanha-russa, Nixie avançou muito mais do que eles haviam conseguido em anos de esforço.
"Vamos! Eu vou junto com minha filha", disse Reed, engolindo o medo.
Ele pegou a filha no colo e a colocou na montanha-russa, depois sentou ao lado dela. Atrás deles, Juniper e os outros queriam experimentar para entender o que tinha de tão especial na atração.
Michael armou-se com as correias de segurança, ajustando o assento de Nixie para acomodar seu corpo pequeno.
Assim que terminou, sinalizou para o operador atrás, e logo a atração começou a se mover.
E, mesmo eles apenas girando em espiral pelo corpo de Cthulhu, Reed já se agarrava às correntes de metal como se sua vida dependesse disso.
Já Nixie, sentada sem expressão, tinha apenas um sorrisinho traçando os cantos da boca.
A montanha-russa rangeu, fazendo um *clink*, *clink*, *clink* ao atingir o ponto mais alto.
Agora, estavam de frente para a boca de Cthulhu, com seus tentáculos se movendo descontrolados.
"VOCÊ OSOS ENTRAR NO VAZIO? SE PREPARE…"
Todos se assustaram escutando a voz na estátua de Cthulhu, como se ela fosse um ser vivo!
Juniper teve a surpresa maior, percebendo que a voz era exatamente igual à de Cthulhu que eles tinham visto no vazio subconsciente.
"Como foi que ele conseguiu reproduzir com tanta precisão?", questionou-se.
Porém, esse não era o momento de pensar. A atração entrou na boca de Cthulhu, com névoa espirrando ao redor.
De repente, a aeronave parecia cair dos trilhos e entrar na água, criando um grande respingo.
Foi um susto, pois não conseguiam enxergar nada dentro da boca de Cthulhu — apenas escuridão pura, aumentando o medo do que viria a seguir.
Continuaram flutuando na água, que parecia começar a acelerar lentamente à medida que avançavam.
Então, ouviram o som de água agitando como um rio, cuja intensidade indicava que não era um rio suave, mas uma cachoeira.
Todos seguraram firme nas cadeiras enquanto a montanha-russa mergulhava na escuridão, gritando em pânico com a queda repentina.
Antes que percebessem, a atração bateu na água, submergindo por alguns segundos antes de subir de novo.
"Isso é água do oceano", percebeu Reed. "Vem direto do mar!"
Depois, luzes começaram a aparecer ao redor. Em todos os lados, viam um ecossistema marinho, com animais que habitam as profundezas oceânicas. Peixes bioluminescentes brilhando com cores prismáticas, corais pulsando com luz. Isso fez Reed sentir-se de volta à sua terra natal.
Ele olhou para o lado e viu os olhos de Nixie vagando pelo ambiente. A névoa em seu olhar começava a desaparecer, dando lugar a um verde iridescente.
"Uau…"
"Incrível…"
Juniper e os demais nunca tinham visto uma cena assim. Estavam vendo o que um tritão veria em Atlântida!
De repente, o oceano inteiro começou a tremer. Sentiram a montanha-russa balançando de um lado ao outro, com a possibilidade de tombar cada vez mais evidente.
Enquanto todos tentavam entender o que acontecia, Nixie olhou adiante e apontou para a escuridão à sua frente.
Reed seguiu seu dedo e, por fim, viu duas luzes vermelhas rodeadas de trevas.
E, ao se aproximarem, perceberam os contornos de escamas pretas e brancas ao redor dessas duas luzes vermelhas.
"É! É!"
Do escuro, emergiu uma criatura gigantesca — o Leviatã — dominando todo o túnel. Ele abriu a boca, com guelras laterais se inflando para aumentar ainda mais seu tamanho.
"AAHHHHH!" gritou Reed, completamente apavorado.
A ideia de que não tinha controle algum sobre a atração o fazia se sentir como um prato sendo servido na boca do Leviatã para ser devorado!
Finalmente, o Leviatã atacou a atração.
Mas, felizmente, ela parou a uma metro de distância de suas mandíbulas terríveis.
Zangado com o fracasso, o Leviatã abriu de novo as mandíbulas e avançou contra eles.
Dessa vez, a nave tentou recuar, indo na direção contrária, na tentativa de escapar do monstro.
O Leviatã os perseguiu, comendo com as mandíbulas Reed e Nixie, que estavam mais perto — como se quisesse devorá-los de verdade.
Mesmo assim, a montanha-russa conseguiu sair quase que na última hora, escapando das mandíbulas do Leviatã a cada instante.
Porém, isso parecia pouco importar, pois Reed sentia que sua alma ia sair do corpo de tanto medo.
Ele começou a se arrepender de ter entrado na atração.
"Hihi!"
Reed virou-se para Nixie e a viu sorrindo de orelha a orelha. Ela estava dando uma risadinha cada vez que o Leviatã tentava atacar.
"Nixie…" ele disse, começando a sorrir. Ver ela assim fazia todo o medo valer a pena.
Porém, como se estivesse testando suas palavras, a atração de repente parou, batendo na parede de fundo.
Não tinham para onde mais escapar.
Porém, o Leviatã ainda estava na frente, com as mandíbulas abertas em triunfo.
Ele avançou contra eles, fazendo Reed quase desmaiar de susto.