
Capítulo 710
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
"...Não me surpreendo mais com as coisas que você consegue fazer."
Neo encolheu os ombros.
Era a [Infinitude Sem Forma] de Obitus em ação.
Distâncias agora significavam pouco para ele.
Desde que não fosse absurdo, podia ignorar o próprio conceito de espaço.
Um passo foi tudo o que precisou para cruzar o que deveria ter levado dias de jornada.
À sua frente, uma batalha já ocorria.
Nyx lutava contra um monstro gigantesco, cujo corpo reluzia com espinhos, e um rosto distorcido estendia-se por seu peito.
'Está no Estágio 3.'
A criatura tentou avançar para a esquerda, depois mudou de direção, com as garras erguidas para atacar.
Por um momento, parecia que iria acertar o golpe.
Então, seus movimentos congelaram.
Ela virou a cabeça e percebeu as duas figuras que acabaram de aparecer, observando-a.
O monstro sentiu que seria destruído por elas se tentasse atacar a mulher na sua frente.
Nyx também os viu.
Seu corpo se tensionou instantaneamente.
Seu primeiro pensamento foi que o monstro tinha reforços.
Mas antes que pudesse reagir, a besta desabou.
Seus ossos se estilhaçaram, a carne se rasgou, e num piscar de olhos, o monstro virou um montinho de pedaços no chão.
Tudo isso por causa da vontade de Neo.
Nyx ficou encarando, com os olhos arregalados, mudando sua postura para a posição de guarda.
Então, seu olhar mudou.
Ela reconheceu Jack.
"...Jack?"
Ele levantou uma mão, sorrindo de forma constrangedora. "Oi."
As palavras pareceram insuficientes, e ela soube disso no exato momento em que saíram de sua boca.
Neo decidiu intervir antes que a situação ficasse mais embaraçosa.
Ele fez uma expressão exagerada de decepção.
"Só o Jack? E eu? Você já esqueceu de mim?"
A sobrancelha de Nyx se aprofundou. Seu tom ficou desconfiado. "Você… quem é você? Parece o Ceifador da Morte, mas…"
Quem é você?
Era isso que sua expressão transmitia.
Sem dizer mais uma palavra, Neo buscou dentro do casaco e puxou uma insígnia pequena e gasta. O número gravado nela reluziu levemente: Ceifador da Morte classificado em sétimo terceiro lugar.
Os olhos de Nyx se arregalaram. O reconhecimento foi instantâneo. Ela sabia quem era aquele Ceifador da Morte.
"Neo?"
"É, sou eu," ele respondeu simplesmente.
Por alguns momentos, ela ficou encarando, sem fala.
Ele havia mudado tanto que mal conseguiu reconhecê-lo.
Ela olhou de volta para Jack.
Durante alguns instantes, ninguém falou nada.
Jack ficou inquieto, tentando encontrar algo para dizer, mas antes que pudesse abrir a boca, Nyx se moveu.
Ela percorreu alguns passos rapidamente e os envolveu em um abraço apertado.
Jack se endireitou, tenso com o contato repentino, pego de surpresa.
Neo deu uma leve palmada nas costas dela, com uma expressão tranquila.
Os três permaneceram em silêncio, o ar carregado de coisas não ditas.
Após um momento, Nyx os soltou.
Seu olhar se voltou para Jack, e parecia que ela processava mais do que demonstrava. Agora ela sabia exatamente o que Layla tinha feito durante todo esse tempo.
Neo decidiu dar um pouco de espaço aos dois.
"Vou deixar vocês um tempo a sós. Tenho algo para resolver, de qualquer jeito. Até mais, Emma."
Ele virou-se para partir, mas antes que pudesse dar mais passos, a mão de Nyx se estendeu rapidamente e agarrou seu pulso.
Neo parou, levantando uma sobrancelha. "Hm?"
Seus olhos suavizaram, e ela segurou sua mão com firmeza. "Obrigada. Por tudo o que fez por nós."
Pela primeira vez, Neo foi pego de surpresa.
Suas palavras mostravam que ela tinha consciência do que ele tinha feito durante a Era dos Deuses.
Ele sorriu discretamente. "Só fiz pelo meu próprio futuro."
O sorriso de Nyx se abriu um pouco mais.
Era o Neo que ela lembrava, sempre minimizando seus esforços como se eles não fossem sacrifícios de fato.
Ele acenou de maneira casual e desapareceu, deixando os dois sozinhos.
O silêncio que se seguiu foi muito mais desconfortável do que qualquer coisa antes.
Jack coçou a nuca, olhando para qualquer lugar, menos para ela.
Nyx não era diferente.
Porém, ela de repente cruzou os braços, olhando para ele com uma expressão de exasperação.
"Aff, não aguento esse clima estranho."
Seus olhos o fixaram.
"Você não tem nada para me dizer?"
Jack olhou para baixo. Sua garganta apertou.
"Estou… desculpado por tudo que a Layla fez—"
"Não é isso." A voz dela o interrompeu, seca. Ela se inclinou para frente, garantindo que ele a encarasse. "Não é isso que você deveria dizer."
Uma expressão de confusão passou pelo rosto de Jack.
Ele abriu a boca, mas fechou de novo.
De verdade, ele não entendeu o que ela quis dizer.
Nyx suspirou, balançando a cabeça levemente.
Esse homem era realmente perdido quando se tratava de relacionamentos.
Se deixasse por conta dele, ficariam aqui em silêncio para sempre.
Então, ela resolveu dizer o que realmente sentia.
"Senti sua falta."
Os olhos de Jack se arregalaram.
As palavras o atingiram mais do que esperava.
Por muito tempo, viveu com dúvidas, questionando se ela tinha esquecido dele ou, pior, se seus sentimentos tinham desaparecido.
Carregou esse peso silenciosamente, com medo do que poderia encontrar se se encontrassem novamente.
Mas ao ouvi-la agora, a tensão que carregava finalmente se esgotou.
Seus ombros relaxaram, e um sorriso sincero se abriu em seu rosto.
"Também senti sua falta."
Aquela tensão embaraçosa se transformou em algo mais quente.
…
Visão de Neo
Neo voltou ao Bosque de Todos os Começos.
Ele caminhou tranquilo, seguindo o caminho sinuoso que levava até uma mansão escondida entre as árvores.
A mansão estava silenciosa, mas pulsando com vida própria.
Suas portas de madeira altas se abriram sozinhas quando ele se aproximou, como se reconhecessem quem estava ali.
Dentro, Paimon o aguardava.
Seu corpo tinha voltado a ser apenas ossos e pele.
Ela usava roupas elegantes.
De trás dela, Barbatos permanecia, alto e silente como sempre.
Ambos abaixaram a cabeça ao ver Neo entrar.
"Saudamos o Príncipe."
Neo sorriu levemente. "Acredito que Gremory já contou para vocês sobre mim."
O rosto esquelético de Paimon se transformou em algo que lembrava um sorriso. Sua voz foi fina, mas carregava força.
"Sim, contou. E é bom vê-lo novamente, Segundo Príncipe."
Ela apontou para o jardim.
"Vamos tomar um chá?"
Neo assentiu.
Embora já tivesse tomado chá com Gremory uma vez, não recusou o gesto.
Juntos, caminharam até o quiosque do lado de fora.