
Capítulo 749
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
O céu era um caos.
Trovões rolavam acima enquanto Zeus colidia com os Dragões Ancestrais.
Cada golpe iluminava o céu. Cada rugido tremia o mundo abaixo.
Mas Amelia não tinha tempo de olhar para cima.
Sua batalha era aqui. Contra Laplace.
O mar tremia sob seus pés.
Seu poder inundava o mundo ao redor, transformando tudo em água que se deslocava e luz que ondulava.
No entanto, por mais que ela tentasse, Laplace permanecia ali, sem um único ferimento.
Ela lançou outra onda de força, tecendo Ilusões da Realidade e torcendo os ramos do Tempo para atacar de todos os lados.
Até o Sangue dos Caídos ■ se contorcia e gritava pelo mar flutuante enquanto ela o forçava para baixo.
Mas nada funcionava.
Laplace caminhava por aquilo como se fosse vento passando por suas roupas.
A expressão de Amelia se fechou.
"Como... como ele é tão forte?"
Não, essa não era a pergunta certa.
"Por que não consigo usar meus poderes direito?"
Esse era o verdadeiro problema.
Ela tinha as habilidades de um Supremo e o Sangue que aterrorizou deuses.
Mas, naquele momento, ela não era diferente de uma criança tentando pilotar uma máquina de guerra sem saber como.
"Amelia!"
Uma voz surgiu, fazendo-a reanimar.
Ela se virou e viu Percival.
Ele mal conseguia ficar de pé, com sangue escorrendo de sua boca.
Seus olhos ainda estavam fechados, exaustos pelo poder que usara mais cedo.
Ele segurou seu pulso com força.
"Pare de se segurar!"
"O que? Eu não—"
"Você sim! Você está poupando sua po—" ele tossiu forte, espirrando sangue na própria queixeira. Mesmo assim, não parou. "Pare de poupar seus poderes! A razão dele ainda não ter usado seu Mundo não é porque ele está de cabeça quente com você. É porque ele consegue—"
Antes que pudesse terminar, uma sombra caiu por sobre eles.
Uma onda de água negra, espessa como piche, destruindo tudo.
Amelia se virou, olhos arregalados.
Laplace estava em cima do pico da onda, braço levantado, sorrindo amplamente.
A tsunami atingiu antes que ela pudesse reagir.
Ela tentou formar uma barreira de água pura, mas o avanço negro atravessou tudo.
A força a fez girar pelo próprio mar, e quando conseguiu se estabilizar, Percival já havia desaparecido.
"Percival!"
Sua voz ecoou pelo azul infinito.
Não veio resposta.
Ela conseguiu sentir seu fraco fluxo de vida, embora fosse distante, enterrado sob as ondas turbulentas.
Ela desejou ir atrás dele. Mas não conseguiu.
Laplace já estava na frente dela novamente, sua presença pesada como uma montanha.
Se ela perdesse o foco, morreria. E se ela — a única pessoa capaz de lutar contra Laplace — morresse, então todos morreriam.
Ela cerrrou os punhos, forçando-se a respirar.
Mesmo assim, sua mente reviu suas palavras.
'A razão dele ainda não ter usado seu Mundo não é porque ele consegue… o quê?'
Será que Laplace "não consegue" ativar seu Mundo Supremo?
Isso não fazia sentido.
Mas a maneira como ele lutava… era demasiado contida para alguém do nível dele.
Ele usava força e técnicas, não uma supressão pura do Mundo.
Se pudesse usar seu Mundo, ela já estaria morta.
Laplace percebeu a hesitação em seus olhos.
Ele franziu a testa.
'Parece que ela descobriu alguma coisa.'
Laplace rangeu os dentes e atacou com mais fúria.
Porém, ele ficava olhando ao redor.
'Cadê aquele assassino idiota?' pensou Laplace.
Aquele assassino era perigoso.
Por isso, Laplace o matou na hora ao chegar.
Apesar de seu comportamento selvagem, cada movimento dele tinha planejamento.
Ele matou Felix na hora, pois sabia o quão perigoso ele poderia ficar se continuasse vivo.
Agora, algo estava escondendo Felix de sua percepção.
'É aquele cara do Destino. Ele está encobrindo tudo', pensou Laplace.
Ele tentou mirar Percival novamente, mas toda vez que seu poder se dirigia na direção dele, algo interferia.
Amelia nem percebia, mas sua energia continuava formando barreiras ao redor de Percival.
