
Capítulo 494
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Viperion passou o restante de seus dias alimentando-se apenas do líquido escuro-acastanhado que banhava Metropolis.
Ele não sabia por que ou como aquilo funcionava, mas não questionou mais. Só tinha certeza de que estava vivo.
Os dias se transformaram em semanas, depois em meses, e então em anos.
No total, deve ter passado mais de dez anos neste asilo, mantendo a própria companhia enquanto construía uma nova civilização sobre a Metropolis afogada.
Ele criou seu novo lar com pedaços de azulejos de telhado quebrados, com uma espécie de fonte que jorrava o líquido preto que agora chamava de Água.
Ele bebia esse líquido todos os dias. E, ao invés de se cansar de consumir a mesma coisa por anos e anos, Viperion se via cada vez mais fascinado pela Água.
Ele não conseguia viver sem ela. Era o que o sustentava e o acompanhava ao longo dos anos.
E, naquele dia em particular, algo mudou e quebrou a rotina diária de Viperion.
Ele olhou pela janela e viu uma figura gigante, semelhante a uma cúpula, no horizonte. Era de cor violeta e maior do que uma montanha.
Curioso, Viperion lançou seu barquinho improvisado e começou a remar em direção àquela estrutura colossal.
E só quando se aproximou que percebeu que aquilo não era uma estrutura de verdade. Em vez disso, era uma gigantesca poça de limo olhando para ele com indiferença, como um deus.
"Quem… quem é você?" perguntou Viperion, assustado.
"Eu sou o Grande Deus do Limo," disse Fudge, sua voz baixa reverberando pelas paredes de sua ilusão. "E fui eu quem te prendeu neste mundo."
Viperion ficou chocado. Sempre se perguntou, ao longo de todos esses anos, como tinha ficado preso naquele mundo. Não imaginava que fosse um Deus.
"Por quê?"
Essa era a única dúvida que dominava sua mente.
Nos primeiros anos, sentiu raiva. Mas, aos poucos, começou a aceitar sua nova vida como se fosse algo normal. E, após dez anos, adaptou-se completamente a essa realidade e construiu seu lar.
"É porque você é destinado a algo maior! Você precisava aprender e evoluir para se tornar o homem que é hoje.
Pense: você está melhor agora, como homem, ou era melhor há dez anos?"
Viperion ficou em silêncio, refletindo sobre a provocação do Deus do Limo.
Há dez anos, ele era apenas um órfão resgatado da rua, treinado para administrar uma empresa de milhões em moedas de ouro. Amava cada segundo disso, mesmo que para isso precisasse enganar as pessoas. Não se importava; finalmente podia comprar coisas que só sonhava.
Mas, dez anos depois, depois de ficar preso naquele lugar, todos esses luxos desapareceram. A única coisa que sobrou foi a Água.
Ele aprendeu a viver, a construir sua própria casa.
E, depois de todo esse tempo, percebeu que vinha sendo manipulado pelo Tio Jack para fazer suas sujeiras.
Se não tivesse passado anos em isolamento, nunca teria percebido isso.
"Você está certo, ó grande Deus do Limo. Hoje sou um homem melhor," confessou.
"Muito bem. Agora é hora de você voltar à sua antiga vida, após aprender essa lição. É como um daqueles animes de reencarnação—ah… deixa pra lá essa parte."
Fudge quase tropeçou e deixou escapar sua fachada misteriosa de divindade.
"Mas eu não quero voltar!" implorou Viperion. "Eu tenho tudo aqui embaixo. Eu tenho Água!"
Fudge lançou um sorriso imperceptível.
"A Água que você tanto gosta, na verdade, chama-se Refrigerante. E essa versão é inferior à verdadeira. Se quiser experimentá-la de verdade, precisa retornar ao mundo real."
Viperion hesitou, relutante em abandonar dez anos de memórias daquele lugar. Mas a ideia de conseguir Água de verdade fortaleceu sua determinação.
"Estou pronto, ó Grande Deus do Limo. Estou disposto a fazer o que for preciso para conseguir essa Água—não, esse Refrigerante!"
Fervor e lealdade inabalável se revelaram no rosto de Viperion.
"Ótimo. Agora, você se lembra do seu antigo chefe, Jack? Preciso que me diga onde fica a cofres secreto dele, assim podemos levá-lo à Justiça."
Viperion assentiu. "Vou te conduzir à porta certa, Ó grande Deus do Limo!"
…
…
…
Enquanto isso, de volta ao Duel do Santuário, Michael olhava para o Tio Jack e não podia deixar de aproveitar aquele momento.
"Você vai pagar pelo que fez," prometeu Michael.
O Tio Jack aproveitou a oportunidade, levantando seu cetro espelhado no ar e girando-o na direção da cabeça de Michael.
Apesar de ser uma arma contundente, ainda assim era uma relíquia de Mitril. Bater com ela na cabeça de alguém poderia causar danos tremendos.
Mas, antes que pudesse atingir Michael, o Drone moveu seus canhões e apontou direto para o alvo.
Com um único disparo, a [Arma da Unidade] atravessou a bola de vidro na relíquia de Mitril e perfurou o peito de Tio Jack.
Ele caiu de joelhos, fraco. Talvez essa tenha sido a primeira dor real que Tio Jack enfrentou, e ele não conseguiu se preparar para isso.
"AARGH!" gritou.
Após um minuto de silêncio absoluto de Tio Jack, ele finalmente conseguiu se desprender do Controle Switch de Michael. O dispositivo caiu, permitindo que ele recuperasse a fala.
"Haa… haa… Eu? Pagar pelos meus crimes? Você está enganado… mesmo que eu perca, nunca vão me prender! Você não tem provas. É sua palavra contra a minha."
"E se as pessoas tiverem uma escolha, sempre vão acreditar em um homem de nobreza como eu, ao invés de um garoto como você."
Michael sorriu. "Tem certeza disso?"
Tio Jack tentou rir, mas o buraco no peito dificultava até mesmo respirar, sem sentir uma dor terrível.
"KARRGGGH! Eu me rendo!"
Assim que essas palavras mágicas foram pronunciadas no Duel do Santuário, as condições do combate finalmente foram atendidas.
Michael saiu vitorioso.
O Tio Jack sentiu uma sensação de puxão por seu corpo enquanto o Santuário o expulsava desta realidade de volta ao mundo real.
Antes de partir, lançou um sorriso confiante para Michael, provocando-o ainda mais.
Logo depois, Michael foi levado pelo portal e lançado no outro lado.
O Tio Jack caiu no chão, segurando o peito com dor.
"Argh! Ele tentou me matar!" gritou. Colocou sangue na região do ferimento e apresentou a Angela, sua árbitra.
Porém, Angela apenas o ignorou e levantou a mão de Michael para declarar seu vencedor.
"Michael Vanderbilt venceu o duelo."
O Tio Jack rangeu os dentes. "Você não vai prendê-lo por tentativa de homicídio de um membro da realeza? Preciso relatar isso à duquesa ela mesma! E ela vai fazer questão de te tirar do cargo."
Angela finalmente virou-se para enfrentar o Tio Jack, um leve sorriso cruzando seus lábios. "Ótimo. Diga a ela, então."
Depois, apontou para o lado, onde uma mulher idosa, mas luminosa, sentava-se na varanda do castelo, tomando chá com seus filhos gêmeos.
"Duque—Ducisa?!?!"