Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 787

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Claro, o Neo do nono Éon não tinha sido um Deus comum.

Ele era um Deus Divino do Reino, um nível muito além do que a maioria das criaturas poderia imaginar.

Mas não tinha memória de como havia se tornado um Deus assim.

Tudo o que recordava era de ter entrado nas Terras Verdadeiras Abençoadas, e tudo após isso tinha desaparecido.

No instante em que alguém saía daquele lugar, toda memória dele desaparecia.

Sua localização, sua essência, até mesmo as circunstâncias que o levaram até lá.

Ele sabia que tinha vivido nesse lugar.

Sabia que tinha ficado mais forte.

Mas não como. Nem mesmo lembrava onde ou o que eram as Terras Verdadeiras Abençoadas.

E seu Espírito da Técnica deveria ter morrido quando o nono Éon acabou.

Sem ele, sua força física não deveria ter passado de Estágio 6.

E, no entanto, ali estava com uma base de Estágio 8, algo que não deveria ser possível.

'Será que meu Espírito da Técnica se fundiu ao meu corpo?' pensou.

Nada mais fazia sentido.

Seu novo corpo estabilizou e reforçou sua existência, e no instante em que se acomodou no lugar, Moraine aproveitou a clareza.

Informações foram inseridas em sua mente.

Detalhes da técnica, instruções, fragmentos de um método para consertar o corpo quebrado do nono Éon.

"Essa técnica vai ajudar você a curar essa forma. Agora vá. E não volte."

"Moraine—espera." Neo

tentou avançar com a pergunta, mas as palavras mal saíram de sua boca.

Seu corpo tremeu.

A força que o empurrou não era nada como antes.

Da última vez, Ultris o havia lançado, e sua existência quase foi destruída, por isso ela fora "gentil".

Mas agora que ele tinha um corpo com muito mais tolerância, ela não precisava se conter.

Ela o lançou com uma força que ele não conseguia medir.

O espaço ficou turvo. Trevas e luz se dobraram ao seu redor.

Um instante depois, ele apareceu ao lado do Mundo do Espírito Elemental da Esperança.

Gigantescas mãos douradas formaram-se ao redor do mundo, manifestação da vontade de Apollyon.

Elas se estenderam, tentando impedir sua entrada.

A presença delas parecia antiga, protetora e inflexível.

Mas as lâminas da Escuridão as cortaram sem hesitação.

As Horrores acompanharam essas lâminas, abrindo um caminho direto para Neo.

Elas não se importavam com quem ou o que cortavam.

Eram mera serventia para obedecer à Soberana Louca, e seu objetivo agora era a sobrevivência de Neo.

O corpo de Neo passou pela brecha.

E então, ele entrou no Mundo do Espírito Elemental da Esperança.

Terras Verdadeiras Abençoadas.

...

Do lado de fora, o campo de batalha mudou no instante em que Neo desapareceu.

A pressão que tinha invadido o espaço ao seu redor dissipou-se um pouco, mas a destruição não diminuiu.

Pelo contrário, aumentou.

Agora que Neo se fora, Moraine não precisava mais usar a máscara da bondade,

Conversar com ele consumia toda a sanidade que ela tinha "guardado" após bilhões de anos.

O que restava agora era seu verdadeiro estado.

Insanidade materializada.

A Soberana Louca não era como Apollyon. Ou Neo. Ou a Ouroboros. Ou Hades.

Ela não era nem gentil, nem se importava com os outros.

Ela cuidava de uma coisa só.

E a raiva instintiva desencadeada pelo estado acidentado de Neo a empurrou além do limite.

Ela destroçou universos sem hesitar.

Seu poder explodiu, e os universos sob sua influência desabaram.

Seres gritaram enquanto seus mundos se despedaçavam.

Universos se dobraram.

O espaço se torceu até não ser mais reconhecível.

Tudo que estava na explosão foi dilacerado.

Cada Conquistador que ousou atacar Neo pagou um preço semelhante.

Seus mundos se quebraram. Seus universos se fragmentaram.

Moraine nem se preocupou em distinguir inocentes de culpados.

Eles tinham tocado Neo.

Isso era suficiente.

Foi cruel. Neo a odiaria por isso.

Mas ela seguiu adiante.

O campo de batalha voltou a ficar caótico.

Imortais e Conquistadores tentaram contê-la.

O Supremo das Trevas colidiu com os Horrores que ela trouxera, depois se separou e se fundiu repetidamente, como se sua loucura não pudesse decidir qual caminho seguir.

Os Imortais fizeram de tudo para manter a linha, mas era como tentar conter uma tsunami a mão limpa.

Enquanto isso, Veydran se aproximou de Apollyon.

"O que você pretende fazer agora?" perguntou Veydran.

Ele observava os universos em colapso à sua frente, com expressão fechada.

Outros ainda lutavam contra o Supremo das Trevas, os Horrores e os Imortais.

Mas Apollyon e Veydran tinham se afastado há pouco.

Eles sabiam que salvar qualquer outro universo que não fosse aqueles já era impossível.

Aqueles universos estavam na influência do raio do Supremo Louco.

Apollyon não respondeu de imediato.

Seus olhos acompanharam os fragmentos da realidade sendo sugados para dentro do mundo em expansão do Supremo Louco.

As almas presas nele estavam sendo absorvidas e fundidas.

Perdiam sua identidade a cada segundo.

Por fim, ele falou.

