
Capítulo 164
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
“São os Orcs”, ela disse com seriedade.
Yuna e sua combatente ogra Agnes se aproximaram de Michael. “Ouvi dizer que o grito dos Orcs faz eco por um campo de batalha inteiro. Agora percebo o quão alto é.”
Apesar de Yuna e Agnes não possuírem escudo prismático para se proteger, elas pareciam não ser muito afetadas pelos ecos ensurdecedores de mana de Terra concentrada.
Em vez disso, Michael conseguiu perceber uma concentração de mana de Fogo se acumulando ao redor dos ouvidos, neutralizando praticamente a mana de Terra das ondas sonoras.
O que fascinava Michael era o fato de elas não terem lançado nenhum feitiço para fazer isso. Era uma reação natural de seus corpos, como a tensão de um músculo ao ser atingido por algo forte.
Acho que essa é uma das vantagens de treinar o próprio corpo nas Artes Físicas, pensou Michael.
Depois de um momento de distração, Michael sacudiu a cabeça e focou no problema à sua frente.
“Os Orcs sempre foram assim?” perguntou a Beth.
Ela assentiu, lembrando das noites sem dormir em que eles suportaram enquanto os sons de gritos dos Orcs ecoavam pela floresta. Essa era uma das razões pelas quais a maioria dos habitantes da antiga Cidade Orcus saiu para se estabelecer em outra região. Não suportavam o barulho.
“Por quê?” perguntou Michael, sem ter uma resposta para a dúvida de Beth.
Eles nunca se preocuparam em descobrir, porque não adiantaria nada. Não tinham poder para mudar aquilo.
Felizmente, Yuna tinha bastante conhecimento sobre Orcs, adquirido por seu treinamento como diplomata.
“Ouvi dizer que os Orcs tendem a se virar contra uns aos outros em tempos difíceis. Os dois gritos distintos sendo ouvidos são uma evidência disso. A minha suposição é que esses dois Orcs estão brigando por posse dos últimos recursos da floresta”, explicou ela.
Michael olhou para o horizonte, em direção às terras dos Orcs.
“Eles também foram afetados pelo terremoto”, murmurou.
Yuna assentiu. “Sim, mas a verdadeira causa da crise dos Orcs foi a degradação do Caminho Dourado.”
De acordo com os livros de história que li, esses Orcs costumavam encontrar trabalho no Caminho Dourado como guardas-costas contratados. Eles protegiam os comerciantes e enviados, afastando problemas indesejados. Era assim que ganhavam dinheiro suficiente para comprar alimentos e recursos para saciar a fome. E você conhece Orcs, eles precisam de muita comida — principalmente carne.
Com a perda do Caminho Dourado, os Orcs perderam sua fonte de renda. A minha hipótese é que passaram a caçar na floresta para se alimentar.
Mas, com os terremotos destruindo e perturbando o ecossistema, eles devem ter tido dificuldades para alimentar as duas tribos.”
Michael apreciava a percepção de Yuna sobre toda a situação.
“Podemos, com certeza, ajudá-los”, disse Michael. “Existe alguma maneira de eu conversar com os Orcs?”
“Quer recrutá-los?” adivinhou Yuna.
“Isso mesmo. Com a nossa ajuda, eles não precisarão mais se confrontar. Podem se tornar parte da Nação do Renascimento e terão comida suficiente para o que quiserem. Ainda temos bastante carne na geladeira, prontinha para distribuir.”
Neo Orcus não seria o paraíso que Michael esperava se houvesse Orcs sofrendo bem ao lado deles.
Além disso, com suas experiências anteriores como guardas-costas e acompanhantes, Michael achava que os Orcs poderiam servir como bons protetores de Neo Orcus.
Embora planejasse enviar alguns Centauros de Segurança Reborn aqui no futuro, seria bom que eles já tivessem sua própria segurança por perto.
“Tem um jeito de falar com eles. E é por meio de carne, literalmente”, disse Yuna.
“Também me lembro disso”, interveio Beth. Ela se recordava de ouvir falar sobre esse método quando era mais jovem, cercada por comerciantes e vendedores ambulantes. “É entregando um pedaço de carne com uma bandeira fincada, certo?”
“Exatamente”, assentiu Yuna. “Os Orcs são bem intimidantes, então as pessoas ofereciam a eles serviços entregando um pedaço de carne com uma bandeira. Os Orcs sabiam que deviam retornar ao local na manhã seguinte para encontrar seu possível empregador.”
Michael pensou rapidamente, já planejando na cabeça.
“Obrigado por me contar”, disse a Yuna. “Sem você, eu teria que confiar nas habilidades de investigação do Fudge. E você conhece o Fudge. O jeito dele às vezes é meio distorcido, para encaixar na visão ‘ninja’ dele do mundo”, brincou.
A adorável e nervosa slime saiu de sombra de Michael em protesto. “Mestre, eu sempre dou uma opinião imparcial!”
“Sério? Por que você não me contou que conhecia a Yuna?” perguntou Michael, encarando o culpado Fudge.
“Uh… isso não vem ao caso!”
Michael continuou olhando para a slime até que, finalmente…
“Uwaa~~ Tia Yuna! O mestre está me perseguindo!”
A suposta slime ninja indiferente pulou nos braços de Yuna como uma criança chorando por sua mãe após ser zoada no parquinho.
“Queridinho… não liga pra ele”, disse Yuna, acariciando Fudge e consolando a pequena slime. “Você está indo muito bem como ninja.”
A slime mimada rapidamente sorriu para Yuna antes de se virar e fazer careta para Michael.
“Sabe, ele é pra ser meu companheiro”, reclamou para Yuna.
“Então, cuide melhor dele”, retrucou ela zombando. “Caso contrário, eu o arrebento na hora.”
Michael riu baixinho, balançando a cabeça. “Aliás, Fudge, quer vir com a gente conversar com os Orcs? Te dou permissão para ficar de sentinela no perímetro, igual um ninja.”
“Sério?!”
Fudge pulou de volta para a cabeça de Michael tão rápido quanto saiu. Dá até pra enganar uma slimezinha, agora fingindo que nada aconteceu.
“Mestre, não se preocupe. Esses Orcs não vão me ver, mas eu vejo todos eles. Eu vou proteger você!”
“Ele não vai precisar disso”, disse Jaku, segurando o punho da espada. “Eu sozinho já estou de bom tamanho.”
“Conta comigo!” exclamou Zion.
“...eu também…”, murmurou Umisu.
“Senhor Michael, estamos ao seu dispor”, sheina se curvou com um sorriso no rosto.