
Capítulo 663
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo comentou, dando uma leve estalada com a língua.
"Para de projetar seu irmão em mim. Eu não sou ele."
Ele lançou um olhar penetrante para Bael em segredo.
'Por que deixou ele descobrir minha verdadeira identidade? Você entende que isso pode criar um paradoxo? [O Escolhido] nunca soube que Neo Hargraves entraria no Sítio de Voraka.'
'Não disse nada a ele,' respondeu Bael por telepatia, dando de ombros, indicando que não era problema dele como Zagreus soubesse.
Zagreus, sem perceber a troca telepática, deu um passo à frente.
"Neo... para com isso. Basta agir assim."
Suas mãos se cerraram em punhos. Não havia mais intenção de matar no olhar.
Em vez disso, uma nuvem de frustração e dor pairava ao redor dele.
Ele tinha prometido que iria matar Nameless Death, mesmo que fosse Neo, mas agora, diante dele, confirmando que realmente era Neo, ele não conseguia imaginar machucar seu próprio irmão.
"Você já derrotou Berserker. Qual o sentido de fingir que não—"
"Ok. Já chega," interrompeu Neo.
Deu as costas, direcionando seu olhar para o céu.
As rachaduras se espalhavam por toda a atmosfera.
Faltava pouco para o Espaço Independente se desintegrar completamente.
Neo ergueu a palma da mão.
Uma semente verde começou a se formar acima dela, brilhando suavemente.
[1] - Semente do Mundo
Era um conceito que aprendera na Segunda Árvore Celestial.
A semente tinha o poder de ressuscitar um mundo morto.
Ele a empurrou para o solo.
No momento em que tocou o chão, começou a se fundir com a existência do Sítio de Voraka.
Neo despejou sua Energia Mundial na semente, nutrindo-a.
Então algo inacreditável aconteceu.
O planeta árido e moribundo começou a se transformar.
A Semente do Mundo enraizou-se e brotou.
Um gigante árvore começou a crescer do solo, seus galhos se estendendo em direção ao céu.
A energia começou a fluir pelo chão, e o terreno antes sem vida começou a pulsar com vitalidade.
A grama cresceu. As árvores floresceram. A água voltou a correr. A vida retornou.
O Sítio de Voraka, que antes mal se mantinha vivo pela pura força de vontade de Berserker, agora estava completamente rejuvenescido.
O mundo morto de Voraka estava vivo novamente.
'Este planeta estava "vivo" — mesmo que apenas pelo nome — devido à existência das Cinzas, e quando as removi, morreu.'
'Mas agora….'
Reviver um planeta era uma coisa que ninguém ousava sonhar.
Mesmo deuses do Nível 6 temiam a morte de seus mundos, pois, uma vez que um mundo morria, sua base desmoronava junto com ele.
Tudo que possuíam poderia ser apagado.
E, no entanto, Neo havia transformado essa impossibilidade em realidade.
À medida que o gigante árvore continuava a surgir do núcleo do Sítio de Voraka, a vida retornava a um planeta considerado irrecuperável há muito tempo.
O milagre marcou a conclusão do Desafio das Sombras.
De repente, um portal brilhante apareceu atrás de Zagreus.
Ele tinha passado. Tinha conseguido. E o caminho de volta agora estava aberto.
"Vá embora," disse Neo.
"Não vou sair até você me explicar por que ainda está escondendo sua verdadeira identidade."
A expressão de Neo mudou, mas antes que pudesse responder, um som ecoou no céu.
Rachadura.
O Espaço Independente estava se desintegrando.
Os instintos de Neo reagiram mais rápido que o pensamento.
Sua mente disparou com alarmes de perigo.
Sem hesitar, ele invocou Obitus.
Uma ondulação atravessou a atmosfera, e no instante em que a espada negra apareceu em sua mão, uma mulher de cabelo preto e olhos vermelhos se materializou diante dele.
Antes que Neo pudesse dizer algo, ela já se lançou em seu abraço.
Ele levantou a mão e formou uma pequena esfera espacial ao redor deles, cortando qualquer som do mundo exterior.
Zagreus não podia ouvir a conversa.
Não se podia confirmar o nome de Neo, ou um paradoxo seria ativado.
Isso tornaria toda a sua dedicação inútil.
Ao mesmo tempo, ele acenou para Bael.
Bael entendeu suas intenções.
Sem uma palavra, o Ceifador agiu.
Num movimento preciso, agarrou um Zagreus atônito e o lançou em direção ao portal brilhante atrás dele.
Antes que Zagreus pudesse protestar, ele já tinha desaparecido.
O portal se fechou.
Depois, Bael virou-se para Barbatos, que ainda estava fraco, se recuperando lentamente nas proximidades.
O Ceifador não esperou.
Com um gesto, enviou Barbatos de volta ao Submundo.
Agora, restavam apenas Neo, Obitus e Bael.
A espada de espírito soluçava silenciosa no peito de Neo.
A voz dela estava quebrada e abafada.
Neo esperava que ela pudesse gritar ou dizer seu nome, por isso criou uma esfera de silêncio, mas ela não falou palavras coerentes.
A voz dela era uma mistura de emoções, tremendo de tanto chorar que não conseguia formar frases.
Neo a apertou mais forte.
"Vamos lá, achava que minha Obitus era a mais madura? Por que ela está chorando como uma criança?" ele brincou com tom gentil.
Ela o apertou ainda mais.
Sua mão se moveu em círculos lentos nas costas dela enquanto chorava.
Ele não conseguiu entender exatamente o que ela dizia, mas captou o suficiente — "senti sua falta", "preocupada", "feliz por nos reencontrar".
Ela tinha planejado dizer muitas coisas.
Queria repreendê-lo por tê-la deixado para trás.
Queria sorrir e fingir que estava tudo bem.
Queria se desculpar por ter sido fraca na época.
Querendo lhe agradecer por ter voltado em segurança.
Porém, nada saiu.
Tudo que conseguiu foi chorar.
Já fazia tempo demais.
Quando se reencontraram, o peso que ela carregava por tanto tempo se quebrou.
Neo não disse mais nada.
Apenas deixou ela chorar.
Não precisavam de palavras para entender um ao outro.
Suas almas estavam unidas.
Só estavam separadas porque Neo tinha forçado isso por motivos que considerava necessários.
Mas agora estavam novamente juntos.
E o vínculo começava a se restabelecer.
Após alguns minutos, Neo finalmente falou:
"Obitus."
Ela olhou pra ele, com os olhos vermelhos e inchados.
"Eu… Entendo," ela disse suavemente.
Ela sabia o que precisava acontecer a seguir.
Sem precisar de mais uma palavra, ela liberou sua forma física e desapareceu de volta na lâmina.
Eles haviam se encontrado após inúmeros séculos, mas esse não era o momento de reencontro.
Neo ainda tinha uma luta a batalha.
Ele olhou para Bael.
"Volte."
Bael inclinou a cabeça, deu uma expressão casual de ombros e apontou para cima.
"Já passou da hora," disse.
Neo virou o olhar para o céu.
As rachaduras se espalharam pelo planeta.
Então—
Tudo se quebrou.
O Espaço Independente entrou em colapso.
O próprio ar distorceu, cores se inverteram.
Por um breve momento, tudo ficou em silêncio.
Então veio o som.
O som de passos.
O homem apareceu na frente de Neo e Bael.