
Capítulo 165
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Enquanto isso, bem no fundo das florestas, dois guardas da tribo Orcanine permaneciam alertas na entrada de sua aldeia. Sua missão era vigiar o perímetro e garantir que os Orcupines, seus inimigos, não entrassem na sua terra.
Os dois guardas estavam entretidos batendo um na cabeça do outro por diversão, quando, de repente, seus narizes se awareness.
Havia um cheiro no ar, um aroma que eles não sentiam há bastante tempo.
Era carne.
Já fazia algumas estações desde a última vez que detectaram cheiros de cervos ou bois na floresta. Os terremotos provocaram uma migração em larga escala, dificultando a obtenção de recursos para os Orcs, cuja dieta principal vinha da carne vermelha.
Mas agora, eles sentiam sangue no ar. Sangue fresco.
Motivados pela curiosidade e pela fome insaciável de carne vermelha, os dois guardas Orcs deixaram seu posto e seguiram o cheiro no ar.
Não demoraram muito até chegarem à borda da floresta, onde uma única peça de carne vermelha estava perfeitamente colocada sobre uma pedra achatada, como um altar, com sangue ainda escorrendo ao lado.
À medida que se aproximavam, perceberam que uma bandeira havia sido fincada dentro da carne, com uma única letra dourada escrita em pano branco.
'R'
Embora já fizesse anos desde que viram uma oferenda dessas, os dois guardas Orcs entenderam imediatamente o que aquilo significava.
Alguém estava tentando contatá-los!
Jamais teriam imaginado que, anos após o fim da Estrada Dourada, alguém voltaria a procurá-los por um motivo.
Por mais estranho que fosse, eles sabiam que aquela era uma oportunidade para a sua tribo adquirir recursos que poderiam fazer toda a diferença para eles.
Levaram a peça de carne e logo voltaram para a aldeia, alertando os demais Orcs da tribo enquanto o cheiro de sangue e carne se espalhava pelo ar assim que eles entraram.
"BU! TO! TO!" — gritavam com entusiasmo. Fazia tanto tempo desde a última vez que comeram carne que estavam radiantes.
E essa empolgação contagiou cada vez mais Orcs, que começaram a bater nas coxas e nos peitos, como faziam ao homenagear as árvores de cacau.
Não demorou para que o chefe da tribo Orcanine percebesse o que estava acontecendo.
Ele saiu de suas instalações e se aproximou dos dois guardas, que lhe entregaram a carne e a bandeira fincada nela.
"Empresa desconhecida", murmurou o chefe para si. O símbolo da bandeira não era algo que ele reconhecia dos tempos gloriosos da Estrada Dourada.
"Há quanto tempo vocês encontraram isso?" — perguntou o chefe.
"Só há alguns golpes de mãos, Chefe!" — responderam eles.
"Muito bem feito", disse o chefe. "Vocês fizeram um bom trabalho. Não só alertaram imediatamente, como impediram nossos rivais de ficarem sabendo dessa oportunidade. Muito bem, muito bem", afirmou.
Os Orcs se orgulhavam do seu olfato apurado, herdado do lado louco de lobo que alguns deles possuíam.
Levaria um dia inteiro para a tribo Orcupine detectar a bandeira de carne. Mas, graças à rapidez de seus guardas, eles não teriam chance de descobrir essa negociação.
Se entendessem o jogo certo, poderiam monopolizar todas as recompensas dessa missão, acumulando recursos suficientes para finalmente virar a balança a seu favor.
Era a oportunidade que ele aguardava para exilar de vez os Orcupines.
Então, virou-se para os demais acompanhantes.
"Preparem nosso melhor negociador para se encontrar com o comerciante amanhã de manhã. Certifiquem-se de que nada indique a esses Orcupines o que está acontecendo."
O restante dos Orcs gritou animado, concordando com a ordem do chefe. A ideia de finalmente comer carne os deixou tão empolgados que continuaram seus rituais até noite, celebrando intensamente.
"BU! TO! TO!"
…
…
…
No dia seguinte, um grupo de quatro Orcs da tribo Orcanine partiu rumo às bordas da floresta, na direção de onde encontraram a carne pela primeira vez.
Seu entusiasmo era evidente, com as orelhas em pé e os rabos abanando de um lado para o outro.
Porém, à medida que se aproximavam do local, uma mistura de aromas invadiu seus narizes.
Havia humanos na mistura, além de outras espécies desconhecidas que nunca tinham visto antes.
Mas aquilo não era o que os incomodava. Era o fato de reconhecerem o cheiro de alguém extremamente familiar.
Quando finalmente chegaram ao local do encontro, seus temores foram confirmados.
A tribo Orcupine também estava lá!
Elas também enviaram uma escolta de quatro Orcs para negociar com os humanos do outro lado da floresta.
Assim que os dois grupos de Orcs se viram, a raiva e o furor se elevaram como um vulcão, quase levando a uma nova discussão de berros.
Porém, as palavras do chefe deles ecoaram em suas mentes e os mantiveram calmos.
Seu ódio pela tribo Orcupine tinha que esperar. No momento, o objetivo principal era negociar com seus possíveis empregadores e conquistar seu favor.
Os dois grupos de Orcs se aproximaram cuidadosamente de Michael e seu grupo, atentos um ao outro.
"Nós, da Tribo Orcanine, estamos aqui para negociar com o humano comerciante. Oferecemos nossa força imbatível!" — gritaram com orgulho, provocando a rival ao olhá-la de cima a baixo.
"Nós, da Tribo Orcupine, ao contrário desses insensatos, oferecemos proteção inabalável! Não há defesa melhor que a nossa!" — retorquiram, empinando os espinhos e as espículas de ataque.
"Insensato?! Você tira isso da cabeça! Vocês são covardes!"
"Covardes?! Seu boboca!"
As duas tribos de Orcs já discutiam febrilmente, tentando impressionar Michael com suas posturas e gritos. Esqueceram que Michael não era Orc como eles, e apenas tentavam lhes impressionar batendo nas próprias coxas ou desferindo golpes nos espinhos.
Era uma cena bem estranha.