
Capítulo 152
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Assim que Michael ia perguntar ao velhinho o que ele queria dizer com aquilo, de repente ouviu uma cacofonia de vozes animadas ao longe.
Parecia que crianças estavam vibrando com uma festa de aniversário.
Ele não esperava sons tão alegres num povoado tão árido.
Curioso, Michael seguiu em direção ao centro da cidade, onde ficava o mercado principal. Ao fazer isso, avistou um pequeno grupo de crianças pequenas formando fila perto de uma única mesa.
Essas crianças, embora parecessem um pouco magras e desnutridas, estavam surpreendentemente mais saudáveis do que os adultos que ele tinha visto na cidade.
A maior parte das pessoas em Orcus Town permanecia dentro de suas casas, preferindo ficar deitados e dormir o dia todo para economizar energia. Assim, conseguiam passar o dia com menos fome.
Mas, de alguma forma, essas crianças tinham energia suficiente para pular de empolgação enquanto olhavam para aquela mesa.
"Finalmente! Aguardo isso desde ontem!"
"Hehe! Uhul!"
"Será que vamos receber hoje…"
As crianças conversavam entre si, com uma expressão empolgada.
Michael lentamente se aproximou da multidão, misturando-se às crianças.
"Meninas e meninos… Sem empurrões, hein? Sua vez vai chegar."
Do outro lado da mesa de madeira, havia uma mulher de meia-idade, que sorriu de maneira gentil para as crianças.
E mesmo com toda a empolgação delas, as crianças não desobedeciam a mulher e permaneciam na fila.
"Sim! Vamos sim!" disseram todas em uníssono.
Michael olhou através da multidão e finalmente viu o que estava sobre a mesa.
Pensou que fosse algo especial.
Mas… era só um par de pães. Nem de longe suficiente para alimentar uma família de quatro pessoas, quanto mais um grupo de crianças assim.
Logo, ele foi surpreendido novamente.
A mulher de meia-idade, com um avental gasto, pegou um pão e começou a rasgar pedaços pequenos para distribuir para cada criança que estava na fila.
"Obrigada, moça!" disse uma delas, enquanto devorava com alegria um pedaço menor que seu punho.
"Valeu! Vou apreciar muito isso!" disse outra enquanto cuidava para não comer tudo de uma vez só.
Logo, todas as crianças receberam um pedacinho de pão, exceto Michael.
A mulher olhou para ele com curiosidade, sem reconhecer seu rosto. Sua expressão demonstrava preocupação e um pouco de pânico ao perceber que havia acabado o pão para ele.
Ela rapidamente vasculhou seu cesto de vime até encontrar uma pequena cenoura de bebê presa nas bordas. Virou-se para Michael e fez um gesto para que ele se aproximasse.
"Este é o único alimento que tenho por enquanto. Pode pegar."
Michael olhou para a mulher de meia-idade e viu que sua Mana de Vida estava se esvaindo.
Ela precisava de comida mais do que ninguém.
No entanto, ela insistiu que ele pegasse o último pedaço do que tinha.
"Não precisa, obrigado," disse ele.
"Ah, não seja tímido, menino! Você precisa de muita comida para crescer direito, tá certo?"
A mulher se aproximou e forçou-o a abrir a mão. Então, ela colocou a cenoura de bebê em suas mãos e fechou-as.
"Você sempre será bem-vindo aqui," disse ela.
Michael olhou para ela, tocado pela sua generosidade.
"Eu nunca te vi aqui antes!"
Um das crianças, enquanto mastigava um pedaço de pão, falou com um sorriso amigável para Michael.
"Olha só! Parece que você não conseguiu pegar um pra si mesmo!"
O pequeno quebrou metade do pão restante em suas mãos e entregou para Michael sem hesitar. Ele já era menor do que seu punho, e agora tinha o tamanho de um morango.
Apesar de claramente ser mais novo do que Michael, o menino ofereceu um pouco do seu pão sem egoísmo, sabendo que poderia passar fome depois.
"Você é novo por aqui? Pode ficar com um pouco do meu também!"
Outro garotinho se aproximou de Michael e rasgou um pedaço pequeno de pão para ele.
"Não estou com muita fome. Posso dividir com você?"
"O que é meu é seu!"
"Vamos nos entender bem no futuro, tá bom?"
Um por um, as crianças começaram a dar pequenos pedaços de comida a Michael, enquanto se apresentavam. Mesmo sendo um estranho para elas, tratavam-no como se fosse da família.
A primeira impressão de todos ao ver Michael era que ele era um dos órfãos perdidos que vagavam pela cidade.
Ele parecia necessitar de ajuda.
E, quando essas crianças precisaram de ajuda, a mulher também deu comida a elas sem hesitar. Agora, elas estavam só retribuindo com gratidão.
Michael assistia a tudo, sem palavras, impressionado com a bondade de todos com um estranho completo.
Estava claro que eles eram os que mais precisavam de ajuda, mas eram justamente os que se esforçavam para ajudar os outros.
"Mas, como é que você vai se alimentar?" perguntou Michael para a mulher de meia-idade.
"Não se preocupe comigo, garoto! Já comi o suficiente," ela disse, batendo de leve na barriga, como se estivesse extremamente satisfeita.
Não demorou para Michael perceber o que estava acontecendo.
Ele olhou ao redor e viu que todos os idosos e pessoas mais velhas observavam pelas janelas com sorrisos satisfeitos.
Mesmo que só as crianças estivessem comendo, elas não reclamavam nem imploravam por mais.
Parecia que haviam deixado toda a comida para as crianças, sem reservar nada para si mesmos. Se eles dividissem a comida entre todos os habitantes, ela duraria apenas alguns dias. Mas, se apenas as crianças comessem, eles poderiam durar meses a mais.
Ao ver isso, seu coração se aqueceu.
As pessoas estavam ainda cheias de solidariedade, apesar da situação terrível em que se encontravam. Ajudavam uns aos outros a sobreviver e estavam até dispostos a se sacrificar para dar às crianças uma chance maior de sobreviver.
Naquele momento, Michael tomou uma decisão: ele iria ajudar aquela cidade.