Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 701

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Os ombros de Felix desabaram, e uma lufada de ar saiu de seus pulmões.

“Desculpe por isso. Não foi exatamente uma recepção cordial.”

Outro suspiro, mais pesado que o primeiro, escapou do seu peito.

Ele abaixou a cabeça.

“Peço desculpas em nome de todos por nossa atitude agora há pouco. Sua chegada foi inesperada demais, e o fato de você ter atacado assim que chegou deixou todo mundo em caos. Não estávamos preparados para isso.”

“Espero que possa nos perdoar, e que possamos sentar e conversar novamente como costumávamos.”

Neo não respondeu.

Ele nem se moveu.

Seu olhar permanecia fixo em Felix, mas não houve palavra alguma em troca.

Felix levantou a cabeça lentamente.

Ele conseguiu ver uma mistura infinita de emoções nos olhos de Neo.

Raiva, dor, confusão e algo mais profundo, que até ele mesmo não conseguiu identificar.

Felix abriu a boca novamente, preparado para dizer qualquer coisa que pudesse ajudar, mas se conteve.

Que conforto poderia oferecer agora?

Depois do que acabara de acontecer, qualquer palavra soaria vazia.

Então, ao invés de forçar algo sem sentido, Felix endireitou-se.

Seu rosto voltou a demonstrar uma expressão calma, profissional.

Ele puxou a manga para cima.

Uma leve luz cintilou ao longo da pele do braço, e ele revelou a Marca do Dragão gravada na carne.

“Precisamos conversar sobre isso,” disse Felix com firmeza. “Por favor… envie-me uma mensagem quando tiver um tempo. É importante.”

A testa de Neo se aprofundou em uma carranca.

Seus olhos permaneciam na marca.

Mesmo com a dor de cabeça dilacerando sua mente, ele se esforçou para focar.

A marca carregava uma presença que puxava suas lembranças.

'Aquilo… parece o irmão, depois que despertou seu Sangue de Dragão Antigo.'

Felix percebeu a reação.

“Parece que você o reconhece,” disse, mas seus olhos continuaram vasculhando o rosto de Neo em busca de confirmação.

Neo não respondeu.

“Até logo.” Felix deu um aceno quase imperceptível.

Sem acrescentar mais nada, deixou a luz desaparecer e sumiu, deixando para trás apenas o ondular do mana.

Jack quebrou finalmente o silêncio. “Neo—”

“Depois,” interrompeu Percival com firmeza, embora seu tom não fosse hostil. “Deixe-o descansar por enquanto. Você pode conversar com ele quando estiver pronto, quando sua mente estiver mais clara.”

Jack aparentava preocupação, dividido entre o cuidado e a relutância.

Após uma pausa, ele assentiu, embora a tensão ainda permanecesse em seus ombros.

“Não saia sem nos encontrar novamente,” disse. Com isso, ele também desapareceu, puxando Ilyana com ele.

A quietude voltou a predominar no vazio.

Apenas Neo e Percival permaneciam naquele espaço.

O ar parecia mais leve sem os outros, mas o silêncio ainda era pesado.

“…Obrigado,” disse Neo após um longo momento.

“Não precisa agradecer. Só falei a verdade.” Percival levantou levemente a mão, como se estivesse varrendo o peso do momento para o lado. “Venha. Me acompanhe.”

Ele não esperou uma resposta.

Um círculo de luz se abriu sob eles, e o espaço se curvou.

No instante seguinte, estavam bem acima da cidade, flutuando sob um céu límpido.

A vista se estendia larga em todas as direções.

Lagos brilhavam como espelhos sob a luz do sol, suas superfícies agitadas apenas pelo vento.

Rios serpenteavam pela terra, contornando manchas de campos verdes.

Abaixo, ruas cruzavam a cidade, por onde pessoas—semi-deuses, mortais e crianças—caminhavam livres.

Risos ecoavam suavemente mesmo daquela altura, misturando-se com os sinos de uma torre distante.

O próprio céu parecia quase excessivamente azul, como se o ar ali tivesse sido limpo de todas as sombras.

Percival deixou Neo apreciar tudo.

Sua voz carregou um tom de orgulho ao falar finalmente. “Este é o mundo que você salvou. Cada vida que vê aí embaixo existe por sua causa. Eles prosperam, porque você lhes deu a oportunidade de fazê-lo.”

Neo não respondeu de imediato.

Seus olhos permaneciam fixos nas pessoas lá embaixo, nas crianças atravessando entre os pais, nos semi-deuses que passeavam pelas ruas sem preocupações.

A dor de cabeça aliviou um pouco.

Percival colocou a mão no ombro dele.

“Aquele,” apontando para uma grande propriedade próxima à borda da cidade, “é minha mansão. Você ficará lá. Escolha qualquer um dos quartos vazios e descanse hoje. Ou, se preferir, pode explorar a cidade. Não posso ir com você por causa da minha posição—minha presença causaria mais problemas do que tranquilidade—mas posso mandar alguém para te guiar.”

Já que Neo era um Quebra-Céus, ele não precisava se preocupar como Percival e os outros com a possibilidade de matar pessoas aleatórias por causa de sua presença e nome.

“Vou descansar.”

“Se é isso que deseja,” disse Percival, baixando a mão. “Então, vamos lá.”

A luz se curvou novamente, e num piscar de olhos, estavam nas áreas ao redor da mansão.

A estrutura imponente da residência se ergue à sua frente.

Seu desenho era simples, mas grandioso à sua maneira.

Pátios largos se estendiam ao redor, pontilhados de buxos aparados e piscinas claras.

O ar por ali parecia mais pesado que na cidade.

Neo percebeu logo o motivo.

O lugar era silencioso, excessivamente silencioso.

Para uma mansão daquele tamanho, parecia quase vazia.

Não havia criados circulando, guardas patrulhando ou servos cuidando dos jardins.

Somente o vento soprava entre as árvores.

“Não deixe a sensação de vazio te incomodar,” disse Percival enquanto caminhavam até a entrada. “Não é incomum. Com minha força, pouquíssimos conseguem ficar aqui. Os fracos… eles não sobreviveriam. Ouvir meu nome já basta para esmagar a maioria dos semi-deuses. E se algum deles chegasse a se colocar na minha frente, seus corpos não aguentariam. Machucados chegariam antes mesmo de perceberem.”

Neo o olhou, e embora o tom de Percival fosse casual, ele conseguia sentir o peso naquelas palavras.

Poder não era algo que se pudesse esconder.

As portas pesadas se abriram com um leve empurrão, revelando o interior.

Os corredores se estendiam largos, forrados de pedra lisa e altas janelas que deixavam a luz do sol invadir o chão.

Percival gesticulou na direção do corredor que bifurcava à esquerda.

“Você encontrará os quartos de hóspedes por ali. Pegue qualquer um que gostar. Descanse, recupere suas forças, organize seus pensamentos. Amanhã conversaremos sobre o que fazer a seguir.”

Neo assentiu lentamente. “Certo.”

Percival virou-se para partir, mas antes que pudesse dar o próximo passo, Neo falou:

“Esse é o quarto da Morrigan?”

Ele já localizou a presença dela em um dos quartos de hóspedes.

Percival parou, olhou para trás e o investigou com o olhar.

Seu olhar permaneceu por alguns segundos em Neo.

Então, deu um pequeno aceno, concordando.

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