Elas eram automáticas, reagindo a cada ataque dirigido contra ele.
'Tsc. O Supremo da Água deixou uma [Espírito de Técnica] dentro dela para proteger o garoto do Destino. Essa mulher era sempre cautelosa demais.'
Laplace estava prestes a lançar outra onda de destruição quando Amelia de repente falou:
"Você era um Supremo antes."
"…."
"…E agora não é mais. O que aconteceu com seu Mundo Supremo?"
A expressão de Laplace escureceu.
Ele ficou em silêncio, mas a tensão em sua mandíbula revelou seu aborrecimento.
"Você não consegue acessá-lo, né? Por isso que não usou seu Mundo."
"E daí?"
Laplace zombou, estreitando os olhos.
"Que diferença faz? Mesmo sem meu Mundo, posso te esmagar com um gesto."
Porém, Amelia não parecia mais assustada.
Pela primeira vez, ela parecia calma.
Ela inclinou um pouco a cabeça, como se estivesse ouvindo alguém sussurrar. Então, endireitou as costas e respirou fundo.
Algo mudou no ar.
Laplace percebeu imediatamente.
O mar estabilizou. O som das ondas quebrando desapareceu. Até o ar parecia diferente — mais denso, mais pesado.
Aura de Amelia começou a subir, emitindo um brilho azul suave.
As ondas calmas sob seus pés começaram a tremer, e o ar se encheu de uma pressão tão pesada que até Laplace precisou recuar um passo.
Ela não estava mais se segurando.
Toda a força que ela escondia até então — cada gota de poder dado pelo Supremo da Água — era liberada.
Laplace estreitou os olhos. "Então, você finalmente resolveu ficar séria."
Amelia não respondeu.
Ela levantou a mão, e o mundo ao redor deles mudou.
O mar virou uma superfície lisa como vidro, perfeitamente quieto.
Quando Laplace enviou um ataque de destruição pura na direção dela, o ataque atingiu-lhe o peito, dividindo seu corpo ao meio.
Por um segundo, Laplace achou que tinha acabado.
Então ela estalo os dedos.
A forma de seu corpo, quebrada como água, ondulou e depois se dissolveu em reflexo.
Não só seu corpo, mas o Mundo inteiro se dissolveu em reflexo, dando origem a uma nova realidade onde ela saiu ilesa.
Laplace franziu o cenho. "Truques de brincar."
"Quem sabe," ela respondeu, "mas eles funcionam."
Ela balançou o braço, e a superfície sob Laplace refletiu sua imagem.
O reflexo foi atacado, então de repente; o corpo real de Laplace foi alvejado para trás por um corte profundo que atravessou seu peito.
Amelia não o atacava diretamente.
Ela atacava o reflexo dele.
Laplace rosnou e levantou a mão. "Você não ganha com espelhos."
Uma explosão de luz preta saiu da palma de sua mão, consumindo o reflexo e o mar ao seu redor.
Tudo o que a luz tocou se dissolveu.
Até as reflexões das ondas desapareceram.
Amelia fez uma expressão de desaprovação, mas não parou.
Agora, com as duas mãos, ela levantou um círculo de água ao redor dela.
Cada gota continha inúmeros mundos espelhados, todos emitindo um brilho fraco.
"A água lembra de tudo," ela sussurrou. "E isso inclui seus ataques."
As gotas brilhavam, reproduzindo suas ondas de destruição anteriores, só que desta vez, ao contrário.
A destruição foi devolvida a Laplace.
Ele levantou o braço para bloquear, mas ela estalo os dedos de novo.
"Congela."
O mundo parou de se mover.
O rio do tempo congelou em pleno fluxo, deixando tudo preso no lugar, exceto Amelia.
As ondulações no ar, as pequenas faíscas de energia, até os fragmentos da destruição de Laplace.
Todos pararam.
A expressão de Laplace permaneceu imóvel, seu ataque completamente travado.
Amelia lentamente se aproximou dele, levantando a mão. "Tudo acabou—"
Mas antes que pudesse atacar, rachaduras começaram a se formar no ar congelado.
O poder de Laplace começou a escapar novamente.
O congelamento do tempo quebrou como vidro, e sua aura explodiu, rasgando o mundo aberto.
Ele sorriu.
"Você acha que o tempo importa pra mim? Destruição não segue o tempo."
Ele fechou a mão, e os fragmentos congelados do tempo começaram a desmoronar.