
Capítulo 354
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Michael não sabia exatamente o porquê, mas a preparação para a batalha contra a Gangue dos Bandidos virou uma rotina de “noite de jogo” para as altas lideranças de Rebornia.
— Mamãe, você tem certeza de que quer ficar aqui? A gente vai lutar contra bandidos, sabia? — perguntou.
— Ah, vá! Já lidei com bandidos minha vida toda. Antes de conhecer seu pai, eu era uma aventureira. — ela respondeu.
Michael se consolava ao pensar que uma maga de 7 estrelas como ela seria uma aliada bastante poderosa na luta que viria. Mas, para ser honesto, ele não queria ela muito perto do campo de batalha.
— Vamos, amor! Vamos jogar um Uno! — incentivou.
Logo, a porta se abriu e Sheina entrou na sala. Ela parou de repente ao ver todo mundo jogando Uno em vez de se preparar como tinha ordenado.
— Zion! Acho que te falei pra guardar essas cartas! — ela exclamou.
— Mas, mana! Aqui sem jogos é tão chato! — reclamou.
Sheina rapidamente trocou sua expressão de “asura” por uma de calma ao se virar para Michael.
— Desculpe, Lord Michael. Tenho dito a esses meus irmãos sem-vergonha pra afiar seus Artefatos de Mithril. Mas, infelizmente… — ela começou a dizer.
Ele podia perceber a raiva ferve rente aos dentes dela.
— Está tudo bem, — ele disse, — talvez seja bom relaxar de vez em quando, assim estamos todos preparados para a luta de amanhã.
Não adiantava ficar preocupado com algo que ainda não tinha acontecido. Então, jogar cartas era uma boa distração e uma forma de manter todos alertas ao mesmo tempo.
— Isso mesmo, querida Sheina. Venha, sente-se aqui comigo — disse Lylia, tapando o chão ao seu lado.
A Dragonborn de escamas brancas sorriu timidamente antes de se aproximar e sentar ao lado de Lylia. Para ela, era uma grande honra.
— Tsh... Eu achei que vocês queriam se preparar para a batalha, não jogar cartas — provocou Jaku, enfurecendo a hipocrisia dela, mas Sheina apenas ignorou.
— Tá bom, tá bom! Vamos jogar um Uno! — gritou Fudge, usando suas sombras para pegar todas as cartas espalhadas pelo chão e engoli-las dentro de seu corpo viscoso.
Todos observaram as cartas sendo embaralhadas e empilhadas cuidadosamente dentro de sua gelatina violeta semi-transparente, que depois flutuou de volta para fora do estômago de Fudge.
— Vamos lá! Vamos lá! Me dá um +4! — Zion gritou animado, esfregando as mãos.
— Eu vou distribuir as cartas pra evitar qualquer enganação, — disse Sheina, pegando o monte antes que Zion pudesse chegar nele.
Após mais uma mistura, Sheina repartiu as cartas de forma equilibrada entre os jogadores.
— Vai jogar? — ela perguntou a Jaku, que ainda estava deitado no chão, de lado.
— Pode deixar, eu topo — respondeu.
Todos estavam sentados em círculo.
Seguindo o sentido horário, os jogadores eram: Zion no topo, ao lado dele Sheina, depois Lylia, Umisu, Yuna, então Michael, Jaku, Fudge, e voltando a Zion.
No total, eram nove jogadores naquela partida de Uno.
Logo, todos tinham sete cartas na mão, com cores e números diferentes, incluindo algumas cartas especiais como Pular, Reverso, +2, +4 e Cor Selvagem.
O objetivo do jogo era ser quem terminasse de jogar todas as cartas na pilha.
Claro, cada um podia jogar apenas uma carta por rodada, e ela tinha que corresponder à cor ou ao número da carta anterior para ser válida.
— Hahaha! Essas cartas são ótimas! — Zion exclamou.
— Hohoho, eu também, eu também… — disse Fudge, de modo ameaçador.
Para iniciar o jogo, Sheina puxou uma carta do baralho e começou a pilha.