"Vou tentar salvar as almas que estão presas no mundo dele. Contanto que elas não estejam fundidas muito profundamente, ainda temos chance de dar um fim digno a elas."

Veydran assentiu lentamente. "E depois?"

O olhar de Apollyon desviou-se da destruição pela primeira vez. "O que você quer dizer?"

"Precisamos entrar nas Terras Verdadeiras Abençoadas," disse Veydran.

Seu tom permaneceu firme, mas Apollyon percebeu a preocupação subjacente.

"O Demônio da Tirania é perigoso. Não há como saber que tipo de força ele ganhará lá dentro."

Apollyon não respondeu imediatamente.

O medo de Veydran era justificado.

As Terras Verdadeiras Abençoadas não são um lugar para se brincar.

Até mesmo adentrar nelas traz riscos, e sobreviver à experiência não é garantido.

Apollyon não era como os outros.

Ele não tinha perdido as memórias daquele lugar.

Sabia exatamente o que existia lá.

Sabia como aquilo mudava as pessoas. Como devorava elas. E como apagava facilmente até os seres mais fortes existentes.

Pensou por um momento antes de responder: "Você tem razão. Mesmo em seu estado atual, ele pode crescer rápido dependendo do que encontrar lá dentro. As Terras Verdadeiras Abençoadas não têm limites."

Havia também a possibilidade de Neo morrer rapidamente.

Vários Deuses do Estágio 6 entraram nesse lugar com certeza e nunca mais voltaram.

Até o Supremo do Elemento Arma ficou preso lá dentro, e depois disso, nenhuma notícia dele.

Era assim de perigoso.

Por outro lado, a chance — por menor que fosse — de Neo recuperar seu poder e superá-lo novamente era demasiado perigosa para ignorar.

Apollyon compreendia que seria impossível fechar um acordo com Neo.

Iriam se tornar inimigos.

Não, já eram inimigos.

"Entrarei nas Terras Verdadeiras Abençoadas. E procurarei por ele."

Veydran não hesitou. "Vou com você."

"Você pode morrer lá. Mesmo que tenha pra fora uma vez, isso não significa nada. Sobrevivência não é garantida na segunda tentativa."

"Fiz minha escolha."

A resposta de Veydran foi firme.

Apollyon não questionou. Respeitou a decisão.

E justo quando virou sua atenção de volta para o Mundo do Espírito Elemental da Esperança, a realidade os refletiu.

Uma figura saiu calmamente.

Supremo das Sombras.

As ondas da realidade ondularam ao redor da figura que surgiu.

As flutuações se acalmaram quase imediatamente, deixando para trás a forma tranquila do Supremo das Sombras.

Seu porte era relaxado, mas o ar ao seu redor carregava um sussurro de algo mais profundo. Algo silencioso, mas perturbador.

"Não se preocupe com o Cosmos. Eu cuidarei dele. Garantirei que não haja problemas enquanto você estiver fora," afirmou o Supremo das Sombras.

Apollyon e Veydran olharam para o Supremo das Sombras com desconfiança, mas assentiram.

Normalmente, não precisariam se preocupar com o Supremo das Sombras.

Ele era um Supremo mais jovem e não muito forte.

Porém…

"Você matou Ultris?" perguntou Apollyon.

"Sim," o Supremo das Sombras assentiu.

Na época em que Apollyon saiu das Terras Proibidas, o Supremo das Sombras havia puxado Ultris para dentro de seu Mundo.

Ele havia dito a Apollyon para seguir Neo, enquanto cuidava de Ultris.

Veydran estreitou os olhos. "Como você derrotou Ultris?"

"Tive uma ajuda do [Entidade] que visitou nosso Cosmos. Usei essa ajuda para emprestar um ataque verdadeiro. Ativei Ultris com ele."

A explicação foi simples. Excessivamente simples.

A mandíbula de Apollyon se fechou.

Ele compreendia o peso de uma ajuda de uma [Entidade].

Fazia sentido que pudesse matar Ultris com ela.

Mas um favor desse tipo não é algo que se gasta sem cuidado.

Nem mesmo algo que se espera receber.

A [Entidade] convivendo há muito tempo com seu Cosmos, mas nunca demonstrou intenção de ajudar alguém ou causar destruição.

Então, a questão não era como o Supremo das Sombras matou Ultris.

Era por que ele decidiu ajudá-los, de fato.

"Você usou esse favor para matá-lo," disse Veydran lentamente. Sua voz era controlada, mas a incredulidade nítida. "Por quê?"

"Eu acredito na sua causa."

Veydran quase zombou.

Nessa história toda, ele não acreditava nem por um segundo nessa bobagem.

Apollyon permaneceu calado.

Mas também não acreditava totalmente. A explicação simplista não condizia com a gravidade do ato ou com a personalidade do Supremo das Sombras.

Por isso, desconfiavam dele, mesmo que depois de usar o favor da [Entidade], ele fosse apenas um Supremo comum.

De qualquer forma, não havia tempo para investigações mais profundas.

"Vamos partir agora," disse Apollyon.

O Supremo das Sombras assentiu. "Vou acompanhar vocês por aqui."

Apollyon virou o olhar na direção do Mundo do Espírito Elemental da Esperança.

Sem uma palavra, Veydran enviou uma mensagem silenciosa pela rede dos Imortais.

'Fiquem de olho no Supremo das Sombras.'

Eles não esperaram mais um momento.

Dirigiram-se ao Mundo do Espírito Elemental da Esperança.

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