
Capítulo 737
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
As auras deles pressionaram contra seu corpo, forçando-o a se abaixar.
Poeira se agitava violentamente enquanto a força invisível o prendeu, fazendo os ossos rangerem sob o peso.
"Como você, um inseto, tem a ousadia de nos mandar o que fazer?" Kram rugiu, sua voz retumbando como uma avalanche. "Devemos te matar onde você está."
O homem fez um esforçado gemido.
Sua figura foi esmagada contra a parede de mármore com um forte estalo.
Seu corpo deslizou para baixo.
"Você pode me matar," ele sussurrou roucamente, "mas isso só vai te prejudicar. Será uma perda sua, não minha."
Os antigos dragões congelaram.
Seus olhares ficaram fixos um no outro.
Por um longo momento, apenas o eco de suas auras reverberou pela câmara.
Depois, Kram grunhiu de forma abrupta, retirando sua aura o suficiente para liberá-lo.
Seu corpo foi puxado de volta por uma força invisível, jogando-o mais uma vez contra a parede antes que todos o soltassem de vez.
Poeira se desprendia do teto.
"Na próxima," roncou Kram, "você morre se tiver a ousadia de nos comandar novamente."
O homem tossiu severamente, mas forçou uma risada.
"Obrigado pela sua generosidade em me deixar viver."
Ele se levantou, saltando levemente do muro destruído.
Passou as mãos pelo corpo, embora a névoa ao seu redor ainda escondesse sua forma.
Ele encarou o olhar penetrante de Rhaegor-Kul e deu uma risadinha. "Por favor, Supremo Comandante, não leve a mal. As tensões estão altas, afinal."
A atmosfera continuava carregada, mas, eventualmente, o clima se acalmou o suficiente para que as palavras pudessem continuar.
Rhaegor-Kul permaneceu em silêncio, apenas cruzando seus braços enormes enquanto esperava.
O homem falou primeiro. "Não posso revelar meu nome por várias razões. Mas posso dizer isto: trouxe todas as partes aqui hoje com um propósito."
Os dragões bufaram de arrogância, mas ainda não disseram nada.
O olhar de Rhaegor-Kul se estreitou.
Ele não interrompeu.
"Os dragões antigos querem matar os parentes do Primeira Morte," continuou o homem. "E a Aliança também. Nossos objetivos se alinham nisso."
Seus palavras ficavam penduradas no ar.
"Porém," prosseguiu, "os dragões antigos não podem agir por causa das Ataduras da Morte. Se se moverem diretamente, não conseguirão eliminar facilmente os parentes do Primeira Morte. E a Aliança, apesar de seus recursos, ainda não localizou a Morte Sem Nome."
"Você conhece a localização dele." Os olhos de Rhaegor-Kul se afiaram.
"Sim. Mas revelar isso sozinho não adianta. Mesmo que você vá até ele, há uma alta chance dele escapar. E, quando isso acontecer, ele voltará. A vingança será inevitável."
"A Aliança pode cuidar dele."
O homem deu uma risada baixa, balançando a cabeça lentamente. "Você não entende."
"Ele consegue copiar qualquer técnica. Pode criar uma defesa para tudo que você lançar contra ele."
"Ele fica mais forte a cada momento, passivamente, sem levantar uma mão."
"Pode devorar qualquer coisa e ganhar sua existência, sua memória, seus Conceitos e suas habilidades."
"Ainda nem é um Quebrador do Céu de Segundo Grau, e já é forte o bastante para matar os líderes mais fracos da Aliança."
"Vocês não podem matá-lo. É impossível. Ele possui mais de cinco tipos de imortalidade. Vai conseguir se reviver não importa o que façam."
"Mesmo que vocês, de alguma forma, quebrem sua vontade — o que é impossível — e forcem-no a se matar, ele ainda reencarnará. Este Cosmos pode acabar, mas ele não morre."
"E, na rara hipótese de vocês conseguirem expulsá-lo deste universo para que ele não os atormente mais, o Supremo das Trevas esmagará este universo instantaneamente," explicou o homem.
O salão sumiu em silêncio.
"…O quê?"
A voz de Rhaegor-Kul foi baixa, quase descrente.
Seus olhos se estreitaram como se as próprias palavras fossem mentiras.
Cada habilidade listada já tinha parecido absurda, quase impossível.
Mas a última afirmação o congelou.
O tom do homem não vacilou. "Ele é o Querido do Supremo das Trevas. E é o Apóstolo da Gula."
As palavras soaram mais fortes que qualquer aura.
Rhaegor-Kul ficou paralisado no lugar, a respiração presa na garganta. Pela primeira vez, demonstrou surpresa.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Finalmente, sua voz profunda voltou a ranger. "Como?"
O homem deu de ombros na fumaça. "É uma história longa. Saber resolve pouco. O que importa é a ameaça que enfrentamos. O que importa é eliminar a Morte Sem Nome."
Seus olhos — ou o pouco que eles deixaram transparecer de presença — voltaram-se para os dois dragões antigos atrás dele.
Eles se mexeram, seus corpos titânicos brilhando levemente enquanto seus Mundos começavam a se desenrolar.
Rhaegor-Kul ficou alerta.
Sua aura acendeu imediatamente. Ele estava pronto para o confronto.
"Por favor," disse rapidamente o homem, "não se assuste. Eles apenas ativaram seus Mundos para garantir que ninguém ouça o que estou prestes a dizer."
O Comandante Supremo não baixou a guarda, mas, após um longo momento, assentiu lentamente.
"Continue. Estou ouvindo."
O tom do homem se tornou mais firme. "Preciso que vocês causem o maior caos possível pelo universo. Os dragões antigos vão ajudar vocês a derrotar os Soles Esquecidos. Enquanto isso, eu Lidarei com o Quebrador do Céu, a Morte Sem Nome."
As sobrancelhas de Rhaegor-Kul se franziram, e um bufar áspero escapou dele.
"Então esta é a sua grande estratégia? Achei que haveria algum plano genial, mas essa é a ideia? Há problemas demais. Primeiro, provocar caos no universo é impossível. Se causarmos sofrimento demais, se muitas almas inocentes morrerem, o Primeira Morte despertará. E—"
"E se eu te dissesse que ele não pode despertar?"
O homem o interrompeu com uma voz calma.
Rhaegor-Kul não se ofendeu com a interrupção.
Ao invés disso, uma expressão diferente surgiu em seu rosto. Algo entre realização e pavor.
Devagar, ele virou a cabeça, olhando para os dragões antigos. Dragões antigos que deveriam estar escondidos, na esperança de que o próprio Primeira Morte não os encontrasse.
"…Como eles conseguem se mover tão livremente?"
O homem de fumaça abriu as mãos.
Ele sorriu, e disse:
"Porque o Primeira Morte está morto."
As palavras caíram como um trovão.
"Primeira Morte está morto....?"
As palavras pareciam tão absurdas que Rhaegor-Kul se sentiu estranho ao pronunciar isso.
"Isso não pode ser possível. Primeira Morte é um Divino. Ele derrotou o Supremo das Trevas e o Demônio do Tempo. Ele é eterno. Como pode estar morto?"