
Capítulo 641
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Ele poderia sentir isso nas mãos.
A forma como o martelo atingia a bigorna. Como o metal se dobrava em camadas perfeitas. Como os anéis do núcleo se alinhavam desta vez sem se desmoronar.
Ele estava chegando mais perto.
A ideia de fracassar não o incomodava mais.
Se fosse o caso, parecia algo que avançava.
Cada erro deixava uma pitada de maior clareza em sua mente. Cada tentativa imperfeita refinava sua intenção.
Ele aprendeu a tratar os erros como degraus.
Isso não era apenas um processo de forja. Era algo mais profundo.
Era o seu Caminho.
Era quem o Morto Sem Nome sempre foi.
Alguém que seguia em frente.
Alguém que poderia perder cem vezes e ainda assim se levantar.
Alguém que, eventualmente, venceria.
Porque se recusava a parar até alcançar o fim.
Finalmente, após o que pareceu outra vida dentro da forja, ele olhou para o objeto em suas mãos.
Um cubo. Aproximadamente do tamanho da palma de uma mão humana.
Prateado, metálico e vivo, com suaves pulsações de luz rúnica sob sua superfície.
Uma Caverna do Diabo, completamente formada.
"Está pronto," ele disse suavemente.
Leonora veio ao seu lado.
Ela tinha brincado, mas seu interesse agora se voltou totalmente para ele.
Ela calçou as pontas dos pés e olhou por cima do ombro dele, sem vergonha alguma pela proximidade entre eles. Depois de anos juntos na forja, essas coisas tinham deixado de importar.
"Para quê serve essa coisa?" perguntou curiosa, franzindo os olhos para o cubo.
"É um computador," respondeu o Morto Sem Nome.
Leonora piscou, surpresa. "Você não disse que o propósito da Caverna do Diabo era criar um Demônio que pudesse acabar com o mundo?"
Ele sorriu de canto.
"Depende de como for usado. Se eu fizer direito, vai virar uma ferramenta para gerenciar minhas técnicas, transformando-as em habilidades, classes, traços, títulos e muito mais. Vai administrar tudo que for necessário para o Meu Caminho."
Leonora parecia realmente confusa.
"Uhhhh...?"
"Tudo bem. É difícil de entender."
Seu espírito competitivo se acendeu, ao notar como ele aceitava facilmente que ela não conseguisse entender nada.
Ela cruzou os braços.
"Então me provoca."
"A Caverna do Diabo foi originalmente feita para criar seres poderosos. Mas vou transformar essa coisa em um computador. Pense como uma Inteligência Artificial Assistente."
"Como você vai fazer isso?"
"Assim."
Sem aviso, o Morto Sem Nome engoliu o cubo.
Os olhos de Leonora se arregalaram. Ela ficou preocupada com ele, pois tinha visto o quanto ele tinha se esforçado para criar a Caverna do Diabo.
"Por que você—"
"Tudo certo," ele garantiu. "Estou absorvendo as informações."
O cubo se dissolveu em energia negra e desapareceu em seu corpo.
Ondas de informações invadiram sua mente.
Alguns minutos passaram em silêncio, enquanto Leonora o observava, com uma sobrancelha levantada.
Depois, ele estendeu a mão e recriou a Caverna do Diabo do zero, usando seu Conceito de Núcleo das Sombras.
Quando terminou, criou outro objeto, um espelho preto que pulsava de forma inexplicável.
"Aquele é o Espelho do Abismo, é?" ela adivinhou.
"Mais ou menos. É mais fraco que o original, já que aquele era um Tesouro Sagrado, mas serve," disse o Morto Sem Nome. Todos os Tesouros Sagrados tinham uma energia única, que ele ainda não conseguia replicar. "Agora, veja isto."
Ele tocou na superfície do espelho.
Sua corpo pulsou uma vez, e sua expressão se fechou.
Copiou tudo — suas memórias, conhecimentos, técnicas, cada Conceito que já manipulou, e cada erro do qual aprendeu.
Toda sua mente foi transferida, como dados sendo gravados em um disco.
Quando terminou, colocou o Espelho do Abismo dentro da Caverna do Diabo e o selou.
Segurando o cubo, ele disse:
"Se eu deixasse assim, a Caverna do Diabo criaria um ser que guarda todo esse conhecimento e poder. Sabe como ela faz isso?"
Leonora balançou a cabeça.
"Runas," explicou o Morto Sem Nome simplesmente. "Runas de Criação, Estabilidade, Evolução, Crescimento, Eternidade, e muitas outras."
Ele tocou suavemente o cubo, pensativo.
Achava estranho como os anões que fizeram a Womb of Devil original tinham acesso a runas tão poderosas.
Esse nível de tecnologia não deveria existir ainda. Parecia algo vindo do futuro, não do passado.
O Morto Sem Nome decidiu ignorar esse detalhe por agora e focar nas coisas importantes.
"Vou alimentar essas runas com energia para ativar o processo de criação. O cubo começará a formar um Demônio com base no que estiver dentro. Mas antes que termine, vou corromper o processo com Energia do Vazio e transformá-lo em um Firmamento."
Ela voltou a parecer confusa.
"Firmamento?"
"Pense como uma criação com consciência," ele explicou. "Se eu fizer tudo direito, o cubo se tornará um ser vivo que contém minhas habilidades, memórias e conhecimentos... e será capaz de administrar tudo relacionado ao Meu Caminho."
"Isso... não é fácil."
"Não é mesmo."
Transformar a Womb of Devil em um Firmamento é muito mais difícil do que simplesmente criar um Novo Elemento.
"Tudo bem. Entendo que agora é um computador que irá gerenciar as Classes, habilidades, traços e tudo mais que serão criados a partir da sua mente."
"Mas como isso vai te ajudar? Um Caminho deve te tornar mais forte, certo?"
"Isso é um pouco complicado de explicar. Veja—"
O Morto Sem Nome criou outro cubo — uma segunda Womb of Devil — novamente usando seu Conceito de Núcleo das Sombras.
"Este cubo é diferente," ele disse. "Não vou usá-lo para criar um Demônio. Vou usá-lo para criar um universo simulado."
Os olhos de Leonora se arregalaram. "Como o Registro Akáshico do meu mundo?"
"Exatamente. Quando você falou sobre a simulação da Womb of Devil no seu planeta, tive a ideia."
Ele continuou: "Vou criar uma raça dentro deste mundo. Eles irão viver, crescer e evoluir de forma natural. Com base nas experiências de vida, escolherão classes. Ganharão habilidades, traços, títulos e outros poderes à medida que evoluem."
"Isso é bem normal comparado à grandiosidade de um Caminho que eu tinha em mente."
"Sim," concordou. "Mas às vezes, a estrutura mais simples é a melhor base."
"Então esse é o seu Caminho completo?" ela perguntou.
"Não," respondeu o Morto Sem Nome. "Isso é apenas a primeira metade do Primeiro Passo. De três etapas."