Era um 6 azul, o que significava que os jogadores só poderiam jogar cartas azuis ou cartas com o quantidade seis.
O jogo começou no sentido horário, então Fudge foi quem começou, jogando um zero azul. Depois, Sheina colocou um três azul.
Agora era a vez de Lylia.
— Michael, querido, você tem uma carta amarela? — perguntou.
Michael deu um tapa na testa, constrangido. — Mamãe, o jogo não funciona assim. É uma competição. — respondeu.
— Desculpa aí, só quis garantir que meu filho tinha as cartas necessárias pra jogar, — ela retrucou, colocando um três amarelo e mudando a cor da pilha inteira.
Umisu jogou, depois Yuna, Michael, e então Jaku, que colocou a primeira carta de ação: um +2 amarelo.
Fudge precisaria pegar duas cartas do baralho por causa dessa carta de ação. No entanto, ele trocou por sua própria carta +2 vermelha, permitindo passar a obrigação adiante.
Agora, Zion estava com problema. Tinha que pegar quatro cartas do baralho!
Mas acabou descobrindo que tinha sua própria carta +2!
— Eu também tenho uma! — disse, jogando um +2 verde.
— Urgh! — suspirou Sheina. Ela não tinha uma carta +2 para continuar a pilha, então teria que pegar um total de seis cartas do baralho, dobrando sua pilha atual!
Zion riu de si mesmo e fez careta pra irmã mais velha. — Bleh bleh! Por isso que você devia ter brincado mais com a gente, mana! Você ainda não treinou Uno direito!
Ela o olhou com os olhos quase vermelhos. Michael até pensou que ela estivesse prestes a puxar o arco e a flecha.
— Cala a boca! — ela gritou.
Mas Zion não conseguia parar de insistir.
— Que foi? Só tô brincando, — ele disse, com as mãos atrás das costas.
— O problema é que, enquanto você tava aqui, ‘se divertindo’, eu tava ocupada lidando com todas as tarefas que você tinha que fazer! Seria tudo bem, mas você nem treina mais com a Miss Agnes! — ela retrucou.
Yuna não queria se meter na discussão, mas Sheina tinha razão. Sua dama de batalha estava bastante decepcionada com a frequência com que Zion pulava o treino matinal.
— Tsk — Zion fez questão de estalar a língua. — Eu não quero treinar o tempo todo. Não preciso. É só dar porrada em alguém e pronto.
— É exatamente esse o seu problema! — Sheina disparou. — Você se acha o máximo, então não treina pra melhorar. Poderia ser muito mais forte que todos nós.
Como uma talentosa Classe SSS, Zion era realmente o mais talentoso entre seus irmãos Dragonborn. Por causa disso, tudo lhe saia fácil: treinamento, cultivo, habilidades e magias.
Mas Zion não queria mudar. Ele só queria brincar.
— Isso é chato! — reclamou.
— Essa é sua responsabilidade! — retrucou Sheina.
Os dois irmãos voltaram a discutir, interrompendo a partida de Uno.
Michael queria dizer algo, mas percebeu sua mãe se aproximando de Yuna e sussurrando algo com um sorriso no rosto.
— ...então, o que acha? Meu filho é tão capaz assim? — ela perguntou.
— Acho que sim — respondeu Yuna. — Ele fez um ótimo trabalho na empresa Rebornia.
— Hehe, claro, claro. Herdei sua magia, e minha inteligência empresarial vem do meu marido. Ele até pode ser considerado o melhor de todos os Vanderbilt. — ela disse.
E você, Yuna? Você também não é considerada a melhor de todas as filhas Montgomery? — ela perguntou.
Yuna riu sem jeito. — Acho que sim, haha.
— Então, não seria ótimo, excelente mesmo, se você e o Michael— —
— MÃE! Para com isso! — ela interrompeu.
— O quê? Tô só conversando com Yuna! — argumentou.
— Conversa? Parece mais que tá fazendo propaganda! — ela retrucou.
De alguma forma, ele também se viu envolvido numa briga com a mãe.
O jogo deixou de ser um jogo. Agora, era uma grande discussão de ambos os lados.