Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 750

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

"Você acha que o tempo importa para mim? A destruição não acompanha o tempo."

Ele cerrara o punho, e os fragmentos congelados do tempo começaram a desmoronar-se.

A cada segundo que ela tinha congelado, ele se despedaçava, liberando ondas de choque violentas que rasgavam seu mundo.

Amélia foi jogada para trás, tossindo sangue.

Laplace avançou, seu corpo brilhando com energia negra.

"Seu truque acaba aqui."

Ele levantou a mão, e um feixe de destruição rasgou o oceano.

Toda onda, todo reflexo, cada traço de luz foi consumido por ele.

Amélia tentou contra-atacar com uma técnica — criando uma espiral de água infinita para absorvê-lo — mas sua destruição penetrou como papel.

O mundo dela começava a desmoronar.

E então, algo cruzou o céu em velocidade.

Uma sombra gigante rompeu o Mar de Sangue acima e caiu direto no mar abaixo.

O impacto foi tão forte que o Mundo de Amelia se partiu em pedaços.

Quando a névoa se dissipou, um corpo de dragão enorme jazia meio submerso no mar.

Os olhos de Laplace se arregalaram.

"Aerion!"

O dragão não se mexia.

Suas escamas estavam chamuscadas, uma asa completamente arrancada, e sua cauda reduzida a cinzas.

Um espeto de relâmpago dourado estava enterrado fundo no peito dele.

Zeus flutuava acima deles, relâmpagos dançando ao redor de sua forma ferida.

Seu manto estava rasgado, mas era só. Em comparação ao dragão ancestral, podia-se dizer que ele não tinha sofrido nenhum dano.

O rosto de Laplace se contorceu de choque e raiva.

Ele ignorou Amelia e correu em direção a Aerion, afastando a chuva de ataques dela.

Ele até bloqueou o próximo relâmpago de Zeus com uma onda de pura destruição.

Tudo que via era o dragão morrendo lá embaixo.

Laplace aterrissou ao lado de Aerion e estendeu a mão, tentando transferir sua energia para ele.

"Não ouse morrer, Aerion!"

Mas antes que sua mão pudesse tocar a ferida, a garra do dragão de repente se levantou e segurou seu pulso.

"Peguei você," disse Aerion, sorrindo.

Laplace congelou. Seus olhos se arregalaram ao perceber a gravidade da situação.

Algo estava errado.

Antes que pudesse recuar, um som frio de metal clicou perto de sua cabeça.

Ele se virou lentamente e viu uma câmera apontada contra sua testa.

"Adeus," sussurrou Felix, puxando o gatilho.

A bala atravessou a cabeça de Laplace limpidamente.

No mesmo instante, o corpo de Aerion se dissolveu em névoa, e Zeus desapareceu com ele.

No lugar deles, apareceu Berserker, sorrindo como um louco.

"Eu avisei. Esses dragões são burros demais e confiantes demais na própria força, isso só atrapalha."

Amélia exalou aliviada, lembrando do que tinha acabado de acontecer.

A voz que ela ouvira anteriormente era de Berserker, contando o plano para ela.

Ele vinha construindo uma ilusão forte o suficiente para enganar até Laplace até agora.

Felix caiu no chão, sentando-se pesadamente. Parecia pálido e exausto.

"Droga, por que eu tinha que ser o primeiro a morrer? Isso é ridículo."

Amélia deu um pequeno sorriso e foi ajudar Percival a se levantar.

"Conversaremos sobre isso depois. Agora precisamos checar o Arthur," disse.

Mas antes que pudessem se mover, uma voz baixa, rouca, ecoou.

"Para onde vocês estão indo?"

Todos contraíram-se.

Viraram lentamente.

O corpo de Laplace se moveu. Sua cabeça pendia baixa, sangue jorrando do buraco, mas sua presença ainda ali permanecia.

Ele resistia à morte com pura força de vontade.

"Felix! Volte!" gritou Amelia, achando que Laplace iria atacar num último ato de fúria.

Mas, ao invés de atacar, Laplace começou a rir.

A risada era alta, cortada, damaged e perturbada.

"Acham que isso… acabou?"

Seu poder começou a se condensar no peito, formando um vórtice negro que girava como um turbilhão.

Os olhos de Amelia se arregalaram.

"Ele vai—"

Antes que pudesse terminar, Laplace explodiu.

A explosão foi enorme, balançando todo seu Mundo.

Mas a energia não se espalhou para fora; ela foi se concentrando, entrando na própria essência da realidade.

A expressão de Amelia mudou.

'Não… ele não quer destruir o mundo. Ele quer destruir o tempo.'

Ela sentia isso.

O poder de Laplace consumia o rio do tempo dentro de seu mundo.

Ele estava apagando cada momento desde sua morte para trás, eliminando tudo que tinha acabado de acontecer.

Se ele apagasse todo o tempo desde sua morte até o momento em que foi atacado, o tempo se rewindaria.

Ele voltaria à vida.

Amélia gritou e tentou impedir.

Ela despejou toda sua força no rio do tempo, tentando mantê-lo intacto.

Mas era inútil.

A destruição espalhava-se rápido demais.

O tempo rachou, quebrou e finalmente se desfez.

A realidade começou a oscilar.

O mar virou de cabeça para baixo. O ar crepitou. Tudo se transformou numa névoa de luz e cores confusas.

E então, silêncio.

Quando Amelia abriu os olhos, estava na mesma posição de antes.

Um trovão ecoava ao longe.

Mais uma vez, um dragão gigante caiu em seu mundo, seu corpo entrando no mar.

Aerion.

Amélia prendeu a respiração.

'Não… aconteceu de novo…'

Laplace virou-se para olhar o corpo.

"Hahaha," zombou. "Acham que cairia na mesma ilusão duas vezes?"

Desta vez, ele sabia que era mentira.

Ele virou ligeiramente a cabeça.

"Use algo melhor do que truques infantis—"

As palavras pararam de repente.

Seus olhos escureceram instantaneamente.

Gotas de sangue escorreram pelo buraco na cabeça dele.

O corpo de Laplace vacilou, depois caiu de cabeça no mar com um splash.

Longe dali, Felix apareceu.

"Idiota," murmurou, com tom cansado, mas satisfeito. "Minha arma é um Nêmesis Demônio. Mesmo se você voltar no tempo, sua morte não muda. Você morre com a minha bala, e ponto final."

O mar ficou calmo. A luz da destruição se apagou.

Amélia olhou para a forma de Laplace afundando e soltou um suspiro trêmulo.

Percival encostou-se em seu ombro, quase sem forças. Berserker cruzou os braços, sorrindo como se tudo tivesse sido uma brincadeira divertida.

"Acho que resolveu," disse.

Amélia não respondeu imediatamente. Olhou ao redor, para seu mundo partido. Estava rachado, tremendo, e lentamente se recuperando.

"Não," disse suavemente. "Ainda não. Ainda temos que enfrentar Zeus, trazer o Arthur de volta e fazer alguma coisa com os Dragões Ancestrais restantes."

Berserker sorriu ainda mais. "Agora isso é que é uma diversão."

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