
Capítulo 484
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Michael ficou realmente surpreso ao ver o quão bem a Princesa Elizabeth dirigia o carro. O automóvel era automático, o que facilitava o pilotar, mas a maioria das pessoas precisaria de algumas horas para pegar o jeito.
Porém, não Elizabeth. Ela levou apenas meia minuto.
Cerca de cinco minutos depois, o carro veio escorregando pelo gramado em direção ao castelo, parando bruscamente. A princesa, cujo cabelo costumava estar preso em um coque bem arrumado, agora tinha os cabelos completamente soltos.
Ela saiu do carro, jogou o cabelo como uma modelo de carro esportivo e respirou fundo, satisfeita.
"Liz?" perguntou o príncipe, estranho a essa nova versão da irmã.
"Sinto-me realmente livre," disse Elizabeth, respirando ar fresco. "Você viu a velocidade que consegui? Parecia que iria voar. É uma sensação ainda melhor do que pilotar um dragão pela cidade."
Harry observou as velocidades que o automóvel atingia ao atravessar as planícies verdes. Era algo que nunca tinha visto antes.
"Esse ronco? É do monstro que está dentro do carro?" perguntou, ouvindo o som constante do motor.
"Não tem monstro nenhum. Ele não funciona com animais ou magia. Funciona com combustível," explicou Michael. "É como gasolina."
A Princesa Elizabeth colocou as mãos no capô do carro. "Quer dizer que algo que anda tão rápido assim só é movido por um líquido? É isso? Vocês não precisam de magia ou qualquer coisa assim?"
Havia dúvida evidente na sua voz. Quando ela dirigia, sentia uma força imensa vindo de dentro do veículo. Para ela, era inconcebível que não houvesse mecanismos mágicos dentro daquele carro que permitissem sua velocidade.
Michael lhes explicou como funcionava o mecanismo do automóvel. Contou que o motor criava mini explosões ao comprimir e acender o combustível por dentro. Eles não entenderam tudo com profundidade, mas seguiram a lógica.
"Sabe o que isso significa, irmão? Isso vai revolucionar completamente a nossa maneira de viajar pelo mundo!" declarou Elizabeth.
"De verdade... já consigo imaginar. Com as velocidades que pode atingir, acho que vai se tornar o meio de transporte novo e oficial em Metrópole! Se não precisa de magia, então as pessoas normais também poderão usar!"
Elizabeth concordou com entusiasmo, apoiando o irmão. "Exatamente! E mais…"
Começaram então a discutir os impactos socioeconômicos que o automóvel traria para Metrópole.
Como era de se esperar de membros da realeza, seu nível de educação lhes permitia pensar na totalidade de Metrópole.
Debateram os efeitos nas vias públicas, que precisariam de reformas para ficarem mais lisas e organizadas. Discutiram sobre outros assuntos, incluindo o próprio castelo, os diferentes bairros e as demais empresas.
Enfim, Michael ficou satisfeito ao ver que eles compreendiam o verdadeiro potencial do automóvel.
"A única desvantagem que vejo é que ele depende do combustível," observou astutamente o príncipe.
"É verdade. Mas, se puderem vender meu carro em Metrópole, então eu colocarei postos de gasolina por toda parte para reabastecer."
Eles ficaram convencidos assim que ele explicou o que era um posto de gasolina.
"Vamos conversar mais sobre isso depois," disse o príncipe, tentando conter a empolgação. "Se minha mãe vir esse carro com as próprias mãos, posso garantir que ela também vai entender seu valor."
"Contem conosco, Michael," garantiu Elizabeth. "Vamos recomendar esse carro para nossa mãe. E, quando ela descobrir aquela tal de refrigerante… tenho certeza de que vai gostar mais de você. Ela é bem mole com os netos."
"Que bom!" comemorou Lylia, abraçando Michael.
"Muito bem, filho. Você conseguiu que mais uma terra aceitasse seus avanços tecnológicos," disse Bart com orgulho.
Enquanto isso, Max não conseguiu segurar uma lágrima ao ver tudo aquilo.
Seu sobrinho tinha conquistado o reconhecimento das princesas gêmeas! Todos diziam que as crianças Vanderbilt eram uma vergonha para o legado de Yze. E ele achava que tinha provado isso desde que seus negócios começaram a fracassar.
Mas, agora, lá estava seu sobrinho, provando que todos estavam enganados!
E foi nesse momento que alguém bateu na porta.
"Era aqui que vocês estavam… Eu procurei por vocês em todo lugar. Pensei que tinham me abandonado."
Todos olharam de volta para a varanda e viram um homem vestido com uniforme real preto encostado na moldura da porta.
"Tio Jack. Que bom te ver," murmurou o príncipe baixinho.
Michael achou a saudação normal, mas então percebeu as sobrancelhas do príncipe levemente franzidas, traindo seus verdadeiros sentimentos pelo homem que os interrompeu.
"Não estávamos esperando sua visita," disse Elizabeth, fazendo uma reverência rápida. Parecia que ela não queria recebê-lo, mas os bons modos que aprendera a impediram de ser rude.
Tio Jack ignorou completamente e olhou além, em direção a Michael e sua família.
"Ah, não sabia que tínhamos convidados. Não fui informado," falou, fitando-os.
Tio Jack tinha cabelos longos, um pouco cacheados, que cobriam as laterais do rosto. Possuía olheiras sob olhos finos e afiados.
Ao contrário do cabelo ruivo da família real, Tio Jack tinha cabelos negros como carvão e pele pálida, como se não tivesse visto o sol há mais de vinte anos.
"Quem são essas pessoas encantadoras?" perguntou, com um sorriso na boca, mas com um olhar de reprovação nos olhos.
Harry imediatamente se adiantou, tentando bloquear a visão de Tio Jack sobre Michael e o carro.
"São convidados da minha mãe. Ela pediu expressamente que os tratássemos com respeito e cuidado enquanto ela estiver fora," avisou.
"Ah, são convidados da minha querida cunhada?" riu Tio Jack.
Michael olhou para Elizabeth, silenciosamente pedindo que ela esclarecesse a situação. Pela interação deles, deu para perceber que o relacionamento com o tio não era bom.
"Este é o Tio Jack. irmão do nosso falecido pai—infelizmente," explicou Elizabeth.
"Infelizmente? Que grosseria, minha sobrinha. Como pode dizer isso, sendo que somos família?" disse Tio Jack, simulando limpar uma lágrima.
"Família não tenta usurpar o trono da nossa mãe," acusou Harry.
Tio Jack colocou as mãos na cintura, rindo sozinho. "Não há provas disso! Não saiam acusando pessoas inocentes, Harry."
"E usurpar? Se eu tivesse feito o que vocês dizem, não seria chamado de usurpador. Seria chamado de 'pegar o que é meu por direito'. Metrópole deveria estar sob meu controle, se meu irmão estúpido não tivesse entregado o trono para a esposa dele."
Elizabeth mordeu os lábios, tentando segurar a raiva. Queria muito empurrar o tio com o carro, mas não conseguiu. Como ele disse, tinha sido declarado inocente, apesar das acusações.
"Desculpe por ele," disse Harry a Michael. "Já que ele é nosso tio, não podemos fazer nada a respeito. Acho melhor vocês e sua família irem embora agora e voltarem depois."
Foi então que Tio Jack deu um passo à frente e se aproximou do automóvel.
"Já tá tarde demais, meu sobrinho. Já ouvi você dizer que isso vai revolucionar Metrópole. Que papo furado," zombou Tio Jack, lançando um olhar de desprezo para o carro.