
Capítulo 648
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Poucos Intentos conseguiram se tornar um recém-nascido.
Deixou-os viver naturalmente dentro do Cosmos simulado, dando a eles uma chance de crescerem e viverem normalmente.
E continuou a criar mais Intentos e a corrompê-los enquanto eram nutridos pela [Chama].
Nenhum filho ainda tinha sido um Quebrador de Céus, muito menos um que pudesse transmitir sua linhagem de Quebrador de Céus para seus filhos.
Mas isso estava tudo bem.
"Só preciso que um deles seja bem-sucedido," ele sussurrou.
Um Intento com o equilíbrio certo. Uma criança gerada por feitiço capaz de ultrapassar o limiar. Uma faísca que poderia gerar uma linhagem inteira.
Ele elevou seus limites ainda mais.
Criou quadrilhões de Intentos por segundo, enquanto usava a dilatação do Tempo pela Ressonância em nove níveis em si mesmo para aumentar sua velocidade.
Isso nunca foi uma questão de 'se'.
Era apenas uma questão de 'quando'.
Ele iria conseguir. Assim como conseguiu com a Escuridão.
…
Ponto de vista de Vivi Hargraves
A primeira coisa que ela sentiu foi o frio.
Vivi piscou, embora seus olhos estivessem pesados e vazios.
A luz dançava acima dela como ondas na água. Estava demasiado brilhante, e tudo parecia estranho.
Veio então a voz. Elas eram fracas, primeiro abafadas. Aos poucos, tornaram-se mais agudas e claras.
"...o potencial dela já está se estabilizando."
"Os marcadores de linhagem confirmaram. Um potencial de classe Divindade do Reino. Precisamos reportar isso—"
"Querida, do que você está falando? Ela acabou de nascer!"
Vivi não entendia o que eles queriam dizer.
As palavras passaram por ela como vento. Sua mente ainda tentava juntar os pedaços do que estava acontecendo.
Onde ela estava?
Ela se virou levemente, tentando mover os dedos, as pernas.
Seu corpo parecia menor, mais lento, fraco.
A manta que a envolvia era quente, mas não era familiar. E os braços que a seguravam também não.
Ela abriu os olhos novamente.
O rosto de uma mulher pairava acima, sorrindo suavemente.
As feições dela eram delicadas, os olhos bondosos, mas Vivi não a reconhecia.
Alguma coisa estava errada.
Onde estavam seu pai?
Onde estava sua mãe?
O pânico invadiu seu peito antes que ela pudesse impedir.
Seus lábios tremeram.
Ela virou a cabeça, olhando além da mulher estranha, em direção às vozes.
Duas pessoas conversavam perto de uma janela de cristal.
Um homem e uma mulher. O homem vestia vestes prateadas e tinha um brasão que ela não conhecia.
A mulher usava algo mais simples.
Eles falavam baixo, trocando termos que ela não entendia—"ressonância espiritual," "manifestação de nível divino," "florescimento do núcleo inato," "talento divino."
Tudo soava como ruído sem sentido para ela.
Ela não se importava.
Nada disso importava.
Nem quando seus pais não estavam aqui.
Então, ela percebeu.
Ela tinha sido reencarnada.
A compreensão a atingiu com mais força do que esperava.
Sem querer, lembrou-se das palavras do pai na noite passada.
"Você pode sair amanhã."
Era isso o que ele queria dizer?
Este planeta, essas pessoas, essa nova vida… era isso que ele chamava de o mundo lá fora?
Fora da proteção dele. Fora de casa.
Sem ele.
Sem a mãe dela.
Lágrimas começaram a escorrer dos olhos do seu corpo de recém-nascida.
Ela não queria isso.
Ela só queria visitar a sociedade. Ver como o mundo era além do que conheciam.
Ela queria ver coisas novas com 'eles'.
Mais uma lágrima rola pelo seu rosto pequeno. Desta vez, várias a seguiram. Suas mãos minúsculas se fizeram punhos.
Seu peito tremia com soluços silenciosos.
Ela não queria chorar.
Mas não conseguiu impedir.
Ela se arrependeu de ter pedido para sair.
Ela teria ficado feliz em ficar em casa para sempre.
"Quero voltar..." As palavras não saíram de seus lábios. Seu corpo não conseguiu falar. Mas o pensamento ecoou alto dentro dela.
Ela se lembrou da mão do pai bagunçando seus cabelos, do calor do braço dele ao carregá-la.
Da maneira como sua mãe cantava baixinho enquanto penteava seus cabelos. Das jantares alegres. Das piadas suaves. Da sensação de segurança absoluta.
Sumiram.
Ela enfiou o rosto no ombro da mulher. Nada ajudou. Nada parecia certo. Tudo parecia um erro.
E então, justo quando seus soluços ameaçaram transbordar completamente, ela sentiu algo.
Um pequeno calor no peito.
Ela congelou, confusa. O calor se espalhou pelo corpo.
Era… familiar.
Ela conhecia essa sensação.
Era o poder do pai dela.
Seu corpo não entendia, mas sua alma entendia. Mesmo os instintos de recém-nascido reconheciam a assinatura. A maneira como ele a segurava. Envolvida como uma lembrança que não podia ser apagada.
Os soluços diminuíram.
As lágrimas pararam.
Ela abriu os olhos novamente, piscando lentamente. O teto acima dela não parecia mais tão estranho. A luz já não era tão intensa.
A calidez pulsou mais uma vez, como se quisesse lhe dizer algo.
Ela não estava totalmente sozinha.
Isto não era abandono.
Seu pai deixara algo dentro dela. Algo que a apoiaria, agora e no futuro.
Era esperança.
Uma promessa silenciosa.
De que algum dia ela o encontraria novamente.
Que aquilo não era um adeus.
Apenas uma separação temporária.
A esperança trouxe alívio a ela. As lágrimas pararam de cair.
'Vou te encontrar de novo.'
E desta vez, ela não iria deixar escapar, nem que tentassem mandá-la embora.
…
Ponto de vista de Barbatos
A névoa vermelha escorregava pela superfície do Local Voraka como sangue se movendo lentamente, deslizando em tentáculos irregulares antes de desaparecer nas fissuras invisíveis do espaço.
Barbatos estava sobre uma formação rochosa pontiaguda.
Suas mãos ossudas seguravam a foice, e seus olhos como chamas azuis estreitaram ao perceber o fluxo anormal.
A névoa estava sendo atraída em direção às Prisões do Espaço-Tempo, e absorvida pelo Berserker.
Segui-los levaria até a localização do Berserker.
No entanto, o Berserker não era estúpido.
Ele circulava a névoa por milhares de Prisões do Espaço-Tempo antes de trazê-lo de volta para si, o que tornava rastrear sua localização um processo demorado. Extremamente Demorado.
No entanto, graças à névoa, Barbatos podia agora identificar os locais exatos de todas as Prisões.
Isso tornava o trabalho mais fácil.
Mesmo que levasse tempo, agora eles tinham a garantia de encontrar o Berserker.
O único problema era…
"Se ele está confortável com sua localização sendo revelada, deve ter armado algum plano para lidar conosco."
Barbatos já desmontou algumas Prisões do Espaço-Tempo para procurar pelo Berserker.