Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 649

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Era um trabalho lento e cansativo.

A última vez que ele entrou à força em uma Prisão Espaço-Temporal para capturar a Morte Sem Nome e o Berserker, havia ficado bastante exausto.

Por isso, só conseguiu atacar uma vez.

Desta vez, não ia correr riscos.

Ele ia abrir lentamente todas as Prisões Espaço-Temporais.

"Já encontrou alguma pista?" uma voz calma perguntou atrás dele.

Barbatos virou levemente o rosto.

Zagreus estava ali, com os olhos percorrendo o mesmo terreno coberto de névoa, com os braços cruzados.

Barbatos podia ver o cansaço logo abaixo da expressão serena dele, mas o jovem se mantinha firme.

"Ainda não," disse Barbatos. "Mas não deve levar mais do que algumas décadas."

Zagreus assentiu.

Ambos ficaram em silêncio.

Zagreus não pôde deixar de pensar se a Morte Sem Nome tinha resgatado a alma de sua mãe.

Barbatos adivinhava seus pensamentos e decidiu mudar de assunto.

"Como está indo seu treinamento, príncipe?"

"Está indo bem. Nunca imaginei que pudesse trabalhar com a Asmodea assim."

Ele sorriu levemente.

"Junto com as informações sobre a força da Morte Sem Nome e do Berserker que recebemos da Leonora, podemos vencer com bastante facilidade se o plano funcionar."

Ponto de vista do Berserker

O céu estava calmo hoje.

Exatamente do jeito que ele gostava.

O Berserker estava sentado no topo de uma coluna quebrada, uma perna balançando casualmente sobre a borda.

O vento assobiava ao redor dele, passando pelas ruínas pontiagudas espalhadas pela terra desolada, mas ele mal notava.

Seus olhos estavam fixos no horizonte.

Hoje era o grande dia.

O confronto tão esperado. A luta que vinha se acumulando por tempo demais.

Ele balançou os ombros uma vez, expirou, e então se inclinou para frente.

Ainda nada. O horizonte permanecia imóvel. Mas isso não duraria.

Ele esperou.

Segundos se alongavam em minutos.

O silêncio ficava mais pesado a cada momento, mas o Berserker não se incomodava.

Sempre foi bom em esperar.

Deixem os outros ficarem inquietos e pensarem demais. Deixem-nos ficarem ansiosos. Achava graça nisso tudo.

Até que percebeu.

Havia uma ondulação à distância. A sombra na extremidade do "mundo" se moveu.

"Finalmente."

O Berserker sorriu.

Uma figura surgiu através da sombra, caminhando lentamente.

Um casaco preto esvoaçava atrás dele, e a cada passo, o mundo ao redor parecia escurecer um pouco mais. Como se a própria realidade não tivesse certeza se queria permanecer intacta na presença dele.

Morte Sem Nome.

Ele tinha exatamente a aparência que o Berserker esperava—irritado e furioso.

O Berserker não conseguiu segurar e virou a cabeça para trás, soltando uma risada longa e sem contenção.

"Hahaha! Essa cara! Seu Caminho ainda não está completo, não é?"

Morte Sem Nome congelou.

Ele parou de caminhar e olhou fixamente para o Berserker.

Não tinha como o Berserker conseguir ver o que acontecia dentro do Espaço Sombra, já que não havia elementos ambientais lá.

"Você ainda está preso," continuou o Berserker, inclinando-se com um sorriso sarcástico. "Você tem os materiais, os conceitos, a base, tudo. Mas o último passo simplesmente não termina, né?"

O olhar de Morte Sem Nome ficou mais afiado.

"Sabe por que eu não consigo passar?"

"Claro que sei."

O Berserker sorriu de novo.

"Por quê?"

"Porque você é burro."

As sobrancelhas de Morte Sem Nome se arquearam.

"Acho que você quer que eu te derrote antes de me ensinar como completar esse último passo, não é?" Morte Sem Nome balançou o ombro. "Vamos logo, começar logo e acabar com isso. Vou te bater até ficar difícil e liberar toda minha tensão."

O Berserker levantou uma sobrancelha.

"O quê?" disse Morte Sem Nome. "Não me diga que vai se recusar a explicar como terminar o último passo? Ou—"

"Eu vou te dizer. Não há necessidade de esperar até o fim da batalha para isso."

O Berserker pulou de uma vez.

Ele aterrissou na areia branca e marchou na direção de Morte Sem Nome.

"Qual é o seu Caminho?"

"Meu Caminho é…."

De repente, Morte Sem Nome ficou em silêncio.

Ele entendia bem o que seu Caminho fazia.

Poderia explicar como funcionava, e o que deveria fazer.

Mas qual era o seu Caminho?

"Caminho dos Elementos. Caminho da Evolução. Caminho das Conquistas. Esses Caminhos já existem. Agora, qual é o seu Caminho?"

O Berserker riu.

"Essa é a barreira que te impede. Não é questão de força, nem de estrutura. É questão de identidade. Você nunca definiu realmente o que o seu Caminho é."

Os olhos de Morte Sem Nome se estreitaram.

"E agora que eu te dei a resposta," acrescentou o Berserker, "vou te passar a boa notícia."

"…O quê?"

"Você precisa criar seu Caminho agora mesmo." O sorriso do Berserker voltou. "Ou você vai morrer."

Antes que Morte Sem Nome pudesse reagir, a presença do Berserker explodiu.

O chão rachou. O ar se partiu.

Uma força esmagadora e sufocante pressionou o vale, penetrou nos ossos e puxou a alma.

Os olhos de Morte Sem Nome se arregalaram.

A pressão não era só forte…

"Por que sua presença ultrapassa o Estágio 4?"

O Berserker riu.

"Lembra da Cinza que te mostrei antes? A que eu disse que era a mulher que me invocou aqui?"

Morte Sem Nome não respondeu, mas seu rosto escureceu.

"Ela é minha abençoada," falou o Berserker. "Por ela, 'eu' posso ser invocado."

Assim como Leonora podia invocar o Supremo da Água.

A Cinza de que o Berserker falou é a que ele usou para invocar 'ele mesmo.'

Até agora, ele estava limitado à força que podia usar ao absorver seus próprios elementais no Local Voraka.

Depois que atingiu o pico do Estágio 4, conseguiu afetar a Cinza e, assim, fazer isso.

Morte Sem Nome não sabia se devia ficar admirado ou enojado.

Esse “bastardo” nunca teve intenção de lutar de forma justa.

O Berserker levantou levemente os braços.

Iniciaram-se combinações de dois elementos ao seu redor.

Um era um vórtice giratório—preto, infinito, pulsando com fome.

O outro era um Caos fragmentado e irregular—brilhante, mutável, selvagem, como espelhos quebrados refletindo diferentes leis da natureza a cada segundo.

Caos e Vazio.

Semelhantes, mas diferentes.

Morte Sem Nome não esperou por cerimônias. Movimentou-se.

Com a mão direita, rasgou para cima, e as chamas do Fim do Mundo explodiram de seus pés, impulsionando-o à frente como um cometa.

Seu alvo era direto na garganta de Berserker.

O Berserker encontrava-o no meio do caminho, rindo.

Seus punhos colidiram.

O mundo rachou.

Uma onda de choque rasgou a areia, levantou as dunas ao redor e lançou destroços em todas as direções.

Morte Sem Nome girou, se abaixou sob um golpe amplo e, em seguida, ergueu o joelho na lateral de Berserker.

O corpo de Berserker nem se moveu. Ele segurou o braço de Morte Sem Nome e o jogou para trás.

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