
Capítulo 666
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
"Talvez eu não devesse ficar surpreso que você saiba," disse o Eterno.
Sua voz era calma, mas levemente distorcida.
Ele olhou ao redor, com os olhos varrendo o Planeta Voraka.
Seu olhar permaneceu em Bael e Neo por alguns segundos, depois seguiu em frente.
"Detectei vestígios de Cinzas aqui. Por isso estou aqui," explicou.
Neo permaneceu em silêncio, mas sua aura ondulou sutilmente.
No momento em que viu o Eterno, uma raiva silenciosa começou a crescer dentro dele.
Minhas mãos cerraram-se ao lado do corpo.
Este era o ser responsável pelo fato de ele ter perdido memórias de pessoas por quem um dia havia se importado.
Ele queria partir para cima, mas Kevin virou-se para ele e balançou a cabeça uma vez.
Foi um gesto simples, mas a mensagem foi clara: não aja por impulso.
Neo respirou fundo e se forçou a se acalmar.
'Ainda não.'
Agora não era a hora.
Se perdesse o controle aqui, talvez jogasse fora a chance de encontrar respostas e de se vingar.
"Então, onde estão as Cinzas?" perguntou novamente o Eterno.
"Estava testando um feitiço novo. Ele imita a presença de Cinzas de algumas formas, mas não há Cinzas de verdade aqui," explicou Kevin.
O Eterno não pareceu convencido.
Kevin abriu a palma da mão.
Uma luz cinza suave brilhou, formando uma bola que pulsava com uma energia tênue.
Neo ficou observando.
Ele não conseguiu sentir nada — seu poder não tinha a capacidade de detectar Cinzas — mas, pelo interesse repentino do Eterno, provavelmente funcionou.
"Que tipo de feitiço é esse?" perguntou o Eterno, com uma sobrancelha levantada levemente.
"Você não precisa saber."
Kevin fechou a mão, e a luz desapareceu como se nunca tivesse existido.
O Eterno não reagiu bem àquele desdém.
Sua expressão se aprofundou, e por um momento, parecia que iria insistir na questão.
Porém, Kevin o interrompeu.
"Não ultrapasse seus limites. Isso não era uma Cinza. Se tentar usar sua autoridade para forçar alguma coisa aqui, haverá consequências."
Seu tom não foi alto, mas o peso na voz foi inconfundível. Foi um aviso, não uma brincadeira.
O Eterno não respondeu, mas seu rosto azedou.
A tensão no ar engrossou até Bael finalmente falar.
"Então, o que está acontecendo de verdade aqui?"
O Eterno se virou para ele, e de repente, um leve lampejo de surpresa apareceu em seu olhar.
"Um Deus do Reino Divino no Dom Dourado...?"
"Ele é o Ceifador da Morte Primeira," explicou Kevin.
O Eterno fez uma pausa, depois assentiu.
"Isso explica o que parece estranho."
Depois seus olhos se deslocaram para Neo.
"E ele?"
"Um conhecido," respondeu Kevin, com toques de impaciência na voz.
O Eterno pareceu tentar entender Neo, mas qualquer método que usasse, falhou.
"Sua tecnologia de Guardião está melhorando. Não consigo ler seu Destino de jeito nenhum," observou o Eterno.
Kevin não respondeu.
Houve um silêncio.
Então o Eterno voltou a se dirigir a Bael.
"Peço desculpas por ter ignorado sua pergunta antes. Essa não foi minha intenção."
Bael assentiu.
O Eterno prosseguiu. "Estamos aqui porque detectamos a presença de Cinzas. Essas coisas aceleram o colapso dos universos. A existência delas viola as regras estabelecidas pelo Celestial Digno. Viemos para eliminá-las."
"Nós?" perguntou Bael, levantando uma sobrancelha.
"Sim. Nosso líder veio comigo. Mas..."
O Eterno olhou ao redor lentamente.
"Parece que ele desviou para outro caminho pelo caminho."
Ele não pareceu surpreso com a observação, mas Neo notou algo mais.
O Eterno falava com educação, mas claramente tentava esconder alguma coisa.
Ele não fez mais perguntas, não exigiu respostas adicionais, nem desafiou a autoridade de Kevin.
Porém, Neo podia sentir uma ponta de tensão na voz do Eterno.
'Ele não está preocupado com Kevin,' pensou Neo. 'Então, do que ele está realmente preocupado?'
Ele não conhecia a resposta completa, mas uma hipótese surgiu em sua mente.
'Será que é com a Bruxa com quem Kevin está?'
Neo não tinha informações completas sobre a força da Bruxa, mas, pelo pouco que sabia, não era loucura imaginar que suas habilidades pudessem rivalizar — ou até superar — as dos Eternos.
Finalmente, o Eterno olhou novamente ao redor do espaço.
"Gostaria de ter visto o passado deste lugar, mas parece que vocês o esconderam. Então, vou me retirar."
Ele lançou um olhar para Kevin, agora com uma expressão mais fria.
"Mas lembre-se, se descobrir mais tarde que você escondeu Cinzas de mim, na próxima vez essa situação não terminará pacificamente."
Kevin permaneceu quieto.
O Eterno desapareceu, sumindo tão abruptamente quanto tinha surgido.
Seguiu-se um longo silêncio. Bael foi o primeiro a falar.
"Certo, aquele cara é bem estranho."
Ele olhou para Kevin.
"Então, sobre minha pergunta. Você consegue me passar a pessoa que torturou o Neo?"
"Ela está morta."
"Então me dá—"
"Ela era neta de uma Bruxa."
Bael ficou em silêncio.
Kevin continuou.
"Neo já causou danos suficientes à Aliança. Se quiser atacá-los mais, fique à vontade. Para mim, pouco importa. Mas..."
Kevin fez uma pausa, como se estivesse considerando algo, e então acrescentou:
"Para sua segurança, vou avisar: a Aliança não é fácil de vencer. Mesmo um Deus do Reino Divino como você teria dificuldades contra eles."
Bael parecia ainda disposto a lutar, mas Neo foi o primeiro a falar.
"Tudo bem, Bael. Eu vou cuidar dos meus problemas sozinho."
Bael olhou para Neo por alguns segundos, suspirou e coçou a nuca.
"Certo, então. Vou voltar."
"Mas me chame se alguma coisa acontecer."
"Você consegue fazer isso com sua insígnia do Ceifador, né?"
"E também, venha para casa quando puder."
"A pequenina tem_mezuado bastante ultimamente, pedindo para te conhecer e ao Henry. Ela quer minhas bênçãos para o casamento."
"...O quê?" Neo piscou. "Você tá querendo dizer que..."
"Sua irmã, isso mesmo."
"Ela quer minha bênção?"
Neo sentiu algo estranho se remexer no peito.
Ele ainda tinha sentimentos não resolvidos em relação a alguém com Sangue Hargraves.
Não conseguia esquecer as traições constantes que tinha recebido.
Por outro lado, não podia negar que uma parte dele realmente desejava rever sua irmã e as outras pessoas.
'Mas…'
Ela realmente queria vê-lo?
Nunca a tinha encontrado.
Se fosse por isso, ele era mais como um estranho do que um irmão.
"Não pensa demais nisso," disse Bael, como se adivinhasse os pensamentos de Neo. "Ela admira bastante você. Pode não ser tão conhecida quanto alguns outros heróis, mas seu nome e suas façanhas são bem famosos na Terra."
Neo assentiu, com um sorriso leve.
Era bom saber que não tinha sido completamente esquecido.
"Então, com quem ela vai se casar?"