
Capítulo 438
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
A sala de Dicky era um grande penthouse que parecia um museu, cheio de armaduras preservadas do período medieval. Em todos os cantos, havia todo tipo de paraphernalia de armadura, seja pendurado na parede ou exposto em uma vitrine de vidro.
Percebeu que a qualidade dessas peças era muito, muito superior às utensílios vendidos na loja de baixo. Ao observar com mais atenção, notou que todas eram feitas por anões!
— Gostou da minha coleção? Eu caço no mercado negro essas peças incríveis de arte — perguntou Dicky.
Dicky apareceu vindo de sua varanda. O homem tinha pele bronzeada e um peito cabeludo, que ficava bem visível sob sua simples camisa tunica preta. Parecia muito com Bobby, o que provavelmente indicava que eram parentes.
— Você é Dicky? — perguntou Michael.
— Sim, sou eu. E você é o Michael… Confesso que só soube do seu nome agora, quando pediu para me encontrar — respondeu Dicky.
Michael deu de ombros. — Eu também só fiquei sabendo de você há alguns dias.
— Hahaha! Gosto de você! — Dicky riu. — Por favor, sente-se.
Ele indicou para Michael sentar-se no sofá de couro no centro da sala, enquanto ocupava a cadeira mais oposta.
— Você é bastante surpreendente, senhor Michael. Pelo que ouvi da Associação, você conseguiu sua licença em apenas três dias após o início do teste! Isso ninguém tinha feito antes, nem mesmo o Bobby!
— Obrigado — Michael aceitou o elogio.
— Quanto mais ouço falar da sua empresa, mais fico impressionado. Dizem que você domou um monstro de metal e o usou como transporte! Isso é verdade? — perguntou Dicky.
Michael foi sincero. — Não, é uma carruagem de metal.
— Ah! — Dicky aplaudiu. — Então, ainda mais impressionante é você ter conseguido criar uma máquina tão maravilhosa assim. É uma obra de arte, e eu gostaria de comprar uma para mim!
— Quem sabe no futuro. Planejo vender para o público geral assim que estiver consolidado em Metropolis — respondeu Michael.
Dicky ficou visivelmente entusiasmado ao ouvir isso. — Merece estar em um museu, assim como o equipamento anão que coleciono! — exclamou.
Parecia que Dicky achava a máquina uma peça interessante, mas não pensava muito sobre sua verdadeira finalidade. Afinal, ainda não tinha visto ela se mover na sua velocidade real. Supondo apenas que fosse lenta como uma tartaruga.
— De qualquer forma, no futuro, quero comprar uma quando estiver disponível — disse Michael.
— Com certeza.
Michael achou Dicky uma pessoa agradável de conviver. Lembrou-se daqueles colecionadores de figuras de anime que tinha na sua antiga vida. Ainda que um pouco estranhos, o amor por coleções era o que mais unia seus personagens.
— Você atendeu ao meu pedido, agora é hora de eu atender ao seu. Por que quer me encontrar? — perguntou Michael, direto ao ponto.
Michael foi claro. — Quero conversar com Bobby e propor um negócio a ele.
Seu plano era perguntar a Bobby sobre a fórmula secreta que tinham para revestir uma relíquia de mithril com Soo. Sabia que era uma tecnologia proprietária, o que significava que não lhe dariam de graça. Então, pensou em “comprar” a informação ou, no mínimo, fazer com que ajudassem a revestir sua própria relíquia de mithril com Soo.
Estava disposto a pagar dezenas de milhões de moedas por isso.
— Hmm… infelizmente, não é possível. Você não pode discutir assuntos comerciais com meu primo — disse Dicky, desapontado.
Michael franziu a testa. — Por quê?
— Tenho certeza de que sabe, mas a empresa Quench é uma das maiores de Metropolis. E o próprio Bobby faz parte das Legacies.
— Pessoas de seu nível não podem fazer negócios com empresas de patamar inferior ao deles. E, sem querer te ofender, sua empresa Reborn ainda precisa provar seu valor no mercado real de Metropolis.
— Você pode conversar com Bobby, mas negociação direta, não. É proibido, não só por nós, mas pela própria Associação — explicou Dicky.
Michael quase não conseguiu acreditar no que ouviu.
— Não posso conversar com o Bobby? — perguntou ele, surpreso.
— Vocês, Bobby e você, podem conversar. Mas Reborn e Quench não podem fazer negócios entre si, de forma alguma. É injusto com vocês.
— Somente quem está em patamares mais próximos pode fazer negócios entre si.
Na verdade, nem posso interagir com você em nível comercial. Só deixei você entrar porque percebi que seu motivo era pessoal — complementou Dicky.
Michael não conseguiu entender. Desconhecia que existia uma hierarquia tão rígida em Metropolis, a ponto de um não poder fazer negócios com outro a menos que fossem do mesmo nível.
Parecia elitista e de classe.
— Por que não? É só porque eles veem os inferiores como inferiores mesmo? — questionou Michael.
Dicky rapidamente gesticulou com as mãos. — Não é bem assim. Mas, para ser justo com empresas menores como a sua, esse tipo de lei foi criada para equilibrar as coisas.
Apesar disso, para Michael não fazia sentido. Por que uma empresa maior prejudicaria uma menor fazendo negócios? Pela lógica, só ajudaria, pois a maior impulsionaria a menor.
— Você é da região das Kings? — perguntou Dicky, parecendo ter entendido algo.
— É.
— Entendi. Você não conhece as tradições do Desafio — falou Dicky, coçando o peito.
— Desafio?
— Sim, Desafio. Quando duas partes consentem em lutar em uma batalha justa, seja para resolver diferenças, dividir riquezas ou simplesmente subir de nível.
Existem dezenas de milhares de empresas só na região das Queens. Por isso, há frequentes disputas e confrontos por território e outras posses banais.
Antigamente, não havia regras nesse tipo de luta. Cada um podia pegar o que quisesse, desde que derrotasse o adversário. Era um mundo sem lei, com muitas guerras.
Mas, claro, isso gerava caos demais. Milhares de pessoas inocentes morriam. A humanidade quase se extinguiu.
Felizmente, Xere Montgomery conseguiu unir todos os continentes e fazer com que concordassem com a regra do desafio.
Não mais brigas sem sentido. Não mais guerras matando civis.
Quando duas empresas queriam resolver suas diferenças, só precisavam se envolver nisso.
Essa era a regra do Desafio.
If alguém violasse essa regra, podia sofrer uma coalizão das demais empresas, como aconteceu com a Flarecorp.
Ela conquistou a cidade de Batchrock sem um duelo com o duque que a governava. Civis foram mortos.
Por isso, uma coalizão de todos os Legados foi formada para detê-los.
Michael absorveu a informação e começou a entender por que havia uma regra contra uma empresa maior fazer negócios com uma menor.
Provavelmente, a força da maior era muito maior do que a da menor.
E num duelo, o vencedor era evidente.
— Existem limites para o duelo? — perguntou Michael.
— Geralmente, um duelo pode envolver toda a empresa, se quiserem. Uma guerra total. Mas, os Montgomerys costumam evitar isso, por medo de destruição em massa.
Então, para duelos do dia a dia, geralmente só os líderes da empresa e seus oficiais participam.