
Capítulo 713
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
A atmosfera ficou um pouco mais pesada com aquelas palavras.
O Domínio Dourado era o próprio universo "conhecido".
Era a porção do universo descoberta, mapeada e habitável, tanto por deuses quanto por mortais.
Além de suas fronteiras se estendia o que a maioria chamava simplesmente de [O Horizonte Fraturado].
Era um lugar de ambientes hostis e leis instáveis.
Deuses que mantinham a cabeça erguida dentro do Domínio Dourado não passariam de pó fora dele.
As condições eram tão extremas que até os seres divinos mais poderosos não resistiriam a um suspiro.
Somente Heavenbreakers, Apóstolos ou os raros Deuses Divindade do Reino tinham força suficiente para sobreviver por lá.
Bael inclinou-se um pouco para trás em seu trono. "Eu sei um jeito de deixar o Domínio Dourado. Mas, infelizmente, não posso te passar essa informação."
Neo falou com o rosto mais sério. "Por quê?"
"Você morre instantaneamente ao chegar lá," disse Bael, com um tom direto, sem zombaria. "Esqueça os monstros e os Deuses Divindade do Reino que aguardam além. Até o ar daquele espaço te esmagaria antes mesmo de dar um passo."
"...O quê?"
"O espaço exterior é saturado por Partículas de Caos. A menos que você tenha defesas de um Deus do Nível 3 Etapa 6, será obliterado antes mesmo de pensar em algo."
Neo o encarou, surpreso.
Sempre soubera que o Horizonte Fraturado era perigoso, mas não esperava por isso.
Que o próprio ar pudesse eliminar um deus abaixo de um certo nível era absurdo.
Ele mesmo já suportara tempestades capazes de vaporizar exércitos, mas nem assim resistiria lá fora.
"E quanto às crianças? Elas não existem lá fora?"
"Existem," respondeu Bael.
As sobrancelhas de Neo se franziram. "E todas são tão poderosas quanto Deuses do Nível 3 Etapa 6?"
Bael sorriu com aquilo.
Aentona de diversão era visível em seu rosto.
"Deuses Divindade do Reino criam universos em miniatura," explicou Bael. "Seus filhos vivem dentro até serem fortes o suficiente para sobreviver ao ambiente exterior."
"Entendi."
Neo deixou as palavras assentar.
Sua força atual não era suficiente.
Mesmo que tivesse meios de escapar ou atrasar um Deus do Nível 6, lutar contra um deles era impossível.
Já era absurdo alguém como ele, cuja existência mal alcançava o Nível 5, derrotar Deuses do pico do Nível 5.
Mas contra um do Nível 6?
Isso ia além de suas capacidades por ora.
Pensou consigo mesmo: Preciso concluir minhas ascensões logo. As mudanças que elas trarão devem ser suficientes para me tornar forte o bastante para enfrentar Deuses do Nível 6.
Mas mesmo assim, não tinha certeza se conseguiria aguentar um ataque de um de Nível 3 Etapa 6.
Ele olhou de volta para Bael.
"Então, por que você não quer me dizer como sair do Domínio Dourado?"
"Porque não posso deixar minha pequena princesa morrer tão facilmente. Quando alcançar o Nível 3 Etapa 6, venha me procurar. Se conseguir suportar um único ataque meu, aí sim te deixarei partir."
Neo levantou uma sobrancelha.
"Você é só um do Nível 5? Acho que consigo suportar um ataque seu até agora."
"Você está brincando, princesa," disse Bael, com tom divertido mas firme. "Só está se envergonhando com esse discurso. Esqueceu que sou um Deus Divindade do Reino? Posso facilmente lutar contra Deuses do pico do Nível 6."
Neo piscou, surpreso.
Não esperava por essa resposta.
Bael inclinou levemente a cabeça, como se estivesse lendo os pensamentos de Neo. "Caso você não saiba, Deuses Divindade do Reino são mais fortes que os Deuses Abençoados."
As palavras pesaram mais do que Neo gostaria de admitir.
Deuses Abençoados eram "filhos" dos Supremos Elementais.
Existiam além do que os Deuses Elementais e Divinos podiam imaginar enfrentar.
Leonora mesma não era deusa, e ainda assim podia lutar contra Deuses do Nível 4 sem vacilar, apenas por ser a Abençoada da Água.
Os Abençoadados carregavam os fragmentos do poder dos Supremos, afinal.
E Bael havia acabado de afirmar que Deuses Divindade do Reino estavam acima até mesmo deles.
A mandíbula de Neo se apertou.
Malditos malucos.
Como alguém chega a esse nível?
Uma coisa ficou clara.
Ele teria que se tornar um Deus Divindade do Reino também.
Não era mais uma questão de escolha, era questão de necessidade.
Depois de concluir suas ascensões, usaria o Primogenitor para se tornar um Deus Divindade do Reino.
Por ora, porém, deixou esse pensamento de lado e prosseguiu.
"Obrigado pela informação, Bael. Agora, posso ter um tempo com o Núcleo Mundial da Terra?"
Bael o observou atentamente. "Por que você quer conversar com ele?"
"Quero fundir meu Caminho com o Núcleo Mundial da Terra."
Bael pigarreou suavemente, depois balançou a cabeça.
"Peço desculpas, mas não posso permitir isso. Você precisa da permissão dos atuais líderes da Terra primeiro."
Neo não insistiu.
Simplesmente assentiu.
A recusa de Bael foi inesperada, mas ele já sabia que Bael não mudaria sua opinião.
Neo virou-se e saiu do salão.
A insígnia do Ceifador da Morte em seu lado pulsou levemente.
Com um pensamento, ativou-a, e um portal cintilou diante dele. Ele atravessou, deixando o palácio para trás.
Quando seus pés tocaram o chão sólido novamente, ele estaba no mundo superficial.
O ar fresco acariciou sua pele.
Por um momento, ficou parado, contemplando o horizonte.
Parecia que se esquecia de alguma coisa.
Mas, como não conseguia se lembrar do quê, decidiu que não era importante.
Ignorou o sentimento incômodo de ter esquecido algo.
Respirou fundo lentamente.
"Finalmente tenho um caminho claro para sair do Domínio Dourado."
Seus punhos se cerraram involuntariamente.
Algum lugar além daquele limite, Elizabeth poderia estar esperando.
A ideia pesava no peito dele, impulsionando-o a acelerar o passo.
Parte de si queria agir logo. Começar suas ascensões imediatamente. Perseguir Deuses do Nível 6, devorar suas existências e subir ainda mais, custe o que custar.
A fome por progresso o consumia.
Mas ele se forçou a respirar fundo e desacelerar.
Ainda não.
"Primeiro, preciso encontrar a Amelia," murmurou.
A missão relacionada a ela ainda pendia, sem solução, mas, mais do que isso, ele sabia que era necessário encontrá-la.
Não podia simplesmente fugir de tudo que não gostava.
Precisava encarar de frente.
E, claro, a Layla também.
Sua pequena irmã agora morava com a Amelia.
Ele precisava conversar com ela de verdade também.
"Ah, espera."
De repente, Neo percebeu o que tinha esquecido.
"Esqueci de trazer o Jack de volta."