Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

Capítulo 80

Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

As celebrações continuaram, com os anões ensinando aos HobMankeys tudo o que sabiam sobre beber álcool.

Risadas e discursos arrastados ecoaram pela praça da cidade até tarde da noite.

Thrain e Lolo ficaram bastante competitivos na brincadeira de quem conseguia terminar uma caneca de cerveja mais rápido.

Até Fudge, que normalmente ficava à sombra de Michael, não conseguiu resistir e entrou na farra.

Ele acabou sendo uma espécie de mascote da vila, exibindo todos as suas habilidades de ninja — o que, claramente, ia de encontro ao que um verdadeiro ninja deveria fazer.

Os anões também participaram, se divertindo ao se trapacearem com barba trançada de formas estranhas e inusitadas. Um deles até fez uma réplica do rosto de Michael na barba, o que foi bastante apreciado por todos.

Kong e os outros HobMankeys sentiram-se se aproximando mais dos anões, num nível mais profundo. Começaram a conversar sobre suas vidas anteriores, quando tudo parecia sem esperança e perdido. Então, tudo mudou ao encontrarem Michael.

Homens e HobMankeys se entenderam nesse momento.

Tantos anões quanto HobMankeys continuaram bebendo cerveja até que todos os barris que Michael preparou acabaram, vazios, até a última gota.

Devido à sua constituição mais resistente, resultado de terem evoluído para uma espécie superior, os HobMankeys descobriram que podiam competir com os anões em uma disputa de beber.

Mas, claro, os anões ainda os deixavam para trás facilmente.

Ao final da noite, quem ainda estavam acordados eram Michael — que não bebeu nada — e Thrain, que se mostrou ser quem tinha o estômago mais forte.

"Essa cerveja, Michael... é algo fora do comum. Até os anões da corte, com os paladares mais refinados, acabariam apreciando essa bebida gelada."

E não é só essa cerveja, Michael. Tudo que você fez nesta terra desolada vai conquistar o coração de anões e até de outras criaturas, tenho certeza.

"Seu sistema de encanamento, sua eletricidade, essa cerveja, o jogo de beisebol e, principalmente... a atmosfera e o espírito desta vila —"

"Tenho certeza de que todo mundo gostaria de experimentar isso na vida. Nós também. Se fosse possível, quereríamos morar aqui para sempre."

Michael olhou para Thrain e viu a expressão dolorida em seu rosto.

"O que quer dizer? Por que vocês não podem ficar aqui na nossa vila?"

Thrain suspirou e olhou para as estrelas. "Não é tão simples, Michael. Mesmo estando nas fronteiras do Reino dos Anões, ainda fazemos parte dele. Não podemos simplesmente abandonar nossas responsabilidades com nosso povo."

"Que responsabilidades?" Michael questionou.

"Nossa vila é a linha de defesa mais extrema do reino. Agora que foi destruída, cabe a nós reconstruí-la. Então, quando o tempo passar e o deslizamento de terra não for mais um problema, precisaremos retornar para reconstruí-la manualmente," explicou Thrain.

Essa foi uma decisão difícil para Thrain. Mesmo tendo passado apenas um dia na vila, eles se sentiram profundamente atraídos por sua cultura e modo de vida.

Era extremamente difícil abandonar esse lugar, sobretudo depois de descobrirem o quão maravilhoso ele era. Mas fizeram um juramento ao reino. Traí-lo seria como arrancar o coração deles de quem são.

Michael pensou por um momento e encontrou uma solução.

"E se a gente construir uma linha de defesa no lugar da vila?" sugeriu.

"O que quer dizer?"

"Você disse que sua vila é a primeira linha de defesa do reino, certo? E se construirmos uma muralha? Ela funcionaria como uma defesa para o reino, e assim vocês não trairiam seu juramento e poderiam continuar morando aqui para sempre."

Thrain achou que Michael poderia estar propondo uma solução improvisada, mas a sinceridade no olhar dele dizia o contrário. Michael estava falando sério.

"Agradecemos sua gentileza, mas não podemos deixar que vocês e essa vila carreguem essa responsabilidade. Construir uma muralha dessa levaria meses de trabalho árduo. Além disso, a distância entre a vilinha e o Reino dos Anões é grande demais; simplesmente não é viável."

Michael riu, quase ofendido, ao pensar que Thrain achava que uma tarefa tão simples levaria mais de alguns dias.

"Por favor. Vocês subestimam nossa habilidade na construção. Certo, Kong?"

Kong, um pouco bêbado, lentamente se levantou debaixo da mesa e acenou com a cabeça.

"Uma muralha simples? Hmph. No máximo, quatro dias." vangloriou-se Kong.

"Temos cerca de vinte HobMankeys capacitados para essa construção," disse Lolo, limpando a espuma da boca. "Mas, por se tratar de um projeto tão simples, acho que nem precisaríamos de mais de dez."

Thrain olhou para os três e não podia acreditar no que ouvia.

Uma muralha de defesa feita em menos de quatro dias? Isso era absurdo! Até o artesão mais rápido do Reino dos Anões precisaria de pelo menos um mês.

"Agradeço a intenção, mas não creio que seja possível, pelo menos não no nível que nós, anões, consideramos aceitável."

Thrain pensou que Michael e os outros criariam uma simples muralha de madeira. Afinal, era tudo que poderiam fazer em quatro dias.

Para convencê-lo, Michael apontou para o chão sob seus pés.

"Thrain, você acha que o chão é forte o suficiente para ser considerado uma boa muralha?" perguntou.

Thrain olhou para o chão e testou sua resistência com um pisão. Depois de ouvir o som oco que produziu, soube que aquele solo realmente poderia fazer uma ótima muralha.

"Mas isso é de pedra, não é?" questionou Thrain. "Duvido que vocês possam esculpir uma muralha de pedra em um mês, quanto mais em quatro dias, como disseram."

Michael sorriu com ar de convencido. "Kong, diga algo."

Kong despejou a garganta e falou: "Só um dia. Esse chão era de lama e terra, mas conseguimos deixá-lo assim em um dia."

Thrain levantou-se rapidamente de sua cadeira, o choque logo o deixando sóbrio.

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