Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 736

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Rhaegor-Kul (Comandante Supremo da Aliança) POV

Os passos de Rhaegor-Kul ecoaram como trovão pelas pedras polidas da cidadela da Aliança.

Cada passo era tão pesado que o chão parecia ranger sob ele.

Sua mente não estava na estrada que percorria, mas nas palavras que seu vice-comandante havia lhe dirigido mais cedo.

"Ele é filho do Príncipe da Morte, hein?"—Rhaegor-Kul murmurou baixinho, a magnitude da afirmação se grudando nele como uma maldição.

O nome do Príncipe da Morte era suficiente para fazer até o mais audacioso dos Supremos vacilar.

Aquele ser sempre existiu como uma foice da morte pairando sobre o cosmos, imóvel, silencioso, e ainda assim impossível de esquecer.

Todos entendiam que, enquanto não cometesse algum grande pecado, o Príncipe da Morte permaneceria em seu sono.

Essa verdade era a única sorte da Aliança e de seus líderes.

Pois, se o Príncipe da Morte alguma vez decidisse agir em vingança pelo seu filho…

Rhaegor-Kul flexionou suas mãos enormes, fazendo o ar ranger ao redor delas.

"Talvez a própria Aliança nem estivesse de pé neste momento," admitiu com expressão séria.

Ele forçou sua atenção a desviar.

O Príncipe da Morte não era a única questão a ser considerada.

"Quebrador do Céu", murmurou, esfregando os olhos com a expressão fraca. "Esse homem é perigoso. Como conseguiu alcançar o Estágio 6 tão rápido?"

Só o pensamento já era enlouquecedor.

Supremos ou mortais, todos sabiam como era difícil a transição do Estágio 5 para o Estágio 6.

Alguns levavam eras inteiras tentando alcançar esse estágio, e o Quebrador do Céu tinha avançado de forma anormalmente rápida.

A mente de Rhaegor-Kul por um instante se comparou.

"Ele é como uma Divindade do Reino, semelhante ao Deus das Máquinas?"

A ideia foi imediatamente descartada.

Quebradores do Céu não podiam se tornar Deuses do Reino.

A própria base deles era diferente.

O Comandante Supremo exalou profundamente, balançando a cabeça. Essa resposta só levantava mais perguntas.

Quando finalmente entrou no palácio, servos e assessores se curvaram rapidamente, escorregando de lado enquanto a figura gigante passava por eles.

Sua secretária se aproximou, uma mulher magra de olhos afiados e mãos firmes.

Ela carregava uma tábua com documentos, já recitando sua agenda.

"Comandante Supremo, a pauta de hoje inclui três conselhos militares, duas sessões estratégicas e discussões privadas com sete representantes. Há também uma lista de peticionários buscando audiência. A maioria são pequenos senhores ou pesquisadores, mas a lista é longa."

Ela mostrou a ele o painel digital, nomes rolando em letras brilhantes.

O olhar de Rhaegor-Kul percorreu rapidamente, mas seus olhos pararam na última entrada — a de menor prioridade.

"Leia esse aqui em voz alta," ordenou, com a voz soando como um trovão carregado.

A secretária piscou, depois leu o nome suavemente.

Rhaegor-Kul franziu a testa.

Seus olhos se arregalaram de um jeito que fez a mulher hesitar, um pouco nervosa.

"Esse homem tem uma existência especial," disse, com tom sério. "Somente pessoas no Estágio 6 ou superior podem perceber isso. Você entende o que isso significa?"

Ela abriu os lábios, mas primeiro nenhuma palavra saiu.

Quando conseguiu falar, sua voz tinha um tremor que tentou disfarçar. "Ele… é uma potência reclusa?"

"Sim," confirmou Rhaegor-Kul. "Apenas pessoas da era da criação do universo dominam técnicas como essa. Chame-o. Eu irei encontrá-lo primeiro."

A secretária se curvou rapidamente, movendo-se com renovada urgência.

Rhaegor-Kul permaneceu imóvel por um longo momento, olhando para a lista à sua frente.

Ele não entendia por que um ser assim viria até ele agora.

No entanto, não tinha medo de encontrar uma figura tão misteriosa.

Quem veio da era da criação do universo era poderoso—imaginavelmente poderoso—mas a era atual também não era fraca.

O presente havia forjado suas próprias alturas.

O conhecimento dos antigos foi dissecado, remodelado e aprimorado.

Conceitos e técnicas estavam mais refinados.

A tecnologia avançou além do que nunca antes.

Na verdade, deuses de mesmo nível agora eram mais fortes do que deuses daquele tempo.

Pelo menos, Rhaegor-Kul e muitos outros acreditavam nisso.

Algum tempo depois, ele entrou na sala de encontros, preparada para o visitante misterioso.

As portas pesadas se abriram, e assim que ele entrou, seu rosto se endureceu.

O ar estava errado.

No outro lado do salão, um homem permanecia, ou melhor, uma figura que deveria ser um homem.

Seu corpo foi completamente engolido por uma fumaça espessa, ondulante.

Até sua existência parecia apagada, borrada, como se o próprio mundo se recusasse a reconhecê-lo.

Mas isso não era o que apertava o peito de Rhaegor-Kul.

Outras duas presenças persistiam na sala.

Elas não eram visíveis, mas para alguém do nível dele, seu peso era inquestionável.

Não, elas queriam que ele sentisse o peso de sua existência.

Eram elas quem permitiam que ele as percebesse.

Rhaegor-Kul se endireitou. Sua aura subiu um pouco em resposta.

Sua voz estava firme quando se dirigiu ao homem de fumaça.

"Trouxe esses convidados ilustres com você?"

A figura não respondeu.

Em vez disso, uma das presenças invisíveis riu.

Um som retumbante reverberou pelo salão como trovão rolando.

"Hahaha! Olha só, Bram, essa criatura sabe respeitar a gente!"

Outra voz, mais fria e pesada, veio em seguida. "De fato, Kram. Eu considerei dilacrá-lo se ele ousasse falar com insolência. Mas como ele nos chamou de convidados ilustres, vou deixar ele vivo."

As duas presenças se moveram, e na instantânea seguinte, revelaram-se.

Os olhos de Rhaegor-Kul se estreitaram.

Dois dragões gigantescos se materializaram.

Seus corpos se alongaram de forma inacreditável.

O ar do espaço se curvou ao redor deles enquanto comprimiam suas formas colossais para caber na sala.

Suas escamas brilhavam com um brilho opaco. Estavam marcados por batalhas e cicatrizes. Suas asas carregavam rasgos e buracos.

E ainda assim, sua presença—sobrepujante, esmagadora—não deixava dúvidas.

Os dentes de Rhaegor-Kul rangiam. Sua voz saiu baixa, sombria.

"Dragões Antigos…"

Ele alinhou sua postura e sua aura aumentou, entrando em choque com as deles.

"Como vocês vieram aqui?"

Mal tinha terminado de falar quando suas auras explodiram.

A pressão se expandiu violentamente, batendo contra as paredes e o teto como tempestades invisíveis.

Seus olhos brilharam como sóis de lava, a fúria crescendo diante do que interpretaram como insolência.

O homem levantou rapidamente a mão. "Calma. Não é hora—"

A reação foi instantânea.

A raiva deles se voltou contra ele.

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